Somos Discípulos Missionários

Estamos vivenciando o mês de outubro, onde na Igreja do Brasil reflete-se sobre esta importante característica da Igreja: a Missão. Com efeito, segundo o Concílio Vaticano II, “a Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária, visto que tem a sua origem, segundo o desígnio de Deus Pai, na missão do Filho e do Espírito Santo”[1]. Deste modo, a Missão não deve ser vista como uma dimensão a mais a ser vivida na Igreja, mas como sua própria essência e fundamento, e, assim, não existe cristão que não seja missionário.

Neste ano, as Pontifícias Obras Missionárias escolheram como tema para a Campanha Missionária “Jesus Cristo é Missão”, e como lema “não podemos deixar de anunciar tudo o que vimos e ouvimos” (At 4,20). De fato, Jesus é Missão, pois ele encarnou-se em nossa humanidade para anunciar a Boa-Nova, e nos mostrar a misericórdia de Deus Pai, e, deste modo, nós também somos Missão, pois, como nos exorta São Paulo, “tende em vós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus” (Fl 2,5). Assim, se somos cristãos, e Jesus Cristo é Missão, então nós somos Missão, a seu exemplo.

O Documento de Aparecida introduziu na Igreja o conceito de “discípulos missionários”, no sentido de que todo aquele que se encontra com Cristo, e o segue, devem naturalmente, ser missionário: “neste encontro, queremos expressar a alegria de sermos discípulos do Senhor e de termos sido enviados com o tesouro do Evangelho. Ser cristão não é uma carga, mas um dom: Deus Pai nos abençoou em Jesus Cristo seu Filho, Salvador do mundo”[2]. Portanto, o discipulado, ou seja, o seguimento a Cristo, exige também a disposição para o anúncio.

Como ainda continua o documento, “conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria”[3]. De fato, o encontro com Cristo é algo tão marcante em nossas vidas, que não podemos permanecer egoisticamente apenas em nós, mas devemos partilhar e anunciar, a fim de que outras pessoas também possam ter a oportunidade de conhecê-lo, amá-lo e servi-lo.

Papa Francisco, na beleza do seu pontificado, tem pedido que a Igreja jamais deixe de anunciar, e ser missionária. Desde o seu primeiro documento, a Evangelii Gaudium, ele vem nos exortando a sermos uma Igreja em saída, que saia para levar o amor de Cristo às pessoas, sobretudo as mais afastadas, que vivem no estado de periferia geográfica e existencial: “Naquele «ide» de Jesus, estão presentes os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja, e hoje todos somos chamados a esta nova «saída» missionária. Cada cristão e cada comunidade há-de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho”[4]. Deste modo, ninguém está isento do dever de anunciar e ser missionário, pois o próprio Cristo é quem nos dá este mandato. Portanto, anunciar dever ser a nossa maior fonte de alegria.

Por fim, peçamos a Maria, Mãe do Rosário, e Estrela da Evangelização, que ela nos ajude sempre a crescermos no desejo de anunciar a Palavra. Jesus Cristo é Missão, e por isso nós também o somos, e, certamente, prestaremos a Ele um culto agradável, pois “por esta atividade missionária é Deus plenamente glorificado enquanto os homens por ela recebem, plena e conscientemente, a obra de salvação que Ele em Cristo levou a cabo”. Assim, anunciar é glorificar a Deus. Sejamos criativos e utilizemos os dons que Deus nos deu para levar seu Nome aos irmãos e irmãs.

 

[1] AG, 2

[2] DAp, 29

[3] DAp, 29

[4] EG, 20

 

Por Pe. Lucas Tadeu

Assessor Eclesiástico do COMIDI

2021-10-07T21:34:54-03:0007/10/2021|