UM NOVO E DECISIVO ADVENTO

A nossa mãe Igreja, por meio do tempo litúrgico do Advento, nos convida a nos preparar conscientemente para a Solenidade do nascimento de Jesus Cristo e nos leva a refletir sobre a presença de nosso Redentor em nosso meio. Trata-se de um convite a compreender que cada um dos acontecimentos de nossas vidas é um sinal do amor de Deus para conosco, um vestígio explícito da contínua atenção de Deus por nós.

Um elemento fundamental do Advento é a espera, a feliz expectativa de um novo tempo repleto de esperança, pois assim como os pais anseiam pelo nascimento de um filho, e um enfermo espera pelo dom da cura, todos nós somos convocados a trilhar o caminho para Belém com a certeza de que Deus é sempre novo. Ele é o amor plenificado que não se retirou do mundo, não nos deixou sozinhos. Embora não O possamos ver e nem tocar, como acontece com as plantas, os objetos, os animais e outras realidades sensíveis, Ele está presente em nossa história e vem visitar-nos de diversos modos. Nesse sentido, o Advento ajuda-nos a compreender o sentido do tempo e da história como uma graça, um kairós, uma ocasião propícia para a nossa conversão e salvação.

Devemos percorrer o itinerário do Advento com a convicção de que o silêncio é o ambiente favorável para o encontro com Deus, pois, pelo exercício do silêncio, nós adentramos o terreno sobrenatural do sagrado. Trilhando as sagradas sendas de Deus, nós percebemos que a indiferença, a soberba, a incoerência e a infidelidade são sinais do desamor e do pecado que devemos vencer com a liberdade, a responsabilidade e a fidelidade sem reservas. Juntos da Virgem Maria e de São José, caminhando em direção a Belém, notamos que esperar é um exercício de santidade, é um ato de identificação com a vontade de Deus e, por isso, esperar é contemplar o mundo com o olhar e o coração de Jesus. Esperar é resistir ao mal, à desesperança e à descrença. Esperar é testemunhar que Deus é presença, é novidade, é acolhimento e ternura.

Toda pessoa que sabe verdadeiramente esperar, aprende a ver o mundo e os desafios do nosso tempo com um olhar diferenciado. Deste modo, mesmo em meio a tantos sinais de morte e de horrores provocados por nós, homens, o leme da nossa história continua nas mãos misericordiosas de Deus. Por conseguinte, o Advento é um tempo propício para o exercício da oração, pois quem espera, reza, e quem reza, espera, exercitando a linguagem da confiança e da sintonia com os planos de Deus.

No Advento, nós somos convidados a uma renovação interior da fé e a uma maior participação nos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação, pois quem espera busca sempre o melhor alimento para renovar as suas forças e percorre o caminho da retomada da graça para saciar a sede de vida plena. Quem espera, mesmo não desfrutando ainda do ideal desejado, já participa da alegria da espera, que é totalmente contrária à tristeza do mundo que produz depressão, ansiedade e morte.

Um sinal de morte dos nossos tempos é a procura insana de uma espiritualidade sem Deus que pode levar a tudo, menos a Deus. Aqueles que buscam uma espiritualidade sem Deus fogem de Deus, de Seus ensinamentos e do Evangelho, negam a graça divina e os sacramentos e consideram insuficiente tudo aquilo que Cristo nos oferece. Aceitar uma espiritualidade sem Deus é percorrer um caminho tortuoso, insistindo em uma caminhada às escuras que não nos conduz ao céu e nem à vida eterna.

Para vencermos os sinais da espiritualidade sem Deus e ajudarmos o nosso próximo a vislumbrar a presença de Deus em sua vida, nós devemos, no tempo do Advento e no cotidiano da fé, testemunhar que Deus é necessário, é essencial, é vital para descobrirmos quem nós somos e, somente unidos a Ele, poderemos preencher a nossa existência de sentido. Deus é o sentido de toda a criação e de todas as coisas. É Ele o Messias esperado, o Menino que nasceu para nós, o Príncipe da paz que preenche o nosso cotidiano de esperança. Sem Deus, tudo é nada, vazio, escuro, sem sentido e sem perspectivas. Mas, junto de Deus, o pouco é muito, o passado é memória, o presente é significativo, o eterno é um desafio a ser alcançado e um mistério a ser plenificado.

Quando percorremos o Advento com renovada esperança, nós dizemos sim aos desafios que Deus nos faz no dia a dia, renovamos o nosso batismo e incrementamos nossa adoração eucarística. Deste modo, esse tempo litúrgico deixa de ser tão somente uma preparação para o Natal e passa a ser uma feliz ocasião de encontro com Cristo, uma oportunidade decisiva de se triunfar no aprendizado da verdade e do bem.

Impulsionados pelo amor transformador de Jesus, aproveitemos esse tempo do Advento para abrir os nossos corações a Cristo e ao Seu Evangelho, pois, quando abrimos as portas da estalagem da nossa alma a Deus, nós começamos a mudar e a nossa vida renasce, ressurge iluminada pela luz do Menino Deus que nos faz perceber que não estamos num mundo hostil, vão e privado de sentido. Pelo contrário, nós estamos num mundo redimido, santificado e transformado pelo poder do amor de Deus e, por isso, celebramos o Natal com alegria, fé, caridade e esperança.

Aloísio Parreiras

2019-11-30T09:46:03+00:0030/11/2019|