UM NOVO PENTECOSTES

No dia de Pentecostes, cinquenta dias após a ressurreição de Cristo, nosso Redentor realizou tudo aquilo que tinha prometido aos Seus Apóstolos, ou seja, que eles receberiam o batismo no Espírito Santo e seriam revestidos do poder do Alto para que pudessem anunciar o Evangelho a todas as nações.

Naquele domingo de Pentecostes, os Apóstolos estavam reunidos no Cenáculo juntos com a Virgem Santa Maria, quando, “de repente veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde eles se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua”. (At 2, 2-6).

Animados pelo fogo impetuoso de Pentecostes, e renovados pela força do Espírito Santo, os Apóstolos saíram do Cenáculo e começaram a falar de Cristo, morto e ressuscitado, aos fiéis vindos a Jerusalém de todas as partes, e cada um os ouvia falar na sua própria língua, evidenciando que onde o Espírito de Deus se faz presente ali há unidade, sintonia, comunhão e entendimento.

Pentecostes nos revela que, quando somos dóceis à ação do Espírito Santo, nós passamos a ser homens novos, semeadores de esperança, instrumentos da paz e da misericórdia e testemunhas credíveis de nosso Senhor Jesus Cristo. O dia de Pentecostes foi o dia do nascimento da Igreja, o Corpo Místico de Cristo, que é composto por seres humanos de diversas raças e culturas, congregados no amor e na fé da Santíssima Trindade, para ser o sinal visível do Cristo invisível em nosso meio e instrumento da unidade de todo o gênero humano.

Em Pentecostes, nós percebemos que “o Espírito Santo soprará, através de nós, em muitos corações que pareciam apagados, e do seu rescaldo de vida cristã sairão chamas que se propagarão em ambientes que de outro modo teriam permanecidos frios e distantes de Deus”. (São Josemaría Escrivá, Forja n º 9). Pentecostes é o testemunho visível de que a fé não pode ser aprisionada ou reduzida às paredes de nossos templos, pois o Espírito Santo gera dinamicidade, movimento, renovação e impulso missionário.

Desse modo, todos os batizados têm o dever, o direito e a alegria de dizer que o Pentecostes continua na vida da Igreja, ou seja, há uma perenidade do Pentecostes que se renova em todos os séculos e em todas as gerações, pois, por meio do Batismo e do Crisma, nós sentimos a força do Espírito Santo, somos revestidos por esta graça e começamos a realizar, sem medo ou desânimo, as missões do nosso Batismo. Por conseguinte, de algum modo, podemos afirmar que, nas celebrações do Batismo e da Confirmação, há um prolongamento, uma continuação do Cenáculo de Jerusalém, pois estamos reunidos para renovar o mistério deste grande dia mediante a ação de Deus nas almas.

Quando lemos e meditamos as Sagradas Escrituras, iluminados pela luz do Espírito Santo, adquirimos a consciência de que o dia de Pentecostes se iniciou na mesma tarde do Domingo da Ressurreição de Cristo, o dia em que Jesus, como uma singular pontualidade, concedeu o Espírito Santo à Igreja como dom divino e como fonte incessante de santificação. Naquele dia, Cristo, vivo e ressuscitado, apareceu aos Apóstolos, que estavam fechados, no Cenáculo, com medo das perseguições dos judeus, e, depois de os ter saudado com o dom da paz, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhe serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”. (Jo 20, 22-23). Essa foi a abertura, o primeiro e grandioso passo do evento de Pentecostes que Deus realizou na Igreja nascente de Jerusalém.

A grande e prodigiosa efusão do Espírito Santo é narrada por São Lucas nos Atos dos Apóstolos, onde ele deixa claro que o Paráclito sopra onde quer, penetra em toda a parte, com universal e soberana liberdade, consagrando-nos na Verdade. O Espírito Santo é o Timoneiro da barca da Igreja e de nossas vidas e, por isso, quando estamos parados, acomodados e confortáveis no terreno das missões, Ele nos questiona: “Vós recebestes o Espírito Santo quando abraçastes a fé?”. (At 19, 2). Ele nos ajuda a perceber que, no itinerário da santidade, precisamos percorrer as periferias para salvar as almas. Nesse percurso, podemos encontrar pessoas que nos digam: “Nem sequer ouvimos dizer que existe o Espírito Santo!”. (At 19, 2). Pela correspondência à graça divina, nós sabemos que Ele existe, pois sentimos a Sua presença em nós e na Igreja e, por isso, quando somos dóceis às Suas inspirações, um novo caminho abre-se diante de nós, revelando uma nova messe que pode ser transformada, cultivada, para que, em um breve futuro, ocorra uma nova floração de santidade.

O Espírito Santo nos faz perceber que ficar parado não é uma atitude que combina com o dinamismo da fé. Dessa maneira, Ele nos impulsiona a sair, a ir ao encontro das necessidades dos nossos irmãos, deixando claro que consegue melhores resultados e novas conversões quem se faz próximo, quem acompanha, orienta e acolhe. O Espírito Santo, mediante os dons e os talentos que Ele nos concede, nos dá a certeza de que Deus quer nos utilizar como instrumentos para despertar em nossos coetâneos o desejo de se aproximarem do Seu amor e da Sua misericórdia. Mas, para que isso ocorra, não podemos atrapalhar a ação do Divino Espírito, não podemos impor limites à ação da graça. Temos, sim, que ser dóceis, humildes e determinados. Agindo assim, gastaremos as solas dos nossos sapatos e, se for preciso, criaremos calos nas cordas vocais por meio do anúncio da alegria do Evangelho, testemunhando o entusiasmo da esperança.

Quando estamos abertos à ação renovadora do Espírito Santo, Ele nos recorda os ensinamentos do Cristo que nos diz: “Vim trazer fogo à terra, e que quero senão que arda?”. (Lc 12, 49). Ardendo de amor no Espírito, subimos a temperatura da santidade, incrementamos nossa pertença a Deus e à Igreja e passamos a ser uma centelha de luz, um sinal de amor, um fermento vivificador na massa, o sal que dá sabor, temperando o comum do dia a dia com a suave e transformadora presença de Deus que é sempre novo, moderno, atualizado, dinâmico e contemporâneo.

O Espírito Santo, que mora em nossas almas, faz de nós membros da Igreja, discípulos missionários de Jesus, testemunhas da esperança, construtores e colaboradores de um novo Pentecostes, a fim de que possamos renovar as nossas comunidades, famílias e vidas. É justamente em comunidade, unidos ao nosso próximo, que somos alcançados pelas chamas de amor do Paráclito e, por isso, bradamos: “Não se nos abrasava o coração quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24, 32).

Em comunidade, aumentamos a vibração da santidade, da fé e do amor, mantemos aquecida a chama da misericórdia e, com humildade e fortaleza, somamos esforços na edificação do Reino de Deus. Em comunidade, estamos unidos à Virgem Santa Maria. Invoquemos, hoje, amanhã e sempre, com confiança, a sua intercessão maternal, a fim de que sejamos dóceis às inspirações do Espírito Santo para colaborarmos na renovação da Igreja, testemunhando sempre mais os milagres de Pentecostes em nossa História.

“Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor!”. Fortalecei-nos, ó Espírito Santo, com os Vossos sete dons, os carismas e os talentos, a fim de que possamos propagar no mundo, e nos ambientes em que vivemos, o incêndio purificador da santidade. Vinde, Espírito Santo, ensinai-nos a cantar a glória de Deus e as Vossas grandezas e a viver numa contínua ação de graças! “Enviai, Senhor, o Vosso Espírito e renovareis a face da terra!”. Vinde, Espírito Santo, vinde!

Aloísio Parreiras