UMA PALAVRA AOS CATEQUISTAS

As perguntas fundamentais que acompanham todos os seres humanos são, entre outras, as seguintes: Como se aprende a arte de viver? Qual é o caminho da felicidade? O que há para além da morte? Jesus Cristo é verdadeiramente Deus? Quem sou eu e o que devo fazer da minha vida?

Para responder, ou evidenciar as necessárias respostas a essas questões, Deus sempre escolhe, chama, prepara e envia catequistas para os diversos setores da sociedade para dar continuidade à Sua obra, ou seja, para comunicar a Boa Nova do Evangelho. Deste modo, os catequistas são todos aqueles que ouviram a voz de Cristo lhes dizendo: “Ide, pois, e ensinai todas as nações; batizai-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo quanto Vos ordenei e Eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo! ” (Mt 28, 18-20).

Os catequistas exercem o nobre serviço catequético nas paróquias e comunidades, mas o serviço da catequese não se limita ao tempo e ao espaço determinados para essas aulas, pois os catequistas levam o nome de Jesus e os Seus ensinamentos a todos os lugares onde se fazem presentes por meio do anúncio, da oração e do testemunho de vida.  Por força deste testemunho sem palavras, os catequistas fazem aflorar no coração daqueles que os veem vivenciar a alegria do Evangelho, perguntas indeclináveis: Por que é que eles são assim? Por que é que eles vivem daquela maneira? Qual é a origem da alegria que eles vivenciam? O que é, ou quem é, que os inspira?

Grandiosa é a missão dos catequistas, pois eles são as vozes que transmitem a Palavra e os amigos que conduzem ao Esposo. Os catequistas são todas as pessoas que nos comunicam o amor de Deus e os sinais da salvação que podemos ver, tocar, encontrar e receber. São pessoas que evidenciam que no centro da salvação existe um Deus que nos ama com misericórdia.

Os catequistas devem ser especialistas em acolhimento, em bondade e em ternura. Devem ser também pessoas engajadas nos serviços pastorais da Igreja com a consciência de que o Espírito Santo nos concede habilidades, dons, talentos e possibilidades, não para permanecerem escondidos, mas para serem comunicados ao nosso próximo.

Os catequistas possuem a certeza de que nunca será possível haver evangelização e serviço catequético sem a ação do Espírito Santo, pois o Divino Espírito é o Maestro da grande obra da catequese, pois é Ele quem renova, dinamiza e impulsiona a nossa conversão. Quando nós mantemos os nossos ouvidos sensíveis à batuta do Espírito Santo, nós percebemos que Ele é dócil, suave e harmônico. Comandando a bela orquestra da catequese, o Divino Espírito sussurra nos ouvidos dos catequistas: “Deixa que o Senhor abrace a tua fragilidade, a tua lama, para transformá-lo em força evangelizadora e fonte de fortaleza. É na fragilidade que somos chamados a ser catequistas”. (Cardeal Mario Jorge Bergoglio, Carta de 21 de agosto de 2003).

Sim, os catequistas possuem falhas e imperfeições, pois todos nós somos pecadores. Mas, no aprendizado da catequese, os catequistas sabem que não é suficiente o conhecimento intelectual de Cristo e do Seu Evangelho, pois crer n’Ele significa segui-Lo. É importante que os catequistas conheçam o Catecismo da Igreja Católica, o Diretório Geral para a Catequese, e se dediquem a uma formação contínua. Mas o essencial é que os catequistas saibam falar de Cristo e falar com Cristo, pois essas duas ações andam sempre juntas, evidenciando que é o anúncio da Boa Nova da Salvação que orienta para a comunhão com Cristo, na comunhão fraterna, fundada e vivificada por Deus.

Todo serviço catequético começa a partir de Cristo, pois sem Jesus a catequese não pode existir. Jesus é, precisamente, a Base da Igreja, o Alicerce sólido da catequese. Nesse contexto, os catequistas comunicam, com a ajuda do Espírito Santo, a doutrina, o bom depósito da fé e as sãs palavras recebidas de Jesus. Agindo assim, os catequistas contribuem para difundir e fazer amar o nome de Jesus, por meio do testemunho de uma vida gasta jubilosamente por Ele e pelo próximo.

Os catequistas são os discípulos missionários de Jesus que não poupam esforços na propagação da fé cristã. Eles são as testemunhas das maravilhas que Deus opera a todo momento no coração de tantas crianças, jovens e adultos que abrem as suas almas para o acolhimento da graça divina. Os catequistas sabem que as conversões e os milagres realizados nas almas não são méritos que lhes pertencem, pois os frutos são sempre de Deus. Como é bom poder encontrar em nossas paróquias, comunidades e movimentos, catequistas que são testemunhas credíveis do amor de Deus! Afinal, “o testemunho de uma vida autenticamente cristã, entregue nas mãos de Deus, numa comunhão que nada deverá interromper, e dedicada ao próximo com um zelo sem limites, é o primeiro meio de evangelização, pois o homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres. (Papa Paulo VI, Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, nº 41).

Os catequistas são os servidores da Verdade e, por isso, eles têm conhecimento de que a causa e raiz de todos os males que envenenam as pessoas, os povos e as nações está no desconhecimento da Verdade. Para fazer contraponto a essa situação, os catequistas bradam que “a inteligência, nomeadamente a inteligência das crianças e a dos adolescentes, tem necessidade de aprender, mediante um sistemático ensino religioso, os dados fundamentais, o conteúdo vivo da verdade que Deus nos quis transmitir, e que a Igreja procurou exprimir de maneira cada vez mais rica, no decurso da sua história. (Papa Paulo VI, Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, nº 41).

Os catequistas devem tomar o necessário cuidado para não transformar a catequese em um mero encontro social ou uma simples aula sem vivência cristã. Para que isso não ocorra, os catequistas devem, cotidianamente, realizar um exame de consciência e se interrogar: Rezo pela salvação dos meus catequisandos? Anuncio o Evangelho com o entusiasmo da fé? Qual é o amor que estou levando aos outros? É o amor de Jesus que me impulsiona e renova e me leva a compartilhar, perdoar e acompanhar?

Enormes são as responsabilidades dos catequistas, pois “o catequista é um cristão que traz em si a memória de Deus, deixa-se guiar pela memória de Deus em toda a sua vida, e sabe despertá-la no coração dos outros”. (Homilia do Papa Francisco em 29 de setembro de 2013). Conscientes dessas responsabilidades, nas paróquias e nos ambientes sociais, os catequistas desafiam os batizados afastados da Igreja e os batizados acomodados, a mudarem de mentalidade, de atitudes e de comportamentos de egoísmo, de fechamento em si e de autossuficiência, de modo a adquirirem uma nova perspectiva e uma nova visão – alicerçada na Pessoa e no amor de Cristo – que exige humildade, caridade e abertura de coração para com Deus e o próximo.

Um dia, diante da presença de Cristo, os catequistas serão interrogados pelo Senhor: Onde estão os catequisandos que Eu lhes confiei? Alicerçados na fé e na santidade, eles poderão responder: Senhor, não perdi nenhum daqueles que me destes. Senhor, eles estão na Igreja, nas dimensões visíveis e invisíveis, vivenciando sem reservas o Vosso infinito amor, construindo a caridade, alicerçando a plena comunhão. Obrigado, Senhor, pela confiança que depositastes nos catequistas.

Aloísio Parreiras

2020-04-28T13:37:10-03:0028/04/2020|