UMA VIDA A SERVIÇO DOS POBRES

No dia 13 de outubro de 2019, a nossa querida Irmã Dulce, a Santa Dulce dos
Pobres, foi elevada às honras dos altares pelo Papa Francisco. Naquele dia, o povo
brasileiro e, em especial, os habitantes da Bahia cantaram: “A Bahia inteira canta para
celebrar nossa santa que cuidou de nós. É a Bahia que canta, Santa Dulce, a nossa santa.
Que está no céu, cuidando da gente, diariamente.”
Pela primeira vez desde a sua canonização, neste ano de 2020, no dia 13 de
agosto, dia em que a Irmã Dulce foi ordenada freira, nós teremos a oportunidade de
celebrar a Memória Litúrgica de Santa Dulce dos Pobres. Maria Rita de Souza Brito
Lopes Pontes – esse é o nome de batismo de Santa Dulce dos Pobres – é a primeira
santa nascida no Brasil. Ela era uma mulher pequena em estatura, fraca e magra em sua
constituição física, mas, por outro lado, era um gigante na correspondência ao amor de
nosso Senhor Jesus Cristo.
Carinhosamente apelidada como o “Anjo bom da Bahia”, Irmã Dulce
desenvolveu um notável e significativo trabalho social voltado à ajuda de pessoas em
situação de rua e de extrema pobreza. Com apenas 13 anos, a jovem Maria Rita
começou a acolher doentes, mendigos e desempregados em sua casa, transformando a
residência da família. Em pouco tempo, a casa ficou conhecida como “a Portaria de São
Francisco”, tal era o número de pessoas carentes que se aglomeravam à sua porta,
esperando por um prato de comida ou por uma palavra de acolhimento, pois, naquele
momento do século XX, o Brasil não possuía nenhum programa social para sanar as
necessidades dos excluídos.
Aos 21 anos, apesar da pouca idade, Maria Rita superou os muros da
congregação em que vivia, movida pelo amor de Deus, e passou sempre mais a exalar a
boa essência da santidade pelas periferias de Salvador e, principalmente, pelas ruas
empoeiradas ou enlameadas da favela de Alagados, conjunto de palafitas do bairro de
Itagipe, na Bahia. Ali, em meio a tanta pobreza, ela gostava de afirmar: “A miséria é a
falta de amor entre os homens”.
Na atenção e no cuidado esmerado com os marginalizados e os favelados, Irmã
Dulce demonstrou que o amor pelos pobres foi o caminho para a sua santidade, o seu
carisma. Agindo assim, ela nos ensinou que, para acolher plenamente a Cristo, nós
precisamos acolher aos pobres, amá-los, socorrê-los e evangelizá-los.
Na favela de Alagados, Irmã Dulce atendia os moradores que estavam doentes
em um simples barraco de madeira, evidenciando que o amor pelos pobres deve ser
manifestado pelo reconhecimento de sua dignidade. No ano de 1949, Irmã Dulce
ocupou o galinheiro que ficava ao lado do convento e transformou o espaço em um
abrigo para os enfermos e para as pessoas em situação de rua. No jantar do primeiro dia,
após a ocupação do galinheiro, com a permissão da Madre superiora, os pobres foram
alimentados com uma boa canja de galinha caipira.

Em 1959, o antigo galinheiro se transformou em um albergue com espaço para
abrigar 150 leitos. No ano de 1983, esse espaço se tornou o Hospital Santo Antônio, o
fruto mais visível do testemunho e do serviço de caridade exercidos por Santa Dulce
dos Pobres pelas periferias de Salvador. Esse hospital é hoje o maior e mais importante
hospital da Bahia e atende idosos, pessoas com deficiência, crianças e adolescentes em
situação de risco social e usuários de substâncias psicoativas.
A vida de Irmã Dulce foi uma vida a serviço dos pobres, uma vida marcada pela
fé, pela caridade e pela esperança. Ela tinha um objetivo a realizar quando se tornou
religiosa: ajudar os mais necessitados, anunciar aos pobres a Boa Nova do Evangelho. E
ela conseguiu!
Nos últimos dias de sua vida, ao ser questionada se faria tudo de novo, Irmã
Dulce respondeu: “Se fosse preciso, começaria tudo outra vez do mesmo jeito, andando
pelo mesmo caminho de dificuldades, pois a fé, que nunca me abandona, me daria
forças para ir sempre em frente”.
Santa Dulce dos Pobres é um sólido testemunho de santidade para todos aqueles
que ousam seguir em frente, avançando para as águas mais profundas da santidade. Ela
foi uma santa mulher que passou pela Bahia e pelo Brasil, deixando o perfume do
serviço da caridade. Ela também nos ensina que os pobres merecem muito mais do que
esmolas, coisas e roupas velhas. Eles merecem, principalmente, serem vislumbrados
como pessoas humanas que precisam de um impulso e de acolhimento para serem
resgatados em sua dignidade, pois carecem de esperança e de toda palavra que sai da
boca de Deus. Esse nobre serviço, com a intercessão da Irmã Dulce, Deus confia a cada
um de nós! Santa Dulce dos Pobres, rogai por nós!

Aloísio Parreiras

2020-08-13T16:17:35-03:0013/08/2020|