V DOM DO TEMPO COMUM 07/02

 

A PALAVRA DO PASTOR

+ Dom Paulo Cezar Costa

 

Jesus diante do sofrimento humano

A primeira leitura deste domingo coloca diante de nós a realidade do sofrimento humano (Jo 7,1-4.6-7). A questão do sofrimento sempre inquietou o ser humano. Jó, no percurso do seu livro, sofre e se proclama justo. O sofrimento coloca diante do ser humano a sua fragilidade, a sua contingência. O ser humano que constrói, pesquisa, faz grandes descobertas, com a dor, o sofrimento, se depara com o mistério da sua fragilidade. A teologia reinante afirmava o sofrimento como fruto do pecado. Essa teologia é questionada e o livro mostra que Deus não é reduzível a simples esquemas humanos.

 

Essa mesma realidade do sofrimento está presente no evangelho: Jesus cura a sogra de pedro e, no final do dia, “curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios” (Mc 1,34). A cena da cura da sogra de Pedro se dá na casa de Simão e André. A cura se dá com gesto de Jesus segurando-lhe a mão e ajudá-la a se levantar. Gesto presente também em outros milagres, mas que manifesta a profunda humanidade de Jesus. Jesus encontra aquela mulher em sua debilidade, em sua fragilidade. Ajudar alguém a levantar é um gesto de profunda humanidade. Curada, a sogra de Pedro” começa a servi-los” (Mc 1,31). Ele é modelo para todos nós. Quem experimentou o amor de Jesus e foi por ele curado serve, faz da vida um dom de amor, um dom de serviço. O evangelho apresenta Jesus que curou muitas outras pessoas de diversas doenças. Jesus tem compaixão, ele cura as pessoas de sua enfermidades. A atitude de Jesus diante de quem sofrem não é de desprezo, mas ele as cura, as liberta.

Agora, o evangelho apresenta Jesus que, de madrugada, vai realizar num lugar deserto. Em vários momentos nos Evangelhos encontramos Jesus rezando. Na oração, Jesus entra em profunda intimidade com o Pai, com o Abá. A oração de Jesus revela a sua intimidade, a sua consciência de filho diante do Pai. Não existe segmento autêntico de Jesus Cristo sem oração, pois a oração nos faz tocar o ministério eterno do amor de Deus.

O Evangelho termina com os discípulos que vão à procura de Jesus e lhe dizem?  “todos estão te procurando” (Mc 1,37). Mas Jesus não se deixa aprisionar pelas pessoas, ele manifesta uma consciência clara da sua missão e a estatura de um pregador livre: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu  vim” (Mc 1,38). Jesus é um mestre livre, que tem consciência de que deve colocar em movimento o Reino de Deus através dos seus gestos, milagres e da sua pregação. Também o discípulo é aquele que, seguindo Jesus, anuncia o Evangelho. Por isso, São Paulo afirma: “Ai de mim se eu não pregar o Evangelho” (1Cor 9,16) Anunciar o Evangelho é missão que a igreja recebeu do Senhor e, por isso, a sua missão é Evangelizar. São Paulo VI, afirma com toda força, na Evangelii Nuntiand (no.14) “Nós queremos confirmar, uma vez mais ainda que a tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja”.

 

 

 

 

2021-03-16T15:00:10-03:0011/03/2021|