VIRGEM MARIA, MÃE DA EUCARISTIA

Na vivência cotidiana da fé e da santidade, somos convocados a adorar, em plenitude, ou seja, em espírito e verdade, o Nosso Senhor Jesus Cristo que Se faz presente no sacramento da Eucaristia com Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Melhorar a qualidade das nossas adorações é um desafio diário e, por isso, se queremos concretizar esse objetivo, devemos olhar para Nossa Senhora e, junto dela, aprender a viver como fiéis discípulos de Cristo.

Em nossas orações, dirigimo-nos a Nossa Senhora utilizando inúmeros títulos, mas de modo especial, nos sacrários, ou diante do Altar do Senhor, devemos recorrer a Virgem Santa Maria, chamando-a de “Mulher Eucarística”, “Mãe da Eucaristia” ou, ainda, “Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento”.

A Virgem Maria é para nós um admirável modelo de santidade, pois em tudo Ela cumpriu a vontade do Altíssimo. Olhando para Maria, devemos perceber que Ela mantém uma ligação direta com o mistério eucarístico. “A orientação eucarística de Maria deriva de sua atitude interior que marca toda a sua vida, mais do que da participação ativa no momento da instituição do sacramento. A sua existência, que tem um profundo sentido eclesial, assume também esta nota eucarística. Maria viveu em espírito eucarístico, ainda antes deste sacramento ser instituído, pelo fato de ter oferecido o seu seio virginal à encarnação do Verbo de Deus. Durante nove meses, Ela foi o tabernáculo vivo de Deus. Depois, realizou um gesto eucarístico e, ao mesmo tempo, eclesial, quando apresentou o Menino Jesus aos pastores, aos magos e ao Sumo Sacerdote no Templo, enquanto oferecia o Fruto bendito do seu seio ao Povo de Deus e também aos gentios, para que O adorassem e O reconhecessem como Messias”. (Instrumentum Laboris, 77).

Em toda Santa Missa, em especial no momento da consagração, Nossa Senhora também nos diz: “Não hesiteis, confiai na palavra de meu Filho. Se Ele pôde mudar a água em vinho, também é capaz de fazer do pão e do vinho o Seu Corpo e Sangue, entregando aos crentes, neste mistério, o memorial vivo da Sua Páscoa e tornando-se assim pão da vida”. (São João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, 54).

A Virgem Maria, a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, com seus gestos de Mãe, nos conduz à vivência eucarística. Ela nos admoesta a viver a fé, a caridade e a plena confiança em nosso Redentor. Diante do Sacrário, Nossa Senhora está constantemente de joelhos, intercedendo por todos nós e, por isso, em Maria, descobrimos o modelo dos adoradores de Jesus e as virtudes essenciais que devemos concretizar no itinerário da caridade. Em adoração, supliquemos: “Engravidem-se nossos corações pela fé de Cristo. A Virgem deu à luz o Salvador. Que nossas almas gerem a salvação e entoem louvores. Não sejamos estéreis. Sejam nossas almas fecundas para Deus!” (Santo Agostinho, Sermão 189).

A Eucaristia faz brotar em nossas almas o compromisso de servir ao Reino de Deus. A Eucaristia faz despertar em nosso ser a convicção de que devemos conduzir nosso próximo em direção aos sacramentos da iniciação cristã, para que eles sejam também adoradores do Cristo Eucarístico.

Ao lado da Virgem Maria, participando da escola de Maria, nós vislumbramos que a Eucaristia é o Sacramento dos sacramentos, o Sublime Sacramento e o Manancial da vida eterna. É na escola de Maria que adquirimos a noção do valor do silêncio que devemos cultivar nas celebrações, nas adorações e na ação de graças. Em silêncio, podemos escutar a voz da Mãe da Eucaristia nos ensinando: “Nenhum outro sacramento é mais salutar do que este; nele os pecados são destruídos, crescem as virtudes e a alma é plenamente saciada de todos os dons espirituais”. (São Tomás de Aquino).

A Eucaristia faz irradiar em nossas mentes a percepção de que, assim como Maria, a Mãe da Eucaristia, devemos proclamar, com nossa vida, as maravilhas do Senhor. “Se o Magnificat exprime a espiritualidade de Maria, nada melhor do que esta espiritualidade para nos ajudar a viver o mistério eucarístico. Recebemos o dom da Eucaristia para que a nossa vida, à semelhança da de Maria, seja toda ela um magnificat!” (São João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, 58).

Nos momentos da oração do Rosário, do Terço e, principalmente, nos momentos que antecedem a Comunhão, digamos à nossa bondosa Mãe, em súplice oração: Doce mãe Maria, Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, “acompanhai-me agora ao encontro do vosso Filho, porque desejo ardentemente receber o sacrossanto Corpo e Sangue deste mesmo vosso Filho, sob o vosso manto, para minha salvação;  mas, como sou indigno demais para isto, rogo-vos que, por vosso intermédio, obtenha acesso ao vosso Filho, ó descobridora da graça, geradora da vida, Mãe da Salvação, para que, ornado com os vossos méritos e ajudado pelos vossos sufrágios, me faça participante do Seu Corpo e Sangue”.(Oração de Santa Gertrudes).

Que a participação no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo seja para nós uma fecunda fonte de graças, para que saibamos viver uma sólida piedade eucarística que nos faça sacrários vivos de Deus. Juntos de Maria, a Mãe da Eucaristia, nós seremos, sempre mais, sacrários vivos de Deus, amantes da Eucaristia, ousados discípulos missionários de Jesus, pois o Sublime Sacramento é Fonte de caridade e de misericórdia.

Virgem Santa Maria, Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, aumentai a nossa fé eucarística, a fim de que possamos permanecer firmes na comunhão com o Cristo vivo e ressuscitado. Obrigado, Mãe da Eucaristia, por nos acompanhar em nossa vivência eucarística! Obrigado, Mulher Eucarística, pelo seu sim e pela sua intercessão, pois sabemos que “quão feliz sentir-se-á Jesus encontrando em nós a imagem e a reprodução de Sua Mãe amabilíssima”. (São Pedro Julião Eymard, Flores da Eucaristia, página 174). Virgem Santa Maria, Mãe da Eucaristia, rogai por nós e ajudai-nos a testemunhar os sinais da Comunhão na vida da Igreja!

Aloísio Parreiras
2020-06-06T22:22:39-03:0006/06/2020|