VIRGEM SANTA MARIA, MÃE DA IGREJA

Com o Decreto “Ecclesia Mater”, da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, publicado em 3 de março de 2018, o Papa Francisco determinou a inscrição da Memória da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, no Calendário Romano Geral.

Por meio desse Decreto, o Papa Francisco estabeleceu que, na segunda-feira depois da Solenidade de Pentecostes, detalhe bem significativo, é obrigatória para toda a Igreja de rito romano a Memória litúrgica de Maria, Mãe da Igreja. O objetivo dessa celebração está brevemente descrito no Decreto: “Favorecer o crescimento do sentido materno da Igreja nos Pastores, nos religiosos e nos fiéis, como, também, da genuína piedade mariana”.

Essa Memória litúrgica de Maria, Mãe da Igreja, nos faz recordar o papel único e singular de Nossa Senhora na História de nossa Salvação, pois Ela é o modelo da livre correspondência ao amor de Deus, a bondosa Mãe da Igreja que nos acompanha no serviço missionário da fé. De acordo com as Sagradas Escrituras, a Virgem Maria estava presente junto aos Apóstolos no dia de Pentecostes. Naquele dia, Ela presidiu, de alguma forma, o nascimento da Igreja que saiu do Cenáculo para anunciar ao mundo inteiro as maravilhas de Deus.

Naquela efusão do Espírito Santo, a presença maternal de Maria no meio dos Apóstolos era para eles a memória de Cristo, pois os olhos de Maria tinham impresso o rosto do nosso Salvador, e o coração Imaculado de Maria guardava os mistérios de Cristo, da Anunciação à Ressurreição e Ascensão ao Céu, por meio da vida pública, da Paixão e Morte de Cristo.

Graças ao seu sim e à sua fidelidade contínua ao amor de Deus, a Virgem Maria é a testemunha particular do Verbo Encarnado. Ela é a memória viva e vivificante do seu Filho e, por isso, Ela permanece na Igreja e nela está presente de modo materno. Desse modo, Ela continua a guardar no seu coração tudo aquilo que vive a Igreja, o Corpo Místico de Cristo e, por ser a Mãe da Igreja, Maria zela para que seus filhos mantenham a unidade da fé.

Em seu Evangelho, o Apóstolo São João narra que “junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu Sua Mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à Sua Mãe: ‘Mulher, eis aí o teu filho’. Depois disse ao discípulo: ‘Eis aí tua Mãe!”. (Jo 19, 25-27). Fazendo uma referência a esse testemunho de São João evangelista, o Decreto “Ecclesiae Mater” assinala que a Virgem Maria “aceitou o testamento do amor do seu Filho e acolheu todos os homens, personificado no discípulo amado, como filhos a regenerar à vida divina, tornando-se a amorosa Mãe da Igreja, que Cristo gerou na Cruz, dando o Espírito”.

As primeiras comunidades cristãs aprenderam que a Virgem Maria é o símbolo perfeito da maternidade espiritual da Igreja. As sucessivas gerações cristãs vivenciaram também essa presença materna de Maria no seio da Igreja. Santo Agostinho, nos primeiros séculos, afirmou que “Maria é a Mãe dos membros de Cristo porque cooperou, com a sua caridade, ao renascimento dos fiéis na Igreja”. Tempos depois, São Leão Magno ensinava que “o nascimento da cabeça é, também, o nascimento do Corpo, o que indica que Maria é, ao mesmo tempo, Mãe de Cristo, Filho de Deus, e Mãe dos membros do Seu Corpo Místico, isto é, da Igreja”.

Nessa breve recordação histórica, nós percebemos que a Memória litúrgica da Bem-aventurada Maria, Mãe da Igreja, é uma redescoberta profética de uma antiga devoção, pois a Virgem Maria, Mãe da Igreja, sempre caminhou à frente e com sublime perfeição no Caminho, que é Cristo, para ser nosso modelo e exercer sua maternidade eclesial para com todo o Corpo de Cristo.

O título mariano de Mãe da Igreja se popularizou e, por assim dizer, oficializou-se entre os fiéis, a partir da realização do Concílio Vaticano II, pois, em 1964, durante a promulgação da Constituição dogmática Lumen Gentium, o Papa São Paulo VI proclamou Maria Santíssima como Mãe amorosíssima de todo o Povo de Deus, a Mãe da Igreja. Alguns anos depois, em 30 de junho de 1968, no Credo do Povo de Deus, esse santo pontífice reafirmou essa verdade de forma ainda mais forte: “Nós acreditamos que a Santíssima Mãe de Deus, nova Eva, Mãe da Igreja, continua no céu a sua maternal intercessão em relação aos membros de Cristo, cooperando no nascimento e desenvolvimento da vida divina nas almas dos remidos”.

Além disso, por ocasião do Ano Santo da Reconciliação, em 1975, a Sé Apostólica propôs uma Missa votiva em honra de Santa Maria, Mãe da Igreja. Em 1980, a mesma Sé Apostólica concedeu a possibilidade de acrescentar a invocação do título Mãe da Igreja à Ladainha Lauretana. No ano de 1987, por ocasião do Ano Mariano, no pontificado de São João Paulo II, foram publicados formulários de missas votivas sob o título de “Maria, Mãe e Imagem da Igreja”. Outros formulários foram inseridos na Coletânea de Missas da Virgem Santa Maria e, para algumas nações e famílias religiosas, foi concedida a possibilidade de acrescentar esta celebração no seu Calendário particular.

Essa Memória litúrgica evidencia que nós precisamos da ternura materna da Virgem Santa Maria, Mãe da Igreja, Mãe da Família dos filhos de Deus. Evidencia também que, se queremos crescer na santidade e na pertença a Deus e à Igreja, nós precisamos estar, cada vez mais, enraizados em três realidades centrais da nossa fé católica: a Cruz, a Eucaristia e a Virgem Maria. Estas três realidades são três fecundos mistérios que Deus nos concedeu para fecundar, estruturar e alicerçar a nossa vida interior e para nos conduzir ao nosso Redentor.

Maria é a Mãe da Igreja e, por isso, Ela caminha conosco pelas sendas da História, ajudando-nos a servir ao nosso próximo com caridade, testemunhando o alcance da misericórdia divina. Ela intercede e cuida de nós, a fim de que possamos manter a unidade da fé, conservando acesa a chama da esperança. Com a autoridade da Mãe da Igreja, Ela está capacitada para nos guiar até o Sublime Amor de nosso Senhor Jesus Cristo.

Maria, Mãe de Deus e da Igreja, ajudai-nos a permanecer no seio acolhedor da Igreja, o Povo santo de Deus, participando sempre mais das graças advindas dos Sacramentos, testemunhando a beleza do Evangelho e os sinais da devoção mariana. Maria, doce Mãe da Igreja, continuai a interceder do céu por todos nós, seus filhos indignos e necessitados, que não se cansam de suplicar a sua poderosíssima intercessão. Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós!

Aloísio Parreiras