Viver a Eucaristia sem medo

A Eucaristia, o Sublime Sacramento do Altar, atravessa os séculos, acompanha toda a nossa História, desde as primeiras comunidades cristãs, ensinando-nos a depositar toda a nossa confiança em Deus, a quem, de dia e de noite, nas sombras e nas luzes, devemos erguer o olhar e estender as mãos suplicantes.

A Eucaristia é o próprio Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo que aquece o nosso coração com a Sua Presença transformadora, ajudando-nos a manter a certeza de que Deus não se esqueceu de nós. Contemplando os diversos períodos da nossa História, percebemos que o ser humano enfrentou guerras, epidemias, catástrofes, revoluções, mudanças de época e inúmeras crises, mas, em todos esses acontecimentos, nas almas dos cristãos pairava a consciência de que “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus!” (Rm 8,28)

Desde os primeiros séculos, a Igreja sempre enfrentou perseguições e, por ser o próprio Cristo em nosso meio, a Eucaristia também enfrentou heresias, heresiarcas e celeumas. Na defesa da verdade, os Papas e o povo de Deus nunca pouparam esforços para defender a Sagrada Comunhão, a integridade da fé e a unidade da Igreja, cantando em uníssono: queremos que Cristo reine!

As diversas gerações dos cristãos vivenciaram inúmeras dificuldades, noites escuras e tempestades, no exercício da perseverança na fé eucarística. Podemos perceber alguns pontos em comum em todas essas gerações: a certeza de que não podemos passar sem a Eucaristia, que é o Memorial de Deus, e não podemos esquecer a ação salvadora de Cristo em prol da humanidade, pois, ontem, hoje e sempre, Ele deixou-nos um Pão em que Ele está vivo, com todo o sabor do Seu amor e, por isso, em cada Comunhão, podemos afirmar: “É o Senhor! Ele permanece conosco e abrasa o nosso coração, renovando o nosso serviço à Igreja”.

Em anos mais recentes, o Concílio Vaticano II entrelaçou os atos litúrgicos de quem preside a Eucaristia com os de quem participa dela presencialmente, colaborando, de alguma forma, para a nossa participação ativa nas ações litúrgicas. Deste modo, a Igreja passou a ser sempre mais a assembleia reunida, a comunidade dos fiéis, a Casa da Palavra e a Morada de Deus em meio a nós.

Em função da pandemia da Covid-19, muitos cristãos, por medo ou acomodação, sem querer ou mesmo sem perceber, estão fazendo da liturgia eucarística um produto on-line ou televisivo. Conscientizar essas pessoas da necessidade de retornarem à Missa presencial, com os devidos cuidados que a pandemia nos impõe, é o grande desafio pastoral dos nossos dias e, por isso, faço meu o pedido do Papa Francisco: “Irmãos e irmãs, voltem com alegria à Eucaristia, real, não virtual, com o coração purificado, com um renovado maravilhamento, com um desejo acrescido de encontrar o Senhor, de estar com Ele, de O receber para levá-Lo aos irmãos com o testemunho de uma vida plena de fé, amor e esperança. Não podemos viver sem a Palavra do Senhor, sem a participação no sacrifício da Cruz, sem o banquete da Eucaristia, sem a Casa do Senhor, sem o dia do Senhor”.

Precisamos unir nossas forças, dons, talentos e orações nessa empreitada: conscientizar os fiéis cristãos que estão acompanhando a Missa on-line, pela TV ou outro meio de comunicação, que a Eucaristia requer presença, zelo e cuidados. Nessa tarefa, temos que testemunhar que a Hóstia Sagrada cria a comunhão, participação, serviço, entrega, proximidade que nos ajuda a perceber que “quem ama, faz sempre comunidade; nunca fica sozinho”. (Santa Teresa de Jesus).

São Tomás de Aquino nos ensina que “o efeito típico da Eucaristia é a transformação do homem em Cristo”. As gerações que nos precederam combateram o bom combate da fé eucarística e se deixaram transformar pela caridade de nosso Redentor e mesmo não tendo dias fáceis foram fiéis. Esse é o desafio que o Cristo nos faz hoje: anunciar, mesmo sem palavras, que precisamos dobrar os nossos joelhos em oração, presencialmente, diante do Altar Eucarístico, a fim de que possamos superar, em união com Deus, a noite escura dessa pandemia que estamos enfrentando.

Deixemos que Jesus Eucarístico nos transforme sempre mais em ousadas testemunhas da Sua presença em nossa História. Vamos juntos bradar ao mundo que precisamos da Eucaristia, precisamos do Domingo, precisamos da graça divina, pois uma vida sem Eucaristia é uma vida sem graça, sem luz, sem caridade, sem esperança, sem glória, sem liturgia, sem pão, sem sacrifício, sem renúncia, sem êxodo, sem Páscoa, sem ressurreição, sem consolação, sem metanoia, sem conversão, sem fortaleza, sem esperança, enfim, uma vida sem Deus. Vem, Senhor Jesus, aquecei o nosso coração com a chama ardente da Vossa presença e do Vosso amor. Na Eucaristia, fica conosco, Senhor!

 Aloísio Parreiras
(Escritor e membro do Movimento de Emaús)
2021-06-30T16:36:39-03:0030/06/2021|