XII Domingo do Tempo Comum – 21.06.2020

A PALAVRA DO PASTOR

+Dom José Aparecido Gonçalves de Almeida

 

O TEMOR DE DEUS, PRINCIPIO DA SABEDORIA

Neste 12º Domingo do tempo comum, a Igreja coloca nos lábios do sacerdote uma súplica que nos enche de esperança nesse tempo de particular aflição e de medo: “Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no vosso amor”. O temor de Deus, bem diferente do medo que paralisa, é um dom do Espírito Santo que nos orienta para a sabedoria e se harmoniza muito bem com a piedade filial. No amor filial, o respeito e a ternura se abraçam. Quem assim “teme” a Deus, “não tem medo”.

Jeremias vive um combate interior entre a experiência de sentir-se seduzido por Deus (20,7) e a de maldizer o dia em que nasceu (20,14) e, nesse contexto, eleva a Deus uma oração de confiança (20, 10-13). O temor a Deus se transforma em louvor e faz fenecer o medo que a injustiça dos inimigos lhe provoca. Estes sentimentos de confiança também são expressos pelo salmista: “O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem poderia eu temer? O Senhor é o baluarte de minha vida, perante quem tremerei?” (Sl 26, 1-2).

Na segunda leitura, vemos São Paulo ir além da justiça da lei e convida os cristãos de Roma a pôr toda a confiança no Senhor, porque “o dom da graça de Deus concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos” (5, 15). O pecado não se compara com o dom da graça de Deus. A experiência da misericórdia do Senhor comunica paz.

O trecho do evangelho se abre com Jesus conclamando os Apóstolos à coragem profética: “Não tenhais medo dos homens…” (Mt. 10,26). E Jesus repete várias vezes a exortação a não ter medo, garantindo fortaleza àqueles que se entregam ao anúncio do Evangelho: “todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus” (v. 32). No Pai que tudo vê encontramos a fortaleza, a luz, a verdade que salva.

Diante de tantas aflições do tempo presente – as contendas políticas e ideológicas, o terror dessa enfermidade que ceifa tantas vidas – vem espontânea a pergunta: onde está Deus? O discípulo, seduzido pelo amor de Jesus, responde sem titubear: Ele está aqui! Pela ação do Espírito Santo, o Ressuscitado, o Emanuel, permanece conosco. Jesus é o Deus que se faz próximo, que nos acolhe na sua intimidade como discípulos. Nada perturba a quem encontra nesse Deus tão próximo o abraço consolador da misericórdia.

“Aquele que crê – já dizia Bento XVI – não se assusta diante de nada, porque sabe que está nas mãos de Deus, sabe que o mal e o irracional não têm a última palavra, mas o único Senhor do mundo e da vida é Cristo, o Verbo de Deus encarnado, que nos amou até se sacrificar a Si mesmo, morrendo na Cruz para a nossa salvação”.

A Virgem Maria, Mãe da Igreja está sempre com seu Filho, está sempre conosco.

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