XV DOM TEMPO COMUM – 11/07

Dom Paulo Cezar

Arcebispo de Brasília

 

Jesus envia os doze em missão

A Palavra de Deus, no Evangelho deste domingo, coloca diante de nós Jesus, que envia os doze discípulos, dois a dois, para a missão. Poderíamos quase dizer que Jesus está preparando os doze para depois continuarem a sua missão. Jesus percorria os povoados colocando em movimento o Reino de Deus. Os discípulos são aqueles que, após a ressurreição, a ascensão do Senhor e o dom do Espírito Santo, levarão adiante a sua missão.

Eles são enviados dois a dois (Mc 6, 7). Dois ou três era a condição para a validade do testemunho em Israel. Eles deverão, antes de tudo, serem testemunhas daquilo que o Senhor fará através deles. Jesus chamou (proskaléitai) a si os doze e começou a enviá-los dois a dois (Mc 6, 7).  Chama quem tem autoridade, Jesus os havia chamado para estarem com ele (Mc 3, 13). Agora, os chama e os envia. Jesus dá aos discípulos a sua autoridade. No Evangelho de São Marcos, encontra-se um grande número de exorcismos. É a autoridade de Jesus sobre os espíritos impuros. Jesus dá essa mesma autoridade aos discípulos. Eles são continuadores da obra de Jesus.

Devem ir como peregrinos, com simplicidade, pois devem levar um cajado apenas. O cajado é o instrumento de um peregrino. Devem viver da providência, pois não devem levar pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. É a simplicidade que deve fazer parte da vida do discípulo. O grande instrumento que o discípulo deve levar é a Palavra de Deus. Ele foi enviado em nome de Jesus e deve ser a presença de Jesus. O discípulo é a presença de Cristo. Cristo continua a sua presença através dos discípulos, por isso, aqueles que não recebem os discípulos, não recebem o próprio Jesus. Quem não recebe os discípulos e a sua pregação, deve-se sacudir a poeira dos pés contra eles. Essa é uma imagem de juízo, imagem que mostra que rejeitando o discípulo, rejeitaram o próprio Cristo.

O Evangelho mostra que os discípulos cumpriram a missão que Jesus lhes confiou: “Então, os doze partiram e pregaram que todos se convertessem” (Mc 6, 12). Ontem, foram eles, hoje, somos nós que devemos levar adiante a obra da evangelização e da missão. A Igreja existe para evangelizar. A evangelização é o caminho da Igreja. Evangelizar significa reconhecer a própria identidade. São Paulo VI afirma, com toda a força, na Evangelii Nunciandi, n. 26: “Nós queremos afirmar, uma vez mais ainda, que a tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja”. Sem vida nova e espírito evangélico autêntico, sem fidelidade à própria vocação da Igreja, toda e qualquer nova estrutura se corrompe em pouco tempo”. Papa Francisco tem insistido numa Igreja em saída. Uma Igreja “em saída”, quer dizer, uma Igreja missionária. No mandato de Jesus (Mt 28, 19-20), estão presentes os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja. Hoje, todos são chamados a essa nova “saída” da Igreja. A alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos discípulos (Lc 10,17), é uma alegria missionária. A intimidade da Igreja com Jesus é uma intimidade itinerante, e a comunhão reveste essencialmente a forma de uma comunhão missionária.

2021-07-12T11:26:41-03:0012/07/2021|