XVII DOM TEMPO COMUM – 25/07

Dom Paulo Cezar

Arcebispo de Brasília

 

Jesus tomou os pães e deu graças

 

O Evangelho, retirado do capítulo sexto de São João (Jo 6, 1-15), começa com Jesus em Tiberíades: uma grande multidão O segue porque vê os sinais que Ele opera em favor dos doentes. Jesus subiu ao monte e sentou-se com os Seus discípulos. O Evangelista nos apresenta as coordenadas de tempo: “… estava próxima à Páscoa, festa dos judeus”. Levantando os olhos e vendo uma grande multidão que vinha ao Seu encontro, Jesus faz uma provocação a Filipe: “Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?”  Filipe dá uma resposta humana: “nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um”. André, irmão de Simão Pedro, diz: “Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes; mas o que é isso para tanta gente?” Também ele tem uma visão humana, pequena. Jesus tem um olhar maior, mais profundo, um olhar de Deus. Este texto nos alerta para a pequenez das nossas concepções, das nossas iniciativas, da nossa cosmovisão. Deus intervém nas Sagradas Escrituras quando existe a falta de algo ou a impossibilidade humana.

Para os apóstolos, o pouco que o menino tem não basta, mas para Jesus, ao invés, o pouco basta a quem crê na onipotência de Deus e na força do amor. O homem tem sempre pouco nas suas mãos, se colocado em relação com as necessidades do mundo: pouco dinheiro, pouca esperança, pouca coragem, pouca criatividade, poucos meios…, mas bastam quando são fecundados pela potência da fé e do desejo de codividir. Quando nossas atitudes são meramente humanas, correm o risco de se tornarem infrutíferas. Esta realidade nos faz colocar todo o nosso trabalho missionário, todo o pouco que fazemos, e que parece sem significado, diante do Senhor. É Ele quem multiplicará nossos cinco pães e dois peixes numa abundante refeição.  Diante da cegueira dos discípulos, Jesus toma nas mãos aquele pouco que se tem: “… Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes”. Esta multiplicação dos pães alimentou a multidão, mas ela é um sinal que remete à celebração eucarística onde uma comunidade de fé, necessitada de salvação, celebra a Eucaristia, onde o próprio Senhor ressuscitado se dá aos discípulos na caridade perfeita da Eucaristia.

Nesta caridade perfeita da Eucaristia, cada um de nós se encontra com o amor de Deus em Cristo Jesus, “todos somos chamados a dar aos outros o testemunho explícito do amor salvífico do Senhor que, sem olhar as nossas imperfeições, nos oferece a sua proximidade, a sua Palavra, a sua força, e dá sentido à nossa vida”[1]. Não devemos ter medo dos nossos meios, dos nossos poucos recursos ou até do nosso pequeno número. É a presença do Senhor no meio de nós, na caridade perfeita da Eucaristia, que transforma a situação e faz que da nossa pobreza possamos alimentar uma grande multidão.

Este texto nos convida à confiança. É no nosso pouco, colocado à Sua disposição, que Deus realiza a Sua obra. No centro de tudo o que fazemos deve estar sempre a confiança incondicional na Palavra de Jesus. É Ele que, através dos cinco pães e dois peixes, alimenta a grande multidão.

 

[1] PAPA FRANCISCO, Evangelii Gaudium, 121.

2021-07-23T16:11:01-03:0023/07/2021|