XXII Domingo do Tempo Comum – 30.08.2020

A PALAVRA DO PASTOR

+Dom José Aparecido Gonçalves de Almeida

 

 

 

Quem não se lembra daquelas pessoas generosas que gastaram seu tempo fazendo ecoar a palavra de Deus em nossos corações? Como esquecer aquele ou aquela catequista que nos fez descobrir os fundamentos da vida cristã? É a vocação dos catequistas que a Igreja celebra neste último domingo do mês de agosto.

Na primeira leitura (Jr 20,7-9) vemos um paradigma de toda vocação. Deus que nos atrai, seduz e nos compele ao anúncio da Palavra. E às vezes, como aconteceu com Jeremias, o anúncio é acompanhado de sofrimento. No ambiente em que vivem, os catequistas não raro experimentam na própria pele estas queixas de Jeremias: “Tornei-me alvo de irrisão o dia inteiro, todos zombam de mim”.

Mas tudo isso se esquece quando se manifesta a força do chamamento de Deus: “Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir; foste mais forte, tiveste mais poder” (Jr 20,7). Quem experimentou alguma vez o serviço da catequese, sabe como o fogo do amor de Deus nos impele (cf. Jr 20,9).

O Apóstolo (Rm 12,1-2) vai além da lamentação. Ele convida os cristãos de Roma a ver a própria vida como um sacerdócio em que o oferente é inseparável da oblação: “Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o vosso culto espiritual” (Rm 12, 1). E diante da oposição do espírito mundano ele vê na cruz, não um castigo, mas a ocasião para distinguir a vontade de Deus: “Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito” (v. 2).

O episódio evangélico apresentado por Mateus se deu em Cesaréia de Filipe, logo após a confissão de Pedro e a entrega que Jesus lhe faz das chaves do reino. Ao começar a anunciar que o Messias devia sofrer e morrer para depois ressuscitar, Jesus se defronta com a amorosa mas insensata reação de Pedro: “Deus não permita tal coisa, Senhor”. Jesus reage duramente. Ninguém, nem mesmo o primeiro dos Apóstolos, pode separar a sua missão salvadora do caminho da Cruz. Pedro que tinha sido iluminado por Deus para confessar a fé em Cristo, agora se deixa seduzir pelo pensamento mundano, do príncipe deste mundo. E Jesus, repelindo-o como a Satanás, diz que Pedro aqui não pensa como Deus mas como os homens.

Jesus não admite que a sua missão redentora seja separada da Cruz. Mais ainda, convida os discípulos a abraçá-la: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,4). E proclama a cruz como passagem obrigatória no caminho para a Vida.

Nesse contexto se pode acolher o presente dado pela Igreja aos que se deixam seduzir pela belíssima missão de catequista. O Santo Padre mandou preparar para nós o novo Diretório para a Catequese, como instrumento para que os catequistas vivam a verdadeira “alegria do Evangelho”.

2020-08-28T16:47:33-03:0028/08/2020|