Estamos contemplando o mistério da Sagrada Família: Jesus, Maria e José. Contemplar a Sagrada Família implica olhar a família no plano de Deus, pois também o Filho de Deus, quando entrou na nossa história, se tornando um de nós, nasceu e cresceu no seio de uma família. Deus, no seu projeto criador, colocou a família no centro, criou o homem e a mulher e os vocacionou à vida a dois: “Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne” (Gn 2, 24). É a beleza da família no projeto criador e salvador de Deus. Papa Francisco (Amoris Laetitia, 65-66) descreve, com beleza, a família de Jesus e sua exemplaridade para as famílias hoje: “A encarnação do Verbo numa família humana, em Nazaré, comove com a sua novidade a história do mundo. Precisamos de mergulhar no mistério do nascimento de Jesus, no sim de Maria ao anúncio do anjo, quando foi concebida a Palavra no seu seio; e ainda no sim de José, que deu o nome a Jesus e cuidou de Maria; na festa dos pastores no presépio; na adoração dos Magos; na fuga para o Egito, em que Jesus participou no sofrimento do seu povo exilado, perseguido e humilhado; na devota espera de Zacarias e na alegria que acompanhou o nascimento de João Baptista; na promessa que Simeão e Ana viram cumprida no templo; na admiração dos doutores da lei ao escutarem a sabedoria de Jesus adolescente. E, em seguida, penetrar nos trinta longos anos em que Jesus ganhava o pão trabalhando com suas mãos, sussurrando a oração e a tradição crente do seu povo e formando-Se na fé dos seus pais, até fazê-la frutificar no mistério do Reino. Este é o mistério do Natal e o segredo de Nazaré, cheio de perfume da família! É o mistério que tanto fascinou Francisco de Assis, Teresa do Menino Jesus e Charles de Foucauld, e do qual bebem também as famílias cristãs para renovar a sua esperança e alegria.
“‘A aliança de amor e fidelidade, vivida pela Sagrada Família de Nazaré, ilumina o princípio que dá forma a cada família e a torna capaz de enfrentar melhor as vicissitudes da vida e da história. Sobre este fundamento, cada família, mesmo na sua fragilidade, pode tornar-se uma luz na escuridão do mundo. ‘Aqui se aprende (…) uma lição de vida familiar. Que Nazaré nos ensine o que é a família, a sua comunhão de amor, a sua austera e simples beleza, o seu carácter sagrado e inviolável; aprendamos de Nazaré como é preciosa e insubstituível a educação familiar e como é fundamental e incomparável a sua função no plano social (Paulo VI, Alocução em Nazaré, 5 de janeiro de 1964)’ (Relatio Finalis 2015, 38)”.
Que contemplar a família de Nazaré ajude as nossas famílias a perceber e a viver a beleza do amor e da fidelidade, da doação e do dom dos filhos e, também, os desafios e problemas numa dimensão de fé. Cada família deve ver-se no plano do amor de Deus que toca a história de um homem e uma mulher construindo uma aliança de amor, de fidelidade e de vida, tornando este amor fecundo no dom dos filhos.
Cardeal Paulo Cezar Costa
Arcebispo de Brasília