Adoradores do Mistério de Cristo

Epifania do Senhor, Solenidade

Celebrar a Epifania é estar diante do mistério do recém-nascido de Belém. É o momento para que nos encontremos com a mesma atitude daqueles sábios do Oriente, que peregrinam até Jerusalém à procura do recém-nascido, o Rei dos judeus, que acaba de nascer (Mt 2, 2).  

«Sábios que reconhecem a presença de Deus num Menino simples: não num príncipe ou num nobre, mas num filho de gente pobre, e prostram-se diante dEle, adorando-O. A estrela conduziu-os até ali, diante de um Menino; e eles, com os seus olhos pequenos e inocentes, captam a luz do Criador do universo, a cuja busca dedicaram a sua existência. É a experiência decisiva para eles e importante também para nós: no Menino Jesus, vemos Deus feito homem. Por isso, olhemos para Ele, admiremos a Sua humildade. Contemplar Jesus, estar diante dEle, adorá-Lo na Eucaristia: não é perder tempo, mas é dar sentido ao tempo. Adorar não é perder tempo, mas dar sentido ao tempo. Isto é importante, repito: adorar não é perder tempo, mas dar sentido ao tempo. É encontrar o rumo da vida na simplicidade de um silêncio que alimenta o coração» (Papa Francisco, Angelus de 6 de janeiro de 2024). 

Quem se torna adorador, contemplador do mistério de Cristo, torna-se anunciador, testemunha do mistério. São João Paulo II, na sua carta apostólica No início do novo Milênio, pergunta: «E não é porventura a missão da Igreja refletir a luz de Cristo em cada época da história, e, por conseguinte, fazer resplandecer o Seu rosto também diante das gerações do novo milênio?  Mas o nosso testemunho seria excessivamente pobre se não fôssemos primeiros contemplativos do seu rosto …». Ser contempladores, adoradores do mistério de Cristo. É daí que vem a fonte para a vida espiritual fecunda e para a missão. O discípulo missionário se forma numa vida espiritual fecunda de encontro com o Senhor por meio da Palavra, da Eucaristia, da oração, da adoração, da experiência do encontro com Ele, o sofredor que está no pobre, no necessitado.  Por isso, um dos eixos do nosso Plano Pastoral Arquidiocesano é a mistagogia, ou seja, é a contemplação que faz nascer a caridade e a missão.

Papa Bento XVI comenta: «Depois de pairar sobre o lugar onde estava o Menino (Mt 2, 9), a estrela que guiou os Magos concluiu a sua função, mas a sua luz espiritual está sempre presente na palavra do Evangelho, que também hoje é capaz de guiar todos os homens até Jesus. Essa mesma palavra, que não é senão o reflexo de Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, é ressoada competentemente pela Igreja em cada alma bem-disposta. Por conseguinte, a Igreja também desempenha a missão da estrela em prol da humanidade. Mas algo semelhante pode-se dizer de cada cristão, que é chamado a iluminar, com a palavra e o testemunho da vida, os passos dos irmãos. Como é importante então que nós, cristãos, sejamos fiéis à nossa vocação! Todo o crente autêntico está sempre a caminho no próprio e pessoal itinerário de fé e, ao mesmo tempo, com a pequena luz que traz dentro de si, pode e deve servir de ajuda para quem se encontra ao seu lado que, talvez, sente dificuldade de encontrar a estrada que conduz a Cristo”. (Bento VI, Angelus de 6 de janeiro de 2008).

Cardeal Paulo Cezar Costa
Arcebispo de Brasília