Este domingo João Batista revela-nos a missão do Senhor: Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Jesus vem a João para ser batizado no Jordão. Aquele que não tinha pecado se faz solidário com os pecadores, com aqueles que estavam longe de Deus. João Batista nos narra a experiência desse fato usando verbos fortes: Eu vi o Espírito descer, Eu vi e dou testemunho. Entremos no testemunho de João Batista, ajudados pela didática explicação de Papa Francisco:
“Este segundo domingo do Tempo Comum está em continuidade com a Epifania e com a Festa do Batismo de Jesus. O trecho do Evangelho (cf. Jo 1, 29-34) ainda nos fala da manifestação de Jesus. De fato, depois de ter sido batizado no rio Jordão, foi consagrado pelo Espírito Santo que pousou sobre Ele e foi proclamado Filho de Deus pela voz do Pai Celeste (cf. Mt 3, 16-17 e par.). O Evangelista João, ao contrário dos outros três, não descreve o evento, mas propõe o testemunho de João Batista. Ele foi a primeira testemunha de Cristo. Deus chamou-o e preparou-o para isso.
“O Batista não pode reter o desejo urgente de dar testemunho de Jesus e declara: ‘eu vi e dou testemunho’ (v. 34). João viu algo perturbador, isto é, o amado Filho de Deus solidário com os pecadores; e o Espírito Santo fez-lhe compreender a novidade inaudita, uma verdadeira inversão. Na verdade, enquanto em todas as religiões é o homem que oferece e sacrifica algo a Deus, no evento Jesus é Deus que oferece o seu Filho para a salvação da humanidade. João manifesta a sua admiração e o seu consentimento a essa novidade que Jesus trouxe, através de uma expressão significativa que repetimos em todas as missas: ‘Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!’ (v. 29).
“O testemunho de João Batista convida-nos a recomeçar sempre de novo o nosso caminho de fé: recomeçar de Jesus Cristo, o Cordeiro cheio de misericórdia que o Pai nos deu. Surpreendamo-nos mais uma vez com a escolha de Deus de estar do nosso lado, de mostrar solidariedade para conosco, pecadores, e de salvar o mundo do mal, assumindo-o totalmente sobre si.
“Aprendamos de João Batista a não presumir que já conhecemos Jesus, que já sabemos tudo sobre Ele (cf. v. 31). Não é assim. Paremos no Evangelho, talvez até contemplando um ícone de Cristo, uma ‘Sagrada Face’. Contemplemos com os olhos e ainda mais com o coração; e deixemo-nos instruir pelo Espírito Santo, que interiormente nos diz: É Ele! Ele é o Filho de Deus feito cordeiro, sacrificado por amor. Ele, só Ele trouxe, só Ele sofreu, expiou o pecado, o pecado de cada um de nós, o pecado do mundo, e também os meus pecados. Todos. Assumiu-os todos sobre si e libertou-nos deles para que finalmente fôssemos livres, já não escravos do mal. Sim, somos ainda pobres pecadores, mas não escravos, não, não escravos: filhos, filhos de Deus!” (Papa Francisco, Angelus de 19 de Janeiro de 2020)
Nosso Plano Pastoral nos exorta a sermos uma Igreja mistagógica. A mistagogia implica fazer isso que Papa Francisco nos exortou: contemplar a face de Cristo, deixar-se interpelar por Ele, sentir o seu amor nos libertando dos nossos pecados.
Cardeal Paulo Cezar Costa
Arcebispo Metropolitano de Brasília