Embaixador Everton Vieira destaca os 200 anos de relações entre o Brasil e a Santa Sé

Em 2026, o Brasil e a Santa Sé celebram o bicentenário do estabelecimento das relações diplomáticas, iniciadas oficialmente em 23 de janeiro de 1826.

Naquele dia, o Papa Leão XII recebeu as cartas credenciais de monsenhor Francisco Corrêa Vidigal, enviado a Roma pelo imperador Dom Pedro I, no contexto do reconhecimento internacional da independência brasileira, proclamada em 1822.

Para marcar a data, a Embaixada do Brasil junto à Santa Sé promoverá, ao longo do ano, uma série de eventos culturais, religiosos e acadêmicos, tanto em Roma quanto no Brasil. Em entrevista a Silvonei José, o embaixador brasileiro junto à Santa Sé, Everton Vieira Vargas, ressaltou a relevância histórica, religiosa e cultural dessa relação bicentenária.

Segundo o diplomata, o aniversário de 200 anos representa um marco singular na política externa brasileira. “É uma relação que tem dimensão religiosa, política, social e de identidade. A Igreja Católica teve um papel decisivo na formação do Brasil, e isso explica a profundidade desse vínculo”, afirmou. O embaixador recordou ainda que a Santa Sé é o quarto país com a relação diplomática mais antiga com o Brasil, precedida apenas por Portugal, Espanha e França.

Ao refletir sobre essa trajetória, Everton Vieira destacou que a história do Brasil se desenvolveu em estreita ligação com a Igreja. Ele lembrou que o país “nasceu sob o símbolo da cruz”, com a celebração da primeira Missa poucos dias após a chegada dos portugueses, um episódio que marcou profundamente o imaginário nacional e segue presente na formação cultural dos brasileiros. Ao longo dos séculos, essa presença se manifestou não apenas na evangelização, mas também na educação, na produção intelectual e na reflexão sobre a sociedade brasileira.

Nesse contexto, o embaixador citou a figura do Padre Antônio Vieira, que será tema de seminários previstos para as celebrações do bicentenário. Além de religioso, Vieira atuou como diplomata e pensador, contribuindo para a defesa da integridade territorial do Brasil e para a reflexão sobre a inserção do país no mundo.

Sobre o momento atual, Everton Vieira afirmou que as relações entre o Brasil e a Santa Sé são “excelentes” e marcadas por convergências em temas como a promoção da paz, o multilateralismo e a busca por um mundo mais justo. Ele destacou a sintonia em questões ambientais, lembrando a participação da Santa Sé na COP 30, em Belém, e a relevância da Doutrina Social da Igreja expressa na encíclica Laudato si’ e na exortação apostólica Laudate Deum.

As celebrações do bicentenário terão início em Roma no dia 23 de janeiro de 2026, com uma Missa na Basílica de Santa Maria Maior, presidida pelo Cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, e concelebrada por Bispos e Cardeais brasileiros. A celebração contará com a participação da Camerata Antíqua de Curitiba, que interpretará obras do Padre José Maurício Nunes Garcia. Ainda em janeiro, no dia 20, será realizado um seminário na Pontifícia Universidade Gregoriana, dedicado à história do reconhecimento da independência do Brasil pela Santa Sé.

Entre os destaques culturais, está prevista para abril ou maio uma exposição inédita de obras do Aleijadinho nos Museus do Vaticano. Será a primeira vez que trabalhos do mestre do barroco brasileiro serão apresentados fora do país, em um dos museus mais visitados do mundo, oferecendo ao público internacional contato direto com esse patrimônio artístico.

No Brasil, as comemorações incluirão uma sessão na Câmara dos Deputados, uma sessão solene no Supremo Tribunal Federal e, no dia 23 de janeiro, a iluminação especial do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Para o embaixador, as iniciativas pretendem envolver toda a sociedade brasileira. “É uma data que diz respeito ao Brasil inteiro, independentemente de credo, porque faz parte da nossa história e da nossa identidade nacional”, concluiu.

Confira a entrevista na íntegra, no áudio abaixo:

Com foto, áudio e informações do Vatican News.