“O futuro pertence aos construtores da paz”: Papa visita Monumento dos Mártires em Argel

Em sua chegada à Argel, o Papa Leão XIV iniciou sua agenda oficial com uma visita ao emblemático Monumento dos Mártires (Maqam Echahid), onde prestou homenagem às vítimas da luta pela independência do país. Em seu primeiro discurso, o Pontífice se apresentou com simplicidade: “Venho como um irmão”.

Ao desembarcar no Aeroporto Internacional Houari Boumédiène, o Papa foi recebido pelo Núncio Apostólico, Dom Javier Herrera Corona, e pelo presidente Abdelmadjid Tebboune, em uma cerimônia oficial marcada por honras militares. Após um breve encontro no Salão de Honra, seguiu por cerca de 18 quilômetros até o memorial, símbolo da história e da resistência do povo argelino.

No local, inaugurado em 1982 e com mais de 90 metros de altura, o Papa participou de um momento solene com deposição de flores, execução do hino e silêncio em memória dos que deram a vida pela liberdade da nação. Em seguida, dirigiu-se à multidão reunida, saudando em árabe: “As-salamu alaykom” (A paz esteja convosco).

Em sua mensagem, Papa Leão XIV destacou a hospitalidade, a solidariedade e o espírito fraterno do povo argelino, valores que, segundo ele, sustentam a convivência e fortalecem a sociedade. Recordou também a longa história do país, marcada por grandeza cultural e períodos de sofrimento, superados com dignidade e força.

Diante do significado do local, o Pontífice ressaltou que a verdadeira libertação não se completa apenas com a independência política, mas exige a conquista da paz interior. Ele reconheceu a dificuldade do perdão, especialmente em um mundo marcado por conflitos, mas alertou para o risco de perpetuar o ressentimento entre gerações.

“O futuro pertence aos homens e às mulheres de paz”, afirmou, acrescentando que a justiça sempre prevalecerá sobre a injustiça e que a violência jamais terá a última palavra.

O Papa também destacou a fé em Deus como um dos pilares do povo argelino, ressaltando que uma sociedade que cultiva a espiritualidade e a busca pela justiça possui uma riqueza profunda e essencial. Segundo ele, o mundo necessita de pessoas comprometidas com a unidade, a solidariedade e a paz.

Ao concluir, recordou o testemunho dos mártires homenageados no monumento, que entregaram a vida por amor ao seu povo, e deixou uma mensagem de esperança: a verdadeira liberdade é uma escolha cotidiana. Encerrando sua fala, citou as Bem-aventuranças do Evangelho, convidando todos a trilhar o caminho da justiça, da misericórdia e da paz.

Com foto e informações do Vatican News.