Papa Leão XIV pede que Nápoles seja “canteiro de paz” e não apenas cartão-postal

Em encontro com representantes da sociedade civil na Praça do Plebiscito, o Pontífice destacou os desafios sociais enfrentados por Nápoles e incentivou a população, especialmente os jovens, a construir uma cultura de paz, justiça e esperança.

O Papa Leão XIV encerrou, nesta sexta-feira (8), sua Visita Pastoral à região da Campania com um encontro na Praça do Plebiscito, em Nápoles, onde reuniu cerca de 50 mil pessoas entre representantes da sociedade civil, fiéis e autoridades locais. Em seu discurso, o Santo Padre fez um forte apelo para que a cidade vá além de sua beleza histórica e turística, tornando-se um verdadeiro “canteiro de obras” para a construção da paz.

Inspirando-se no episódio evangélico dos discípulos de Emaús, o Pontífice refletiu sobre as feridas e os desafios enfrentados pela capital napolitana, marcada por contrastes sociais profundos. Embora seja reconhecida mundialmente por sua beleza natural, sua cultura e sua história, Nápoles ainda convive com desigualdade, desemprego, violência e exclusão social.

Papa Leão XIV destacou que o crescimento do turismo na cidade não tem sido acompanhado por um desenvolvimento econômico capaz de beneficiar toda a população. Segundo o Santo Padre, a desigualdade já não separa apenas centro e periferia, mas está presente dentro dos próprios bairros, criando “periferias existenciais” até mesmo no coração da cidade.

O Papa citou problemas como a disparidade de renda, a falta de oportunidades de trabalho, a evasão escolar e a presença da criminalidade organizada. Diante desse cenário, reforçou a importância da presença do Estado para garantir segurança, dignidade e perspectivas de futuro para os cidadãos.

Apesar das dificuldades, o Pontífice ressaltou a existência de muitos homens e mulheres que trabalham diariamente pelo bem comum, chamados por ele de “heróis sociais”. Também destacou o papel da Igreja e das diversas iniciativas solidárias que atuam em favor dos mais vulneráveis. “Não deixem que essa rede que os une se rompa, não deixem que essa luz que vocês começaram a acender na escuridão se apague”, exortou o Santo Padre.

O Santo Padre afirmou ainda que Nápoles não pode permanecer apenas como um belo destino turístico. “Nápoles não deve permanecer um simples ‘cartão-postal’ para os visitantes, mas deve tornar-se um canteiro de obras aberto, onde se constrói uma paz concreta, visível na vida cotidiana das pessoas”, declarou.

O Papa explicou que a paz nasce no coração humano e se concretiza nas relações, nos bairros e nas escolhas diárias de justiça, solidariedade e acolhimento. Por isso, incentivou a promoção de uma cultura alternativa à violência, baseada na educação, na fraternidade e no compromisso social.

Dirigindo-se especialmente aos jovens, o Pontífice destacou que eles devem ser protagonistas da transformação da sociedade. “Nápoles precisa dessa energia transformadora do bem, da coragem evangélica que nos torna capazes de renovar tudo”, afirmou.

Ao final do encontro, o Papa Leão XIV agradeceu a acolhida recebida e confiou a cidade à proteção de Nossa Senhora e de São Januário, Padroeiro de Nápoles. Em tom descontraído, também agradeceu aos músicos, aos doentes que acompanharam o evento e saudou os presentes com entusiasmo: “Viva Nápoles!”.

Após o encontro, o Papa percorreu parte da cidade no papamóvel antes de seguir para o helicóptero que o levou de volta ao Vaticano, concluindo mais uma intensa jornada pastoral marcada pelo apelo à paz, à justiça social e à esperança.

Com foto e informações do Vatican News.