Nas regiões mais altas e isoladas do norte da Argentina, a missão da Igreja ganha rosto de proximidade, escuta e presença. Em meio às paisagens áridas e às duras condições climáticas da província de Jujuy, as Missionárias Diocesanas de Maria Mãe da Igreja vivem ao lado das comunidades indígenas Colla, partilhando a vida, a cultura e a fé com os povos andinos.
A atuação missionária acontece na região conhecida como puna, palavra de origem quéchua que significa “terra alta”, localizada entre 3.500 e 5.800 metros acima do nível do mar. O território é marcado por temperaturas extremas, ventos fortes, longas distâncias e pequenas aldeias espalhadas pelas montanhas.
Mesmo diante das dificuldades, os moradores mantêm viva uma forte ligação com a terra, os costumes ancestrais e a vida comunitária. A criação de animais, o trabalho nos campos e as tradições transmitidas entre gerações fazem parte da identidade do povo Colla.
Sergio, morador da comunidade de Lagunillas del Farallón e animador da comunidade católica local, afirma que deseja continuar vivendo na região, preservando os ensinamentos recebidos de seus antepassados. Segundo ele, a vida simples do campo ensina valores importantes que precisam ser transmitidos às novas gerações, apesar dos desafios enfrentados diariamente.
A identidade indígena Colla, hoje reconhecida pela Constituição argentina, também foi construída em meio a processos de resistência e superação. Durante muitos anos, os povos originários sofreram discriminação por causa de sua cultura, espiritualidade e modo de vida. Atualmente, muitas comunidades buscam valorizar ainda mais suas raízes e tradições.
É nesse contexto que as Missionárias Diocesanas desenvolvem sua missão desde 2012, após serem enviadas para atuar na Prelazia de Humahuaca. A presença das religiosas nasceu do desejo de construir uma Igreja cada vez mais missionária, próxima do povo e aberta às diferentes realidades culturais.
Segundo a irmã Andrea Landetcheverry, que participou da fundação da missão e atualmente integra a comunidade religiosa local, a experiência exigiu um profundo processo de aprendizagem e escuta. Ela destaca que as missionárias encontraram uma realidade cultural completamente diferente, marcada por outra compreensão do tempo, da terra e da própria vida.
Atualmente, as religiosas acompanham pastoralmente duas paróquias rurais formadas por cerca de 50 aldeias que não possuem sacerdote fixo. Em parceria com lideranças leigas e com a Igreja local, elas promovem celebrações, encontros comunitários e ações de evangelização, fortalecendo a caminhada de fé das comunidades.
Mais do que desenvolver atividades pastorais, as missionárias procuram testemunhar uma presença fraterna e próxima, marcada pelo cuidado, pela escuta e pelo fortalecimento da vida comunitária. A missão feminina, segundo as religiosas, tornou-se um sinal concreto de uma Igreja em saída, que caminha junto ao povo e valoriza suas culturas e tradições.
Nas alturas andinas, onde a vida exige resistência e solidariedade, a presença da Igreja continua sendo um sinal de esperança e comunhão para as populações indígenas que mantêm viva sua fé em meio às adversidades.
Com foto e informações do Vatican News.