Comunicadores refletem sobre inteligência artificial e missão da comunicação em encontro na Cúria Metropolitana de Brasília

Evento promovido pela Arquidiocese de Brasília destacou a mensagem do Papa Leão XIV e reforçou a centralidade da dignidade humana diante dos avanços tecnológicos.

Na manhã desta quinta-feira (14/05), comunicadores da Arquidiocese de Brasília participaram de um encontro de formação e reflexão no auditório Cardeal José Freire Falcão, na Cúria Metropolitana de Brasília. A iniciativa foi promovida pelo Setor de Comunicação da Arquidiocese de Brasília e reuniu agentes da Pascom, jornalistas e profissionais da comunicação para um momento de convivência e aprofundamento sobre os desafios da comunicação na era digital.

O encontro foi apresentado pelo Padre Roger Araújo, coordenador do Setor de Comunicação da Arquidiocese de Brasília, que destacou a importância da proximidade e do diálogo entre os comunicadores da Igreja.

“Tivemos a ideia de promover esse encontro para que podermos nos encontrar pessoalmente, termos um momento de convivência. Além disso, é importante este momento para refletirmos juntos sobre a mensagem do Papa e pensarmos  em como aplicar no dia a dia o que ele nos orienta a fazer”, afirmou o sacerdote.

A reflexão principal do encontro foi conduzida por Dom Ricardo Hoepers, Bispo auxiliar da Arquidiocese de Brasília e Secretário-Geral da CNBB, que apresentou aos participantes pontos centrais da mensagem do Papa Leão XIV para o mundo da comunicação, especialmente diante do crescimento da inteligência artificial e das novas tecnologias.

Durante a fala, Dom Ricardo ressaltou que a tecnologia deve servir ao ser humano e não o contrário. “Os instrumentos tecnológicos estão aí para nos ajudar, não para nos substituir”, destacou. O Bispo alertou ainda para o risco de as pessoas se tornarem reféns da tecnologia e perderem aquilo que é essencialmente humano. Segundo ele, o ser humano precisa permanecer como protagonista da comunicação, valorizando a própria identidade, história e missão. “O ser humano deve ser o protagonista, ele que é imagem e semelhança de Deus. Nós temos rostos, vozes e histórias que devem ser valorizadas e não podem ser descartadas ou substituídas”, afirmou.

Ao refletir sobre o uso da inteligência artificial, Dom Ricardo reforçou que a Igreja reconhece o valor das novas ferramentas tecnológicas, mas defende que elas sejam utilizadas com discernimento, responsabilidade e ética. “Utilizar a inteligência artificial no fazer, mas com discernimento e responsabilidade. É preciso discernir sobre essa oportunidade tecnológica que nos é oferecida, mas jamais nos escondermos atrás dessa tecnologia”, explicou.

Dom Ricardo também enfatizou a necessidade de “humanizar” os processos tecnológicos, para que a comunicação não se torne fria e distante das relações pessoais. “É preciso humanizar essas ferramentas para não perder o sentimento e deixar que seja algo frio, sem emoção”, pontuou.

Outro tema abordado foi o impacto da tecnologia nas relações humanas. Dom Ricardo chamou atenção para o perigo do isolamento e da substituição dos encontros pessoais por interações artificiais.

“No mundo em que vivemos, marcado pela solidão e individualidade, as pessoas começam a preferir ter relação com a inteligência artificial ao estar em relações humanas. Isso é realmente um grande perigo”, alertou.

O Bispo recordou ainda que a essência da Igreja está justamente no encontro entre as pessoas, na convivência comunitária e na promoção da fraternidade. “A comunidade mantém a celebração, as relações humanas e as amizades. Por isso é tão bonito na Igreja Católica essa iniciativa de sempre priorizar e promover o real encontro entre as pessoas”, disse.

Dirigindo-se aos profissionais da comunicação, Dom Ricardo destacou a responsabilidade dos comunicadores diante da disseminação de informações falsas e da desinformação. “Vocês têm uma missão que vem de Deus, da verdade e da lucidez. De combater a desinformação e ajudar as pessoas a viverem na verdade”, afirmou.

O Bispo incentivou os comunicadores católicos a serem instrumentos de credibilidade e compromisso com a verdade. “Sejam homens e mulheres que buscam a informação com verdade, sejam credíveis. Isso fará uma grande diferença no trabalho de vocês”, completou.

Ao concluir a reflexão, Dom Ricardo recordou os três pilares apontados pelo Papa Leão XIV para a comunicação nos tempos atuais: responsabilidade, cooperação e educação. Segundo ele, o retorno à centralidade do ser humano e da dignidade da pessoa deve ser prioridade em toda prática comunicacional. “A Igreja é a favor das tecnologias e da inteligência artificial, mas como ferramentas para serem utilizadas e não como domínio sobre o ser humano”, concluiu.