Celebramos neste domingo a solenidade da Ascensão do Senhor. Jesus ressuscitado passou quarenta dias com os Seus discípulos e foi ao Pai, mas permanece conosco de uma forma nova: «Eis que eu estarei convosco todos os dias até ao fim do mundo» (Mt 28, 20). É a presença constante do Ressuscitado assistindo os Seus, animando a Sua Igreja. As leituras deste domingo falam do mistério da ascensão (At 1, 1-11; Ef 1, 17-23; Mt 28, 16-20). Na primeira leitura, os apóstolos experimentaram o Ressuscitado que Se apresenta vivo, depois de sua paixão, com numerosas provas. Os apóstolos têm a consciência de que o tempo da presença física do Senhor no meio deles acabou. Inicia-se um tempo novo em que a Igreja, movida pela força do Ressuscitado e assistida pelo Espírito, deverá anunciar o Senhor e testemunhá-Lo até a Sua volta.
O Evangelho narra uma aparição de Jesus aos discípulos, na qual os onze vão para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha indicado. A Galileia é o lugar onde tudo havia começado. Quando veem Jesus, prostram-se diante dEle. Prostrar quer dizer reconhecer a Sua divindade, reconhecer que Ele é Deus. Ainda assim alguns duvidaram. A dúvida manifesta sempre a incapacidade de acreditar na grandeza da obra de Deus, neste caso, de acreditar na ressurreição de Cristo. Jesus Se manifesta como o Kurios, Aquele que recebeu autoridade sobre tudo no céu e na terra e mostra que o Ressuscitado é Senhor de tudo, a Sua autoridade é universal. O poder de Jesus repercute sobre os discípulos, que se fazem participantes da vitória de Jesus. Recebem o poder e a missão de Jesus: «…ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a observar tudo que vos ordenei» (Mt 28, 19). Jesus anunciou o Reino de Deus. Agora, os discípulos devem anunciar Jesus, devendo tornar as pessoas discípulas de Jesus. Neste «ide» para os discípulos, estão todas as gerações que devem anunciar Jesus Cristo, que devem se comprometer com o testemunho, o anúncio.
Ontem eles, hoje nós. Os discípulos devem batizar em nome da Trindade. Aqueles que creem na pregação e se tornam discípulos de Jesus são chamados a ensinar a observar tudo o que Jesus ordenou. Aqueles que creem em Jesus devem viver da Palavra de Jesus, viver do Evangelho de Jesus para, então, tornarem-se, por meio da fé, participantes da vitória de Jesus. A ressurreição, mesmo conservando uma continuidade com o Jesus terreno, sublinha uma nova etapa que se inicia para Jesus e com Ele. Assim também deve ser para os apóstolos e discípulos. A nova etapa que se abre é assinalada não somente com o poder de Jesus pela missão dos apóstolos e dos novos discípulos, mas também pela presença de Jesus.
O Evangelho termina com a promessa de que Jesus estará com os Seus discípulos todos os dias até o fim do mundo. Os discípulos de Jesus não caminham sozinhos na história, pois Jesus caminha com eles. A presença do Senhor garante que a missão não falhará, pois a Sua presença viva sustenta e anima os discípulos de Jesus.
Cardeal Paulo Cezar Costa
Arcebispo Metropolitano de Brasília