Comissão Episcopal para a Juventude apresenta pesquisa nacional sobre evangelização juvenil no Brasil

Levantamento revela desafios emocionais, relação com a fé e protagonismo dos jovens na Igreja.

Durante a reunião do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na terça-feira (16), a Comissão Episcopal para a Juventude apresentou aos bispos os resultados da pesquisa nacional “Evangelização da Juventude no Brasil – 2025”, um amplo levantamento que busca compreender a realidade dos jovens católicos no país.

A apresentação foi conduzida pelo presidente da Comissão, Dom Vilsom Basso, e pela coordenadora do Observatório Juventudes da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Patrícia Espíndola Teixeira, responsável pelo grupo de pesquisa. O estudo resultou em um relatório de 140 páginas e, segundo Dom Vilsom, terá 20 mil exemplares impressos até setembro para distribuição em toda a Igreja no Brasil.

A pesquisa ouviu 11.498 jovens de todas as regiões do país, entre abril e junho de 2025, ligados ao universo religioso. Do total de participantes, 55,6% são mulheres e 44,4% homens. A maior parte dos entrevistados (64,8%) está na faixa etária entre 18 e 24 anos; 32,5% têm entre 25 e 29 anos; e 2,7% são adolescentes de 12 a 17 anos.

Entre os aspectos analisados, a pesquisa destacou indicadores de sofrimento emocional entre a juventude. Metade dos entrevistados afirmou não se sentir plenamente bem. Além disso, 37,6% relataram dificuldades de concentração, frequentemente associadas ao uso excessivo de telas, ansiedade e privação de sono. Já 36,7% disseram sentir insegurança na maior parte do tempo, fator que impacta diretamente a autoestima, a tomada de decisões e até a abertura à experiência da fé.

Em contrapartida, o estudo aponta a religião como um importante fator de fortalecimento emocional. 64% dos jovens afirmaram que a espiritualidade os ajuda a enfrentar os desafios cotidianos, enquanto 55,8% reconheceram a importância da presença pastoral em suas vidas. Outros 43,4% manifestaram esperança em relação ao futuro, apesar das dificuldades enfrentadas.

A pesquisa também aprofundou questões relacionadas à pertença e prática religiosa, uso das redes sociais, engajamento social e percepção da Igreja. Entre os entrevistados, 98% se declararam católicos, e 61% afirmaram que chegaram à Igreja por meio da vivência de fé de pais e avós. Além disso, 93% já receberam os sacramentos da iniciação à vida cristã.

Um dado significativo é que religião e espiritualidade aparecem como os temas mais buscados por esses jovens na internet, superando áreas como entretenimento, educação e política. Quanto ao ambiente digital, 43,3% afirmaram utilizar redes sociais, aplicativos de mensagens, fóruns e sites de relacionamento como principais meios de interação. As redes sociais, como Instagram, TikTok, X e Facebook, representam 26,4% desse uso, enquanto aplicativos de mensagens, como WhatsApp, somam 16,2%.

O levantamento mostra ainda que a Igreja ocupa o posto de terceira maior fonte de informação para 13,5% dos jovens, superando inclusive influenciadores digitais e youtubers, que representam 12,4% da preferência.

A pesquisa investigou também outros temas importantes, como o protagonismo juvenil nos ambientes eclesiais, percepção sobre a Igreja Católica, fatores que aproximam ou afastam os jovens da vivência comunitária, além de vocação e projeto de vida.

Ao final da apresentação, o presidente da CNBB, Cardeal Jaime Spengler, destacou a importância de aprofundar a reflexão sobre os dados levantados para fortalecer a evangelização da juventude no Brasil.

Na parte da tarde, os bispos do Conselho Permanente também acompanharam a avaliação da 62ª Assembleia Geral da CNBB, conduzida por Dom Gilson Andrade da Silva, além de participarem de uma reunião reservada.

Com foto e informações da CNBB.