O Santuário São João Bosco recebeu, na noite desta quarta-feira (8), a Aula Magna ministrada por Monsenhor Marcos Pavan, Maestro Diretor da Cappella Musicale Pontificia Sistina. Na abertura do evento, o Arcebispo de Brasília, Cardeal Paulo Cezar Costa, destacou a alegria em receber o Coro do Vaticano e a valorização da Arte e da Cultura em Brasília com a presença dos músicos italianos.
“Ao longo da história, a Igreja preservou um patrimônio espiritual, artístico e cultural, cuja influência ultrapassa amplamente as suas próprias fronteiras. Entre as expressões mais altas desse patrimônio, encontra-se precisamente a música sacra, que durante séculos acompanha a liturgia cristã, mas também contribui para formar a sensibilidade artística, a cultura e a própria identidade do Ocidente. É neste contexto que devemos compreender a presença da Capela Musical Pontifícia entre nós”, explicou o Arcebispo.
Dom Paulo salientou ainda que a visita da Cappella Musicale Pontificia Sistina à Capital Federal é um marco na história do Distrito Federal e um bonito encontro que fomenta a riqueza da música sacra na Igreja Católica. “Brasília acolhe pela primeira vez a instituição musical mais antiga do mundo, ainda em atividade e com total vivacidade, cuja história atravessa aproximadamente 15 séculos da vida da Igreja e que continua exercendo até hoje a missão de servir musicalmente nas celebrações litúrgicas do sucessor de Pedro. Esta Aula Magna se destina a todos que desejam compreender como fé, arte e cultura dialogaram ao longo da história, dando origem a um patrimônio que continua vivo e atual. A música que nasceu para servir à liturgia, tornou-se também linguagem de beleza, de transcendência e de encontro entre os povos”, disse o Cardeal.
O encontro proporcionou um profundo momento de formação sobre a música sacra e reuniu músicos litúrgicos, regentes, coristas, seminaristas, sacerdotes, religiosos, agentes de pastoral e fiéis interessados em conhecer mais sobre a tradição musical da Igreja. “Mais do que dar uma aula, quero compartilhar as minhas experiências, depois de quase trinta anos trabalhando na Capela Sistina. Vou compartilhar com vocês os problemas e as soluções que nós encontramos ao longo desses anos. Vamos começar falando da Música Litúrgica, pois a música na liturgia não é um enfeite, não é um fundo musical, mas é parte integrante da liturgia. É um sinal litúrgico sem o qual a liturgia fica incompleta”, afirmou Monsenhor Marcos Pavan, ao iniciar a Aula Magna.
A Aula Magna constituiu-se como uma exposição solene e aprofundada sobre um tema específico, conduzida por uma autoridade reconhecida em sua área. No contexto eclesial, o encontro representou um importante espaço de formação, reflexão e aprofundamento para aqueles que atuam diretamente na vida litúrgica da Igreja. “A gente teve a oportunidade de ouvir na língua portuguesa alguém que foi o primeiro estrangeiro, não italiano, a ocupar o cargo de regente do Coro do Vaticano. Primeiro isso facilita a linguagem, mas também nos enche de orgulho. Além disso, é alguém com uma sabedoria que pode de fato nos ensinar sobre liturgia, sobre música sacra e sobretudo enriquecer culturalmente o nosso repertório”, frisou o Padre Gustavo Xavier, Diretor da Companhia Cultural e Artística da Arquidiocese de Brasília e Pároco da Paróquia Nossa Senhora das Graças, localizada na Asa Norte.
A equipe organizadora do evento explicou que foram mais de três anos planejando a vinda do Coro ao Brasil. “Ao participar do Jubileu dos Bispos em Roma, Dom Paulo teve uma conversa com o Monsenhor Pavan sobre a vinda deles ao Brasil, especialmente neste ano em que celebramos o Bicentenário das relações diplomáticas ininterruptas entre o Brasil e a Santa Sé. Foram conjunções de oportunidades que culminaram nessa vinda do Coro ao Brasil, especialmente na celebração dos 600 anos de criação do Coro, que partiu em turnê pelo Brasil, passando por cinco cidades, sendo Brasília a quarta contemplada com a presença dos músicos. É um momento de júbilo, que não consigo nem descrever em palavras. Queríamos que eles viessem por um único motivo, que é o nosso amor pela Santa Igreja e pela sua música, pois queríamos que os músicos da Arquidiocese também usufruíssem dessa cultura e da beleza que é assistir a Aula Magna e participar do concerto do Coro, para que tenham ainda mais amor pela música sacra e possam servir em suas paróquias”, relatou Lorena Vieira, cantora, diretora de Coro Litúrgico e membro da Companhia Cultural e Artística da Arquidiocese de Brasília.
Vitor Gabriel Souza, de 12 anos, que se dedica à música na Arquidiocese de Brasília, participou da Aula Magna com o desejo de aprender ainda mais sobre a história da Música Sacra. “Eu estudava no Projeto Musical que tem na Paróquia Nossa Senhora do Encontro com Deus e passei a fazer aulas com a Rose. Há três anos, comecei a tocar na Santa Missa. Toco órgão, piano e teclado. Eu gosto muito de música e de servir na Igreja. A aula foi muito especial, pois eu adquiri muitos conhecimentos e me incentivou a aprender ainda mais para servir melhor a cada dia”, comentou.
Ao longo da Aula Magna, o Maestro também compartilhou aspectos de sua experiência à frente da Capela Musical Pontifícia Sistina e refletiu sobre o compromisso dos músicos litúrgicos com a oração, a evangelização e o serviço à Igreja por meio da arte. “Eu esperava obter mais informações sobre música, especificamente. A parte técnica, mais teórica. Então, ele fez um percurso do desenvolvimento da música sacra e isso me surpreendeu muito, pois eu estudei música na universidade, mas ainda assim não tive acesso à profundidade do que ele falou e com a riqueza de detalhes sobre o desenvolvimento da música sacra e litúrgica. O que mais me tocou foi quando ele abordou três pontos do documento do Papa São Pio X, que eu entendo como indiscutíveis, como a santidade que tem que ter na expressão da música, a bondade das formas e a universalidade. Ele disse algo que me marcou muito quando afirmou que a música no papel não é música, apenas uma indicação. Para ser música, ela precisa ser executada. Então, ele ressaltou a importância para a música litúrgica da Palavra e a música em si como um suporte e um serviço da Palavra, já que é a Palavra que está ali permeando todo o nosso caminho como cristãos dentro da liturgia. Essa foi uma aula com palavras de envio em missão para muitos de nós”, afirmou Marília de Alexandria, pianista, correpetidora e educadora brasiliense.
Ao final da formação, encantado com a riqueza do conteúdo apresentado e a oportunidade de aprofundar o conhecimento sobre a tradição musical da Igreja, Gutembergue Amaral, regente de três coros paroquiais na Arquidiocese de Brasília, definiu a sua percepção sobre a Aula Magna com as seguintes palavras: “Foi realmente um privilégio. Termos alguém que trabalha tão próximo do Santo Padre, nos faz perceber que temos que ter um olhar mais cauteloso, em um tempo e uma época em que a música litúrgica está tão distorcida. Vivemos em uma realidade de carência de informação e formação em praticamente todo Ministério de Música. Ter o regente da Capela Sistina aqui conosco, mostrando a visão dele, nos proveu muita cultura e informação, mas trouxe também a junção tanto litúrgica quanto artística, mostrando com claridade o que é realmente o belo para servirmos à Santa Igreja”, concluiu.
Confira no vídeo abaixo a Aula Magna na íntegra: