Na manhã desta terça-feira (04), data em que a Igreja celebra a memória de São João Maria Vianney, o Santo Cura d’Ars e padroeiro dos sacerdotes, o clero da Arquidiocese de Brasília reuniu-se na Paróquia Santo Cura d’Ars, na Asa Sul, para um momento de Ação de Graças pelo dom do ministério ordenado.
A Santa Missa foi presidida pelo Cardeal Paulo Cezar Costa, Arcebispo Metropolitano de Brasília, e concelebrada pelos bispos auxiliares, Dom Antonio de Marcos e Dom Vicente Tavares, pelo Cardeal Dom João Braz de Aviz, além de numerosos sacerdotes do clero arquidiocesano.
A celebração marcou a unidade do presbitério arquidiocesano em torno de seu pastor e renovou o compromisso dos sacerdotes com a missão de anunciar o Evangelho, administrar os sacramentos e servir ao povo de Deus à luz do testemunho de São João Maria Vianney.
Durante a homilia, o Cardeal Paulo Cezar Costa dirigiu uma palavra de gratidão aos padres pelo serviço realizado diariamente nas paróquias e comunidades da Arquidiocese, reconhecendo o empenho e a dedicação de cada um na missão de ser sinal da presença de Deus junto ao povo.
O Arcebispo destacou que o sacerdócio somente encontra sua plenitude quando está fundamentado em uma verdadeira comunhão com Cristo, cultivada por uma vida de oração, intimidade e profunda experiência espiritual. “Atualmente, vivemos em uma sociedade da aparência, da superficialidade. Isso é um perigo. O grande problema é quando tudo se resume à aparência. Estar muito preocupado com o exterior, ao invés de se preocupar e dar mais atenção ao interior. Quando Jesus afirma no Evangelho que não é o que entra pela boca do homem que o torna impuro, mas o que sai dela, Ele está levando o centro da vida religiosa para o coração. É do nosso coração que nasce a santidade, mas é dele também que nasce o pecado. O coração representa o centro da vida, a interioridade. Em um mundo tão preocupado com a exterioridade, é preciso dar mais atenção à interioridade. Também nós podemos correr o risco de nos tornarmos excelentes administradores do sagrado, sem permanecermos homens profundamente habitados por Deus. Podemos celebrar muitos sacramentos, sem deixar que esses sacramentos moldem continuamente a nossa vida. Podemos falar de Cristo, sem permanecermos no caminho diante dEle”, destacou.
Inspirando-se na figura do Santo Cura d’Ars, Dom Paulo recordou que a fecundidade do ministério sacerdotal não nasce das capacidades humanas, mas da intimidade com Deus. Segundo o Cardeal, a vida de São João Maria Vianney continua sendo um testemunho atual de que a santidade e a missão encontram sua força na oração, na Eucaristia e na caridade.
“São João Maria Vianney percebeu isso. Por isso, a sua busca não estava na eloquência. Não possuía uma inteligência extraordinária segundo os critérios acadêmicos do seu tempo, inclusive enfrentou dificuldades nos estudos. A sua verdadeira sabedoria vinha da intimidade com Deus, de horas diante do Santíssimo Sacramento, por um amor apaixonado pela Eucaristia, pela caridade com os mais pobres e necessitados”, salientou o Cardeal.
Ao concluir a reflexão, o Arcebispo recordou uma das frases mais conhecidas do padroeiro dos sacerdotes e exortou o clero arquidiocesano a viver o ministério como expressão do amor de Cristo pelo seu povo. “Santo Cura d’Ars costumava dizer que o sacerdócio é o amor do coração de Jesus. O sacerdote não pertence a si mesmo. Seu coração deve tornar-se transparência do coração de Cristo, Bom Pastor. Um amor que doa a vida pelo nosso amado povo e que faz a diferença na vida das nossas comunidades, como a presença do Bom Pastor. Precisamos ser aquele que escuta, que acolhe e que está sempre junto ao seu povo”, salientou.
A celebração do Dia de São João Maria Vianney e Dia do Padre foi também uma oportunidade para renovar a fraternidade sacerdotal e agradecer a Deus pelo dom da vocação presbiteral. Unidos em oração, os sacerdotes confiaram seu ministério à intercessão do Santo Cura d’Ars, pedindo a graça de permanecerem fiéis ao chamado de Cristo, servindo com humildade, zelo pastoral e amor à Igreja.
Todos os fiéis são convidados a permanecerem em oração pelos sacerdotes, pedindo a Deus que possa sustentá-los neste chamado à santidade e que como servos possam direcionar o povo de Deus para que caminhem em direção à morada eterna.