UM ENCONTRO QUE TRANSFORMA A VIDA

Encontro com os crismando 2026

Queridos Crismandos, 

Quero compartilhar com vocês algumas reflexões sobre o texto de Mt 19, 16 – 22, que podemos intitular o encontro do jovem rico com Jesus. Na imagem desse  jovem estamos todos nós que desejamos nos encontrar com Jesus e ter a vida  eterna, pois Jesus é a Vida, ele é a Vida Eterna. Vou me dirigir a vocês com a palavra  jovens, pois todos são jovens. Mesmo os que possuem um pouco mais de idade e  possuem a inquietude da busca, se encontram no dinamismo da juventude.  

Este encontro é muto questionador, pois tem algo de belo e dramático, pois  o jovem vai embora triste pois era possuidor de muitos bens. Ele se aproxima e  pergunta: «Mestre, que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?» (Mt 19,16). É a pergunta de alguém que procura algo maior, algo que dê sentido à vida,  a existência. Ele tem bens, é uma pessoa correta, observa os mandamentos, mas  percebe que ainda lhe falta alguma coisa. Seu coração deseja mais. Também  dentro de cada jovem existe essa pergunta: O que devo fazer da minha vida?  Onde encontrarei a verdadeira felicidade? 

1. Um jovem que procura a Vida Plena 

A primeira coisa bonita nesse jovem é que ele procura Jesus. Poderia estar  satisfeito com aquilo que possuía. Era rico, tinha possibilidades, aparentemente  levava uma vida correta. Mas alguma coisa dentro dele dizia: “Ainda não basta”. Esta inquietação é fundamental, faz parte do coração humano. Santo Agostinho,  depois de procurar a felicidade em tantos lugares, escreveu: «Fizeste-nos para ti, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em ti» (Confissões,  I,1). 

Este jovem está, agora, diante daquele que é a fonte da vida, que pode lhe dar  a vida eterna, Jesus Cristo. É do encontro com a pessoa de Jesus que nasce e se  fortifica a experiência da fé. A fé não se fundamenta numa ideia, numa filosofia,  mas numa pessoa concreta: Jesus de Nazaré. O Papa Bento XVI expressou isso de  maneira muito bonita no início da encíclica Deus caritas est: «Ao início do ser  cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um  acontecimento, com uma Pessoa» (n. 1). É no encontro com ele que fundamenta  a fé. Papa Francisco, no início da Evangelii Gaudium, n. 3, convida os cristãos “a  renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos tomar  a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar”. A fé  se fortifica, se amadurece quando vivemos uma experiência profunda de amor  com Jesus, com a sua pessoa. Ele se dá constantemente a nós na Palavra, na  Eucaristia, no irmão necessitado que bate a nossa porta. Ele deve ser  experimentado numa liturgia bem celebrada, na Palavra proclamada, meditada e  rezada; no empenho diário da caridade. Se encontrar com Jesus é uma exigência  do coração humano. 

Ser cristão não significa apenas aceitar algumas ideias, observar algumas  normas ou conservar uma tradição. Significa poder dizer: eu encontrei Jesus  Cristo e quero caminhar com Ele, quero segui-lo, me tornar seu discípulo. Jovens,  a pergunta fundamental da fé é esta: Quem é Jesus para você? Você já se  encontrou verdadeiramente com Jesus?

2. «Que me falta ainda?» 

Jesus recorda ao jovem os mandamentos: não matar, não cometer adultério,  não roubar, honrar pai e mãe, amar o próximo. Num primeiro momento Jesus lhe  indica o caminho normal do Judaísmo: os mandamentos. 

E o jovem responde: «Tenho observado todas essas coisas. Que me falta  ainda?» (Mt 19,20). Esta talvez seja a frase central de todo o encontro: «Que me  falta ainda?» 

Ele percebe que não basta simplesmente evitar o mal, fazer o bem. A vida  cristã não consiste apenas em dizer: “Não faço nada de errado”. Jesus deseja levar  aquele jovem além. Também nós podemos cumprir nossos deveres, participar da  Missa, rezar, procurar viver corretamente e, mesmo assim, perceber no coração que me falta algo: “Senhor, me falta alguma coisa.” 

A salvação não consiste apenas na perfeição moral, é muito mais. É o  encontro e o seguimento de uma pessoa: Jesus Cristo. São Paulo, por exemplo, era  alguém que possuía uma grande perfeição moral. A conversão, para ele, foi passar  do regime da Lei para a gratuidade da fé em Jesus Cristo.  

3. «Vai, vende o que tens» 

Então Jesus faz uma proposta radical: «Se queres ser perfeito, vai, vende  os teus bens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois,  vem e segue-me» (Mt 19,21). 

Jesus toca exatamente no ponto onde estava preso o coração daquele jovem:  suas riquezas. O problema não está simplesmente em possuir coisas. O problema  começa quando as coisas passam a possuir o nosso coração. Quando falta a  liberdade diante dos bens que possuímos. O dinheiro é uma forma de idolatria 

quando é absolutizado na vida. E existem muitas formas de riqueza que podem  nos aprisionar: dinheiro, aparência, necessidade de aprovação, sucesso, poder,  popularidade, prazer, redes sociais, projetos pessoais. Tudo isso pode ocupar um  espaço tão grande que já não conseguimos escutar a voz de Deus. Por isso, a  pergunta para cada um é muito concreta: Qual é a minha riqueza? O que eu  tenho dificuldade de deixar por amor a Jesus? A que meu coração é ainda  apegado? 

4. «Vem e segue-me» 

Jesus não pede ao jovem apenas que deixe alguma coisa. Há algo muito mais  importante: «Vem e segue-me». Este é o centro do Evangelho. O cristianismo  não é primeiramente renúncia: É encontro, seguimento, amizade com Jesus. Quando Jesus chama alguém a deixar alguma coisa, é porque deseja oferecer algo  maior. São Pedro deixou as redes porque se encontrou Jesus. São Mateus deixou  a banca dos impostos porque se encontrou Jesus Cristo. São Francisco de Assis  deixou suas riquezas porque se encontrou com Jesus Cristo. Tantos homens e  mulheres deixaram projetos, seguranças e possibilidades porque descobriram  uma alegria maior, uma riqueza que preenche a vida, a existência: seguir Jesus. 

Por isso, quando Jesus Cristo chama, Ele não empobrece nossa vida, mas  alarga os horizontes. São João Paulo II dizia aos jovens: «Não tenhais medo!  Abri, antes, escancarai as portas a Cristo!» Não tenham medo de perguntar a  Jesus qual é a vontade dele para vocês. Talvez Ele chame alguns ao matrimônio,  outros ao sacerdócio, outros à vida consagrada. Mas chama todos à santidade e ao  dom de si. A santidade é a medida alta da vida. Não tenham medo de ser santos.  Tantos testemunhos bonitos de santidade. O jovem Carlo Acutis que viveu a vida  com normalidade e fez da Eucaristia a sua estrada para o céu. A jovem Chiara 

Badano que amava a vida e foi tomada por um câncer terrível e morreu amando  Jesus. O Jovem Francisco de Assis, etc. 

5. A tristeza de quem não consegue deixar 

O Evangelho termina de uma maneira surpreendente: «Quando ouviu isso,  o jovem foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico» (Mt 19,22). Ele  chegou correndo atrás da vida eterna e foi embora triste. 

Por quê? Porque encontrou Jesus, mas não conseguiu deixar aquilo que o  impedia de segui-lo. Aqui existe uma grande lição: podemos ter muitas coisas e,  ainda assim, sermos profundamente tristes. A felicidade não está em possuir cada  vez mais, mas em descobrir por quem vale a pena entregar a vida. O jovem queria  Jesus, mas queria também conservar todas as suas seguranças. Jesus lhe mostrou  que chegaria um momento em que seria necessário escolher. Também nós  fazemos essa experiência. Seguir Jesus implica decisões, escolhas e renuncias. 

6. Jesus continua olhando para os jovens 

O Evangelho de Marcos, narrando a mesma cena, acrescenta um detalhe  belíssimo: «Jesus olhou para ele com amor» (Mc 10,21). Antes de pedir alguma  coisa, Jesus ama. Toda vocação começa nesse olhar. Cristo olha para cada jovem  não para tirar sua liberdade, mas para mostrar-lhe a grandeza para a qual é  vocacionado. 

Por isso, queridos crismandos, não tenham medo do olhar de Jesus. Deixem  que Ele entre em seus projetos, afetos, escolhas e sonhos. E façam frequentemente  esta oração:

«Senhor, que me falta ainda?» Talvez a resposta de Jesus exija alguma renúncia.  Talvez peça mudança. Talvez abra um caminho que vocês nunca imaginaram. Mas  uma coisa é certa: quando Jesus chama, chama para uma vida maior. 

Três perguntas para levar consigo 

Guardemos três perguntas deste encontro: 

O que estou procurando? 
O jovem procurava a vida eterna. 

O que ainda me falta?
Talvez exista alguma coisa impedindo meu coração  de pertencer inteiramente a Cristo. 

O que Jesus me pede para deixar para poder segui-lo?
Não façamos  como o jovem que encontrou Jesus e foi embora triste. Tenhamos coragem de  permanecer diante dele e dizer: 

Senhor Jesus, 
Tu me conheces e me amas. 
Mostra-me o que ainda me falta. 
Liberta meu coração daquilo que me prende. 
Dá-me coragem para responder ao teu chamado. 
E, quando me disseres «vem e segue-me», que eu tenha a alegria e a liberdade de dizer: 
«Aqui estou, Senhor. Eu te seguirei». Amém.