O Papa Leão XIV afirmou que a Igreja deve ser uma família para todas as pessoas, especialmente para aquelas que sofrem com os vícios, a violência, a pobreza e a exclusão social. A declaração foi feita nesta quinta-feira (27), durante audiência com participantes de um encontro internacional realizado em Roma sobre o enfrentamento às dependências e ao recrutamento de jovens para o crime.
O encontro, iniciado na terça-feira (25), reuniu representantes de diferentes países, incluindo o Brasil, para refletir sobre estratégias de prevenção, recuperação e integração de pessoas afetadas pelo fenômeno dos vícios.
A iniciativa foi promovida pela Comissão Pontifícia para a América Latina (CAL), pela Pastoral Latino-Americana de Acompanhamento e Prevenção das Adições (PLAPA), do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), e pela Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de Drogas (CICAD), da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Em seu discurso, Papa Leão XIV reconheceu o trabalho realizado por centros de acompanhamento, prevenção, recuperação e integração de jovens mantidos por instituições ligadas à Igreja em diferentes continentes. Segundo o Pontífice, os vícios constituem um problema complexo que ultrapassa fronteiras e atinge de maneira particular os jovens. “Os vícios são um fenômeno complexo que revela o fracasso de um mundo desumanizado”, disse.
Diante dessa realidade, o Papa defendeu uma resposta que envolva diferentes áreas, unindo prevenção comunitária, conhecimento científico, justiça e acompanhamento pastoral. “Nossa contribuição deve ser direcionada ao cuidado, à presença e à reconstrução do tecido comunitário”, afirmou.
O Santo Padre também destacou que o sofrimento e a esperança são experiências compartilhadas por pessoas de diferentes povos e culturas, o que torna necessária uma atuação conjunta no enfrentamento às dependências.
O Pontífice apresentou quatro caminhos de colaboração que considera importantes para a atuação da Igreja diante da problemática das drogas e dos vícios.
A primeira ponte é entre a Igreja e os organismos internacionais, reconhecendo que nenhum setor consegue enfrentar sozinho a complexidade do problema.
A segunda aproxima ciência e fé, buscando uma compreensão integral da pessoa humana. Papa Leão XIV ressaltou que a Igreja não pretende substituir áreas como neurociência, psiquiatria ou saúde pública, mas contribuir a partir de sua experiência pastoral e de sua visão sobre a dignidade humana.
A terceira ponte acontece dentro da própria Igreja, por meio da troca de experiências entre comunidades e pastorais de diferentes países e continentes. A quarta é de caráter ecumênico, promovendo a colaboração entre cristãos para acompanhar especialmente os jovens em situações de vulnerabilidade.
A família como espaço de prevenção
O Pontífice também chamou atenção para o papel fundamental da família na prevenção dos vícios. Recordando o ensinamento do Concílio Vaticano II, apresentou a família como uma verdadeira “Igreja doméstica”, lugar onde a vida é acolhida, cuidada e cultivada. “Não há melhor prevenção contra as drogas do que uma boa família”, afirmou.
O Papa recordou ainda o ensinamento de São João Paulo II, que convidava a Igreja a ser “casa e escola da comunhão”, e a insistência do Papa Francisco em aproximar-se das pessoas que sofrem e tocar suas feridas.
Nesse sentido, Papa Leão XIV destacou que a Igreja é chamada a estar próxima das famílias que enfrentam situações de dependência, violência, pobreza e exclusão, sem abandonar aqueles que acabam sendo empurrados para as margens da sociedade.
Ao concluir, o Papa fez um apelo para que a Igreja seja presença concreta junto às pessoas que sofrem, inspirando-se na parábola do Bom Samaritano. “Gostaria de expressar um desejo a vocês: que a Igreja seja a família de todas as pessoas que ficaram à beira da estrada”, disse.
O Santo Padre convidou os participantes a construir uma Igreja capaz de parar diante da dor, aproximar-se de quem necessita, cuidar das feridas e oferecer acolhimento.
A proposta apresentada pelo Pontífice reforça que o enfrentamento aos vícios não pode se limitar à recuperação individual, mas precisa envolver a reconstrução dos vínculos familiares e comunitários. Para a Igreja, estar presente onde estão as pessoas mais vulneráveis também faz parte de sua missão de cuidado, prevenção e evangelização.
Com foto e informações do Vatican News.