Corrigir por amor

XXIII Domingo do Tempo Comum

O Evangelho deste domingo (Mt 18, 15 – 20) nos coloca diante de uma questão essencial para a vida cristã: como cuidar do irmão e preservar a comunhão quando o pecado e as fragilidades humanas ferem as relações? Jesus não idealiza a comunidade dos discípulos. Ele sabe que nela existem limites, pecados, incompreensões e conflitos. Mas ensina um caminho para que a fragilidade não tenha a última palavra: o caminho da correção fraterna, do diálogo e da reconciliação: «Se teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo» (Mt 18,15). É significativo que Jesus diga: «vai». Não manda esperar que o outro venha, nem autoriza a murmuração ou a exposição pública de sua falta. Quem ama toma a iniciativa de aproximar-se. A correção cristã nasce do amor e tem como finalidade não condenar, mas «ganhar o irmão». O irmão é sempre mais importante do que o seu erro.

Santo Agostinho compreendeu profundamente esta dimensão da caridade: «Deves corrigir por amor; não com desejo de ferir, mas com intenção de emendar»(Sermão 82, 7). Eis o critério evangélico: corrigir porque se ama. Quando a correção nasce da irritação, da vontade de humilhar ou de demonstrar superioridade, ela deixa de ser cristã. A caridade, ao contrário, sabe unir verdade e misericórdia. Jesus apresenta uma pedagogia paciente. Primeiro, o encontro pessoal. Depois, se necessário, a presença de uma ou duas pessoas. Finalmente, a comunidade. Trata-se de fazer tudo o que for possível para não perder ninguém. Este ensinamento está intimamente ligado à parábola da ovelha perdida que precede este ensinamento (cf. Mt 18,12-14). O Pai não quer que nenhum destes pequeninos se perca. Por isso, também a correção fraterna participa da missão do Bom Pastor: procurar, aproximar-se, recuperar, reintegrar.

Depois, Jesus confia à comunidade uma grande responsabilidade: «Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu» (Mt 18,18). A Igreja recebe de Cristo o ministério da reconciliação. Sua missão não é fechar portas, mas trabalhar para que aquilo que foi rompido possa novamente ser unido pela graça. O Evangelho culmina numa promessa extraordinária: «Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles» (Mt 18,20). A verdadeira comunidade cristã não se sustenta simplesmente pela simpatia entre seus membros, mas pela presença de Cristo. É Ele a permanecer no meio de nós, tornando possível recomeçar depois das feridas, perdoar depois das ofensas e reconstruir aquilo que parecia perdido.

Num tempo em que facilmente julgamos, condenamos e expomos os erros dos outros, Jesus nos propõe outra lógica: aproximar-se antes de julgar, dialogar antes de condenar, procurar ganhar o irmão antes de afastá-lo. A comunhão não significa ausência de conflitos; significa aprender a enfrentá-los à luz do Evangelho. Quando temos a coragem de procurar o irmão, de falar com verdade e caridade, de perdoar e de recomeçar, acontece algo maior do que uma simples reconciliação humana: experimenta-se a ação concreta do amor de Cristo restaurando, reconciliando, salvando.

Que Ele nos dê um coração capaz de corrigir sem humilhar, de escutar sem preconceitos, de perdoar sem guardar ressentimentos e, sobretudo, de nunca desistir do irmão. A comunidade que reconcilia torna visível, no mundo, o rosto misericordioso de Deus.