5º Congresso Vocacional do Brasil reúne 950 participantes em Aparecida

Encontro refletiu sobre a importância das comunidades na promoção de uma cultura vocacional marcada pela acolhida, escuta, acompanhamento e missão.

O Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP), foi palco do 5º Congresso Vocacional do Brasil, realizado entre os dias 4 e 6 de setembro. Com o tema “Comunidades vocacionais – encontro, testemunho e missão”, o evento reuniu cerca de 950 participantes no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida.

Bispos, padres, religiosos e religiosas, além de agentes que atuam na animação e no acompanhamento vocacional em diferentes regiões do país, participaram de momentos de oração, formação, escuta, partilha e comunhão. O encontro também proporcionou a renovação do compromisso com o chamado ao discipulado de Jesus Cristo.

A programação teve início com a Santa Missa no altar central da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, presidida pelo arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Jaime Spengler.

A celebração foi concelebrada por dom Ângelo Mezzari, arcebispo de Vitória (ES) e presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, e por dom Maurício Jardim, bispo de Rondonópolis-Guiratinga (MT) e presidente da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e a Cooperação Intereclesial da CNBB.

Durante a homilia, dom Jaime destacou que o amor de Deus está no centro de toda vocação e recordou que o ser humano é chamado a uma profunda união com Ele.

“Jesus nos recorda e ensina que Deus é paixão pelo ser humano, o ama e procura sempre de novo e de forma nova unir-se a ele. O amor conduz à união e à identificação com o amado. Somos vocacionados, sim, a amar a Deus de todo o coração, com toda a nossa força, e a nos identificar com Ele, em Cristo, o missionário do Pai”, afirmou.

Segundo a Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, a presença de diferentes vocações, ministérios e serviços durante o Congresso revelou a beleza de uma Igreja que caminha em comunhão e se une em torno de uma mesma missão.

Memória e caminhos para a cultura vocacional

Um dos primeiros momentos da programação foi dedicado à história dos Congressos Vocacionais do Brasil, cuja trajetória teve início em 1999.

Dom Ângelo Mezzari, irmã Clotilde Azevedo e dom José Albuquerque compartilharam experiências e recordaram as contribuições deixadas por cada edição do congresso, destacando as sementes lançadas ao longo dos anos e os caminhos que contribuíram para o despertar de novas vocações.

No segundo dia, o painel Fé: a graça que anima a vida da comunidade” levou os participantes a refletirem sobre a presença da fé na vida comunitária e sua importância para ajudar cada pessoa a reconhecer o chamado de Deus.

A comissão ressaltou que a catequese, a liturgia e o serviço de animação vocacional são espaços fundamentais para o desenvolvimento de uma verdadeira cultura vocacional.

As atividades do dia foram concluídas com um momento de adoração ao Santíssimo Sacramento.

Vocação como abertura, entrega e amor

No último dia do Congresso, a celebração eucarística retomou a vocação como um caminho de abertura, entrega e amor. Na homilia, dom Ângelo Mezzari refletiu sobre os desafios da cultura contemporânea, marcada, segundo ele, pelo individualismo, pelo anonimato e pela autorreferencialidade.

Diante dessa realidade, o arcebispo destacou o convite do Evangelho para uma postura diferente, baseada na abertura do coração à voz de Deus e na disposição de transformar essa escuta em vida e missão.

“O Evangelho nos chama a fazer diferente: abrir o coração para acolher a voz de Deus e deixar que ela ressoe em nossa vida e missão”, afirmou.

A programação também contou com o painel Partilha: Comunicação e Juventude a serviço da Cultura Vocacional”, que reuniu Osnilda Lima, assessora da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB; dom Maurício Jardim; e a professora Patrícia Teixeira, do Observatório Juventudes da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

O diálogo abordou novos caminhos para uma animação vocacional mais próxima, criativa e conectada com as juventudes, considerando os desafios e as novas formas de comunicação presentes na sociedade.

Enviados em missão

Ao final dos três dias de encontro, os participantes foram enviados a continuar a missão de construir comunidades verdadeiramente vocacionais, capazes de acolher, escutar, acompanhar e ajudar cada pessoa em seu processo de discernimento.

A proposta é que as comunidades sejam espaços nos quais cada pessoa possa reconhecer o chamado de Deus e encontrar liberdade e coragem para respondê-lo com generosidade.

Nas redes sociais, a Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB fez um balanço do Congresso e destacou a experiência de oração, comunhão e renovação vivida em Aparecida.

“Depois de tantos encontros, partilhas, oração e comunhão, encerramos o 5º Congresso Vocacional do Brasil com o coração agradecido por tudo o que vivemos. Renovamos nossas promessas batismais, consagramos nossa caminhada a Nossa Senhora Aparecida e fomos enviados novamente em missão: para sermos, em nossas comunidades, testemunhas de uma Igreja que chama, acolhe, acompanha e envia”, afirmou a comissão.

Com informações da CNBB e foto de Thiago Charleaux.