A lógica do amor gratuito de Deus

XXV Domingo do Tempo Comum

A parábola dos trabalhadores da vinha (Mt 20,1-16) revela-nos a lógica de Deus: a lógica da gratuidade. O Seu amor é gratuito. Essa não era a visão de fariseus, mestres da Lei do tempo de Jesus. A parábola está enquadrada dentro do dito por Jesus: «Muitos dos primeiros serão últimos e muitos dos últimos, primeiros» (Mt 19, 30; Mt 20, 16). Na parábola, o proprietário sai em diferentes horas do dia para contratar trabalhadores: ao amanhecer, às nove horas, ao meio-dia, às três e, finalmente, às cinco da tarde.  A vinha representava Israel, e é uma imagem usada para significar a Igreja. O Senhor continua saindo ao encontro de cada pessoa e convidando-a a colaborar em Sua obra. Alguns respondem desde cedo; outros são alcançados mais tarde, talvez depois de longos caminhos, sofrimentos e buscas. O importante é acolher o chamado e colocar-se a serviço. Na vinha do Senhor sempre há lugar e trabalho para todos.

Ao final do dia, o proprietário manda pagar o mesmo salário a cada trabalhador, começando pelos últimos. Aqueles que suportaram «o peso do dia e o calor» esperavam receber mais. Como isso não aconteceu, começaram a murmurar. O proprietário, porém, respondeu: «Amigo, eu não fui injusto contigo. Não tínhamos combinado uma moeda de prata?» E acrescentou: «Ou estás com inveja porque estou sendo bom?»

A parábola não pretende oferecer normas para as relações trabalhistas, mas revela a gratuidade e o amor de Deus que oferece a salvação para os judeus, para os pagãos, para todos. Deus não age segundo nossos cálculos de mérito, mas segundo a abundância da Sua graça, do Seu amor. A moeda recebida representa a salvação, a comunhão com Deus e a participação na vida do Reino. Esse dom não pode ser dividido: Deus oferece-se inteiramente tanto àquele que o serviu desde a juventude quanto àquele que o encontrou no entardecer da vida.

O problema dos primeiros trabalhadores não está no salário recebido, mas na comparação. Eles já não conseguem alegrar-se com aquilo que receberam porque estão olhando para o que foi concedido aos outros. A comparação transforma a gratidão em murmuração. Quando perdemos a capacidade de reconhecer a bondade de Deus para com nossos irmãos, começamos a considerar injusta a própria misericórdia.

Também dentro da comunidade cristã podemos cair nessa tentação. Podemos pensar que, por termos trabalhado há mais tempo, assumido maiores responsabilidades ou enfrentado mais dificuldades, merecemos privilégios. Contudo, o serviço na vinha não é um peso suportado para se conquistar recompensas, mas uma graça. Trabalhar para o Senhor já é participar de Sua alegria e colaborar na construção de um mundo mais fraterno.

Este Evangelho convida cada um de nós a abandonarmos a lógica da recompensa típica do mercado, do nosso mundo consumista e a entrar na alegria da gratuidade do amor, que é a lógica de Deus. Por isso, Deus por meio do profeta Isaías afirmou: «Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos e vossos caminhos não são como os meus caminhos» (Is 55, 8). Entrar na lógica do amor de Deus implica não perguntar por que o outro recebeu tanto, mas agradecer porque Deus é bom. A misericórdia concedida ao irmão não diminui o amor que Deus tem por mim, mas manifesta o amor que move o coração de Deus.