Núncio na Ucrânia destaca a Igreja como sinal de esperança em meio à guerra

Dom Visvaldas Kulbokas ressalta a presença pastoral junto às vítimas do conflito e o apoio humanitário que já ultrapassa um bilhão de euros.

A Igreja Católica na Ucrânia tem desempenhado um papel fundamental no acolhimento das vítimas da guerra, oferecendo assistência humanitária, apoio espiritual e esperança diante do sofrimento. A avaliação foi apresentada pelo núncio apostólico no país, Dom Visvaldas Kulbokas, durante uma conferência on-line realizada na quinta-feira (15/10), pela Universidade Niccolò Cusano, na Itália.

Com o tema “A Igreja na Ucrânia hoje: geopolítica, diplomacia e cooperação”, o encontro abordou a atuação da Igreja em meio ao conflito. Segundo o arcebispo, a missão eclesial se concentra em duas frentes: permanecer próxima das pessoas afetadas pela guerra e ajudá-las a não sucumbir ao desespero.

“Estar presente, porque a distância geográfica é sempre uma distância emocional. Depois, dar esperança, porque a primeira missão da Igreja é sempre tornar a vida eterna presente na vida das pessoas”, afirmou o núncio, ao destacar a importância da fé para enfrentar as consequências psicológicas e espirituais da guerra.

Capelães militares levam esperança à linha de frente

Dom Visvaldas também ressaltou o trabalho de cerca de cem capelães militares que acompanham os soldados na linha de frente, em uma realidade que envolve aproximadamente um milhão de pessoas. Para ele, a presença desses sacerdotes é essencial para oferecer conforto espiritual e ajudar aqueles que enfrentam situações extremas.

O arcebispo destacou ainda a importância da diplomacia e da disponibilidade para o diálogo entre as partes envolvidas no conflito. Como exemplo, mencionou a visita a Moscou de Dom Paul Richard Gallagher, secretário da Santa Sé para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais.

Segundo o núncio, a atuação diplomática da Santa Sé demonstra a disposição permanente da Igreja para estabelecer contatos e contribuir com os esforços pela paz, mesmo quando os resultados não são imediatos.

Nesse sentido, Dom Kulbokas reafirmou a importância de manter a confiança na busca por soluções pacíficas, em sintonia com os apelos do Papa Leão XIV.

A presença da Igreja Católica na Ucrânia

Embora não seja majoritária no país, a Igreja Católica possui comunidades profundamente enraizadas na sociedade ucraniana. Durante a conferência, o núncio apresentou um panorama da presença católica, destacando a Igreja Greco-Católica Ucraniana, os católicos de rito latino e a Eparquia de Mukachevo, de tradição bizantina.

De acordo com os números apresentados por Dom Kulbokas, aproximadamente 27 a 28 milhões de pessoas permanecem nas áreas não ocupadas da Ucrânia, entre as quais cerca de quatro milhões seriam católicas. Ele ressaltou, porém, que a emigração provocada pela guerra dificulta a precisão dos dados.

O arcebispo também destacou a atuação de comunidades protestantes e ortodoxas, que, assim como as católicas, desenvolvem iniciativas de assistência e acompanhamento espiritual da população.

Rede de solidariedade supera um bilhão de euros

A cooperação entre comunidades católicas e organizações eclesiais de diferentes países tem permitido ampliar a assistência às pessoas atingidas pelo conflito. Segundo Dom Kulbokas, a Igreja oferece alimentos, água, abrigo, apoio aos deslocados internos e acompanhamento psicológico.

O núncio atribuiu a dimensão dessa ajuda à rede internacional de solidariedade, que envolve instituições e comunidades católicas, incluindo aquelas presentes na Itália.

“Graças à presença de muitas organizações eclesiais internacionais, eles conseguem fornecer uma ajuda significativa que, se fôssemos quantificá-la, certamente ultrapassaria um bilhão de euros”, afirmou.

Para Dom Visvaldas, essa presença concreta é uma expressão da missão da Igreja e permite que os fiéis e as famílias afetadas pela guerra não se sintam abandonados.

Em meio à violência e às incertezas, a Igreja continua a oferecer assistência material e espiritual, sustentando a esperança e mantendo aberta a possibilidade do diálogo e da paz.

Com foto e informações do Vatican News.