Parolin: Leão XIV leva à América Latina uma mensagem de unidade e reconciliação

O Papa Leão XIV iniciou, nesta sexta-feira (06), sua sexta Viagem Apostólica internacional, que o levará ao Uruguai, à Argentina e ao Peru até o dia 17. A peregrinação será marcada por encontros com comunidades locais, celebrações litúrgicas e momentos de diálogo com autoridades, jovens, missionários e representantes dos povos amazônicos.

Em entrevista sobre a viagem, o secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, ressaltou o significado pessoal e eclesial da presença do Pontífice na América Latina. Segundo ele, o retorno a lugares que fizeram parte da trajetória missionária de Leão XIV, especialmente no Peru, será marcado por recordações, afeto e gratidão. “O encontro com as comunidades locais será, portanto, repleto de memórias, afeto e gratidão”, afirmou o Cardeal, destacando que a familiaridade cultural e espiritual do Papa com a região poderá fortalecer também o diálogo com a sociedade civil.

Evangelização e esperança em meio aos desafios sociais

A primeira etapa da viagem será no Uruguai, país marcado por um processo de secularização. Para o Cardeal Parolin, essa realidade não modifica a missão fundamental da Igreja: anunciar o Evangelho, apresentando Jesus Cristo como uma boa notícia que deve ser oferecida, e não imposta.

O secretário de Estado explicou que o Papa não pretende reivindicar espaços perdidos pela Igreja, mas levar uma mensagem de esperança a uma sociedade que enfrenta dificuldades e feridas sociais, especialmente entre as famílias e os jovens.

Na Argentina, segunda etapa da peregrinação, Leão XIV encontrará um povo que conserva uma memória especial do Papa Francisco. A visita também representa a realização de uma antiga expectativa dos argentinos, que não receberam Francisco durante seu pontificado.

De acordo com Parolin, o Santo Padre deverá se aproximar da população com uma atitude de pai, manifestando solidariedade diante das dificuldades econômicas e das tensões sociais. O caminho para superar esses desafios, ressaltou, passa pelo diálogo sincero, pela unidade e pela busca de soluções que promovam a justiça e a prosperidade de todos.

Retorno ao Peru e compromisso com a Amazônia

A passagem pelo Peru terá um significado particular para Leão XIV, que exerceu no país seu ministério missionário e episcopal, especialmente como bispo de Chiclayo. Para o Cardeal Parolin, o retorno será uma oportunidade de expressar gratidão pelas experiências vividas e pela fé testemunhada pelas comunidades locais.

O Pontífice também visitará Pucallpa, na Amazônia peruana, onde encontrará missionários, missionárias e representantes dos povos amazônicos. Nesse contexto, a proteção da criação e a defesa da dignidade humana estarão entre os temas importantes da visita.

Parolin destacou que a preservação ambiental está diretamente relacionada à defesa da vida, dos direitos e das condições de existência das populações mais vulneráveis. Também defendeu a valorização das culturas, dos conhecimentos e dos direitos dos povos indígenas, além da promoção de modelos econômicos mais comprometidos com a justiça social e as futuras gerações.

Jovens, pobres e testemunho da Igreja

Outro aspecto ressaltado pelo secretário de Estado é a atenção às novas gerações, que enfrentam a precariedade no trabalho, a insegurança e as incertezas em relação ao futuro. Para ele, a Igreja pode oferecer aos jovens o encontro com Cristo e o testemunho do Evangelho como caminhos para viver com esperança e confiança.

A presença da Igreja junto aos pobres também foi destacada como dimensão essencial da evangelização. Parolin reconheceu o testemunho de sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos que dedicam suas vidas ao serviço dos mais necessitados, muitas vezes em contextos de violência e risco.

Segundo o Cardeal, essas pessoas revelam uma Igreja que não apenas fala dos pobres, mas compartilha suas dificuldades e permanece ao seu lado, sem se conformar com a injustiça e a exclusão.

Unidade como caminho para a paz

Ao abordar a relação entre Igreja e instituições civis, Parolin recordou que ambas possuem autonomia em seus respectivos campos, mas estão a serviço da mesma pessoa humana. Nesse sentido, destacou a importância do diálogo e da colaboração para a promoção do bem comum, sem que a Igreja renuncie à sua missão profética de defender a dignidade humana, especialmente dos mais frágeis.

Ao concluir, o secretário de Estado manifestou o desejo de que Leão XIV encontre comunidades cristãs comprometidas com a comunhão e a construção da paz em seus países. “Também na América Latina há, mais do que nunca, a necessidade de superar as fortes polarizações sociais, e a primeira missão da Igreja é dar testemunho de unidade, para ser fermento de paz, de diálogo e de concórdia”, afirmou.

Para Parolin, o Papa, como sinal visível da unidade da Igreja, levará aos povos latino-americanos o convite à superação das divisões e ao compromisso conjunto com o bem comum. A expectativa é que a peregrinação fortaleça a comunhão eclesial e renove a esperança de uma sociedade mais justa, fraterna e reconciliada.

Com foto e informações do Vatican News.