A ASCENSÃO DO SENHOR

A Solenidade litúrgica da Ascensão do Senhor nos revela que a humanidade, assumida e redimida por nosso Senhor Jesus Cristo, foi por Ele elevada à plena comunhão com Deus e, por isso, nós somos convidados a dirigir o olhar para o nosso Redentor que, quarenta dias após a Sua ressurreição, entre a admiração dos Apóstolos “se elevou à vista deles e uma nuvem O ocultou aos seus olhos”. (At 1,9).

A Solenidade da Ascensão do Senhor é, de um modo especial, um convite para renovarmos a nossa fé em Cristo, a única âncora de salvação da humanidade, pois, subindo ao Céu, Ele abriu para nós o caminho rumo à nossa pátria definitiva, que é o Paraíso. Ele retornou à glória, que desde a eternidade é por Ele compartilhada com o Pai e o Espírito Santo e Consigo conduziu a humanidade redimida. Para que possamos alcançar o Paraíso, a vida eterna, desde o dia do nosso nascimento, Ele, com o poder do Seu Espírito, nos ampara, com a Sua graça, nessa peregrinação cotidiana na dimensão visível da Igreja em que estamos inseridos.

A Ascensão do Senhor aos Céus, que se emoldura dentro do Tempo Pascal, estabelece o “término” da presença histórica de Jesus neste mundo e o início de um novo e decisivo momento para a história da Igreja. Ao se despedir dos Apóstolos, apenas no sentido visível, o Cristo confia a eles a missão de evangelizar a todos os povos, dizendo: “Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que Vos ordenei! ”. (Mt 28, 19-20). Com essas palavras, o Cristo estabelece que o serviço missionário da Igreja, a reta transmissão do Evangelho, é missão dos Apóstolos e de todos os discípulos missionários.

Graças aos méritos de Cristo, e por causa da Sua intercessão junto do Pai, nós somos capazes de alcançar n’Ele a justiça e a paz. Em união com o Cristo, nós podemos vivenciar dificuldades e perseguições, mas jamais desfaleceremos. No bom combate em prol da fé, Jesus nos revela que são partes integrantes da nossa missão de batizados o anúncio da Boa Nova da Salvação, a continuidade do zelo pastoral e a dedicação contínua no serviço da caridade, ainda que isto ocorra juntamente com muitas fraquezas e debilidades.

Essa Solenidade da Ascensão é uma ocasião propícia para renovarmos os nossos compromissos de apostolado, depositando nas mãos do Cristo os nossos propósitos de passarmos pelo mundo fazendo o bem. Ao fazermos isto, expressamos a consciência, a certeza de que a Ascensão de Cristo ao Céu não foi uma partida, mas apenas a transformação de uma Presença que possui um valor decisivo em nossas vidas, pois o Cristo continua vivo e ressuscitado nos caminhos de nossa História, aquecendo os nossos corações ao sussurrar nos nossos ouvidos: “Eis que Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo! ” (Mt 28, 20). É dessa certeza que promana a nossa força e esperança, mas também a nossa alegria, constância e determinação.

Diante do Cristo glorioso que ascendeu ao Céu, devemos nos deter para contemplar a presença de toda a Trindade, pois a Ascensão é uma epifania trinitária que indica a meta para a qual se orienta a nossa história pessoal e universal. O evento da Ascensão nos assegura que, ainda que o nosso corpo mortal passe pela dissolução no pó da terra, todo o nosso eu remido está destinado para o alto e para Deus, seguindo Cristo como Mestre e Guia, pois Ele é o nosso Pantocrator, Aquele que exerce o senhorio sobre todas as coisas.

Com a Sua Ascensão ao Céu, Cristo tomou o Seu lugar ao lado do Pai, Ele está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso. Mas Ele também entrou no céu como nossa Cabeça e, por isso, por toda a eternidade, Ele mantém o Seu lugar como o “primogênito entre muitos irmãos”. (Rm 8,29). Por possuir a natureza divina e a humana, “o Senhor Jesus vive para sempre a fim de interceder por nós diante do Pai”. (Hb 7, 25). Simultaneamente, do Seu trono de glória, Ele nos envia uma mensagem de esperança e um forte chamado à santidade. Ele nos precedeu no Paraíso, reiterando que o céu é o nosso destino a ser buscado com fortaleza, constância e entusiasmo.

Com a Solenidade da Ascensão do Senhor, nós temos acesso à revelação de que o céu é, por excelência, o sinal da transcendência divina, é o lugar aprazível que está acima do horizonte terrestre, dentro do qual se desenvolve a nossa existência. O céu é a morada que Deus preparou para nós e, por isso, a mensagem central da Solenidade da Ascensão do Senhor é uma mensagem salvífica que nos revela que, em Cristo, venceremos o pecado, o mal e a morte, pois a força que Ele nos concede é maior que as nossas fraquezas e limitações. Alicerçados nas graças e na fortaleza, que nós recebemos de Cristo, continuemos caminhando, no itinerário da santidade, com a consciência de que Deus já preparou um lugar especial para nós no Reino dos Céus.

Antes de ascender ao Céu, o Cristo recomendou aos Apóstolos que permanecessem unidos, esperando a vinda do Espírito Santo, o dom do Pai. Alguns dias depois, em Pentecostes, os discípulos se reuniram em oração no cenáculo, com a Mãe de Jesus, invocando o Espírito Santo, que os revestiu de poder e fortaleza para o testemunho que deveriam prestar da vida e ressurreição de Jesus.

Nesses dias que antecedem a Solenidade de Pentecostes, e em nosso cotidiano, nós somos convidados a adentrar a escola da Virgem Santa Maria, implorando a sua proteção sobre a Igreja e especialmente sobre todos nós nessa noite escura da história que caiu sobre nós. Juntos da Virgem Santa Maria, a Mãe de Deus e da Igreja, nós aprendemos a viver na terra com os olhos bem fixos no Céu, colaborando sempre, com nossos dons e talentos, na obra missionária da Igreja, testemunhando, com coragem, zelo e carinho, que dias melhores virão.

Aloísio Parreiras
2020-05-23T19:45:15+00:0023/05/2020|