A grande Esperança da Vida Eterna

Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

Estamos celebrando o dia 2 de novembro, dia em que nos recordamos de nossos entes queridos que já deixaram este mundo. Somos chamados a nos lembrarmos deles, mas com a grande esperança da fé, com a certeza de que a morte não tem a última palavra, mas a ressurreição de Jesus Cristo nos dando vida eterna.

Papa Francisco, na Spes non confundit, nos ajuda a refletir sobre a esperança da vida eterna: «Jesus morto e ressuscitado é o coração da nossa fé. São Paulo, ao enunciar este conteúdo em poucas palavras (usa só quatro verbos), transmite-nos o “núcleo” da nossa esperança. “Transmiti-vos, em primeiro lugar, o que eu próprio recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas e depois aos Doze” ( 1 Cor 15, 3-5). Cristo morreu, foi sepultado, ressuscitou, apareceu. Por nós, passou através do drama da morte. O amor do Pai ressuscitou-O na força do Espírito, fazendo da Sua humanidade as primícias da eternidade para a nossa salvação.

A esperança cristã consiste precisamente nisto: face à morte onde tudo parece acabar, através de Cristo e da Sua graça que nos foi comunicada no Batismo, recebe-se a certeza de que “a vida não acaba, apenas se transforma” para sempre. Com efeito, sepultados juntamente com Cristo, no Batismo, recebemos n’Ele, ressuscitado, o dom duma vida nova, que derruba o muro da morte, fazendo dela uma passagem para a eternidade”. […] Então, o que será de nós depois da morte? Com Jesus, além deste limiar, há a vida eterna, que consiste na plena comunhão com Deus, na contemplação e participação do Seu amor infinito. Tudo o que agora vivemos na esperança, vê-lo-emos então na realidade.

A propósito, escreveu Santo Agostinho: “Quando me unir a Vós com todo o meu ser, não existirá para mim em lado algum dor e tristeza. A minha vida será uma vida verdadeira, totalmente cheia de Vós”.  Então, o que caracterizará tal plenitude de comunhão? O ser feliz. A felicidade é a vocação do ser humano, uma meta que diz respeito a todos. Mas, o que é a felicidade? Que felicidade esperamos e desejamos? Não uma alegria passageira, uma satisfação efêmera que, uma vez alcançada, volta sempre a pedir mais, numa espiral de avidez em que o espírito humano nunca se encontra saciado, antes sente-se cada vez mais vazio. Precisamos duma felicidade que se cumpra definitivamente naquilo que nos realiza, ou seja, no amor, para se poder dizer já agora: sou amado, logo existo; e existirei para sempre no Amor que não desilude e do qual nada e ninguém me poderá separar.

Recordemos ainda as palavras do Apóstolo: “Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem as potestades, nem a altura nem o abismo, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, Senhor nosso” (Rm 8, 38-39)» (Papa Francisco, Spes non confundit, nn. 20-21).