ACN fortalece a missão da Igreja e leva ajuda aos cristãos perseguidos em mais de 140 países

Fundação Pontifícia celebrou, em Brasília, o 12º Dia de Oração pelos Cristãos Perseguidos e destacou a importância da oração, da solidariedade e do apoio às comunidades que sofrem por causa da fé.

A Igreja Católica recordou, na quinta-feira (6), o 12º Dia de Oração pelos Cristãos Perseguidos, uma iniciativa promovida pela Fundação Pontifícia ACN (Ajuda à Igreja que Sofre), com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em Brasília, a data foi marcada pela celebração da Santa Missa na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, presidida pelo Cardeal Paulo Cezar Costa, Arcebispo Metropolitano de Brasília.

A celebração reuniu representantes da ACN Nacional e Internacional, benfeitores e fiéis que se uniram em oração pelos milhões de cristãos que, em diferentes partes do mundo, enfrentam perseguição, violência, discriminação, deslocamentos forçados, sequestros, prisões e até a morte por causa da fé.

Após a Santa Missa, Ana Manente, presidente da ACN Brasil; Regina Lynch, presidente da ACN Internacional; e Valter Callegari, diretor da ACN Brasil, estiveram com o Arcebispo de Brasília para um momento de diálogo sobre a atuação da Fundação Pontifícia e os desafios enfrentados pelas comunidades cristãs em situação de sofrimento.

“A escolha do dia 6 de agosto para a iniciativa da ACN recorda um dos episódios mais dolorosos da perseguição religiosa contemporânea. Na noite de 6 de agosto de 2014, mais de 100 mil cristãos foram obrigados a abandonar suas casas na Planície de Nínive, no norte do Iraque, diante do avanço do grupo Estado Islâmico. Famílias inteiras deixaram suas casas às pressas, levando consigo poucos pertences. O episódio se tornou um dos símbolos da perseguição religiosa enfrentada por comunidades cristãs no Oriente Médio”, explicou Ana Manente, presidente da ACN Brasil.

A realidade, porém, continua marcada por novos episódios de violência. Em diferentes regiões da África, da Ásia e do Oriente Médio, comunidades cristãs seguem enfrentando ataques, discriminação, deslocamentos forçados e outras formas de perseguição. Mais informações sobre a atuação da Fundação Pontifícia ACN, os projetos apoiados e as formas de colaboração podem ser encontrados no site da instituição. (Clique aqui!)

Cardeal Paulo Cezar: “Quando um irmão sofre por causa da fé, toda a Igreja é chamada a se solidarizar”

O Cardeal Paulo Cezar Costa destacou a importância da atuação da ACN e recordou que a liberdade religiosa não é uma realidade vivida por todos os cristãos. Para o Arcebispo de Brasília, a situação dos cristãos perseguidos deve tocar o coração de toda a Igreja e despertar uma atitude concreta de oração e solidariedade.

“É fundamental este trabalho realizado pela ACN, porque muitos dos nossos irmãos e irmãs não têm liberdade religiosa e sofrem exatamente por testemunharem a beleza do Evangelho. Eles permanecem fiéis a Cristo mesmo diante da violência, da perseguição e de tantas dificuldades. Quando um cristão sofre por causa da sua fé, não podemos permanecer indiferentes, porque somos membros do mesmo Corpo de Cristo.”

O Arcebispo de Brasília ressaltou ainda que a oração pelos cristãos perseguidos recorda à Igreja sua vocação de permanecer próxima daqueles que sofrem. “A oração nos faz atravessar as fronteiras e nos coloca em comunhão com aqueles que, muitas vezes, estão distantes geograficamente, mas permanecem muito próximos de nós pela fé. Precisamos rezar por esses nossos irmãos, mas também conhecer a realidade que eles vivem e ajudá-los concretamente. A fé que recebemos como dom também nos chama à responsabilidade e à solidariedade.”

Segundo Dom Paulo, iniciativas como o Dia de Oração pelos Cristãos Perseguidos ajudam a comunidade católica a reconhecer que a liberdade de professar a fé é um dom que deve ser valorizado e defendido. “Nós temos a graça de poder celebrar a Eucaristia, anunciar o Evangelho, formar nossas famílias na fé e professar publicamente aquilo em que acreditamos. Há irmãos nossos que não possuem essa mesma liberdade. Por isso, a nossa liberdade deve nos tornar ainda mais responsáveis por aqueles que sofrem. Que a nossa oração seja acompanhada pela caridade e por um compromisso concreto com a vida e com a missão da Igreja.”

Durante a conversa, Ana Manente ressaltou que a missão da Fundação está diretamente ligada ao cuidado com os cristãos que vivem em lugares onde professar a fé pode representar um risco. “A ACN é uma Fundação Pontifícia diretamente ligada ao Santo Padre, o Papa. Ajudamos a Igreja nos lugares onde ela mais sofre. Seja por miséria, por catástrofe, como ocorrido na Venezuela, por exemplo, seja por perseguição religiosa. Nós temos 24 escritórios espalhados pelo mundo que ajudam a captar recursos para apoiar projetos no mundo todo. A cada ano a gente apoia mais de cinco mil projetos, em 140 países”, explicou.

Ana Manente também destacou a experiência pessoal que teve ao conhecer mais profundamente a realidade dos cristãos perseguidos e afirmou que essa realidade transformou sua maneira de compreender a própria fé. “Ficamos felizes ao encontrar alguns benfeitores da ACN da região que vieram participar conosco. Conhecer a ACN mudou a dimensão da minha fé. Eu e minha família sempre fomos da Igreja, mas eu desconhecia a realidade dos cristãos perseguidos.”

Segundo ela, o relatório mais recente da instituição aponta que 62 países não garantem liberdade religiosa, realidade que atinge uma parcela significativa da população mundial. “Então, a ACN amadureceu a minha fé, o meu olhar e alargou o meu coração e a minha responsabilidade. Nós que vivemos no Brasil e temos a minha liberdade, não só para participar da Missa sem o receio de ser assassinado e deixar os nossos filhos órfãos, mas de poder falar e ensinar a nossa fé, precisamos agarrar a nossa liberdade, rezar e ajudar aqueles que não podem ter a mesma liberdade”, disse.

A presidente da ACN Brasil explicou ainda que o apoio oferecido pela Fundação alcança necessidades concretas das comunidades perseguidas, desde a formação de agentes de evangelização até meios de transporte e estruturas de proteção. “Ajudar por meio de uma doação, a ACN chega aonde esses cristãos estão. A ACN ajuda na formação de seminaristas, sacerdotes, catequistas. Ajuda a dar o meio de transporte. Por exemplo, os padres andavam de bicicleta, mas quando os terroristas chegavam, eles não conseguiam escapar. Então, eles precisam ter carros para fugir.”

Para Ana Manente, conhecer essa realidade é fundamental para despertar a oração e a solidariedade. “Sem conhecer, a gente não reza. Sem conhecer, não tem motivo para mover o coração para fazer uma doação. Então, eu convido todos a conhecerem a ACN. Temos testemunhos de todos os lugares do mundo.”

Benfeitores que transformam solidariedade em missão

A atuação da ACN também conta com a colaboração de pessoas que, ao longo dos anos, se tornam benfeitoras da instituição. Em Brasília, Sônia Monteiro participa há cerca de 30 anos e encontrou na história da própria família a inspiração para continuar apoiando os cristãos perseguidos.

Segundo ela, seu pai foi quem iniciou a contribuição para a ACN. Ainda jovem, Sônia perguntou por que ele ajudava pessoas que estavam tão distantes. “Nós somos católicos, cristãos. Precisamos ajudar, porque os cristãos no mundo inteiro são perseguidos”, disse o pai dela na época. Então, após o falecimento do pai, Sônia decidiu dar continuidade ao compromisso.

“Depois que ele faleceu, eu continuei a caminhada como benfeitora. Assim como eu, espero que outras pessoas possam se tornar benfeitoras, pois essas pessoas realmente precisam do nosso apoio para que possam viver a fé”, afirmou.