Catequese: Papa frisa que a Igreja é chamada a não ser indiferente às dores e aos desafios do mundo

Ao aprofundar a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, Pontífice destaca que a Igreja deve escutar a humanidade, discernir os sinais dos tempos e servir especialmente aqueles que sofrem.

A Audiência Geral desta quarta-feira (02) voltou à Praça São Pedro, no Vaticano, após quatro semanas sendo realizada na Basílica Vaticana. Diante de cerca de 15 mil fiéis, o Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses dedicado aos documentos do Concílio Vaticano II e iniciou a reflexão sobre a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, que aborda a relação da Igreja com o mundo contemporâneo.

O documento conciliar apresenta como uma das principais missões da Igreja a proximidade com a humanidade e seus desafios. Logo no início, a Gaudium et Spes afirma que as “alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem” também são experimentadas pela Igreja.

Segundo o Papa, essa atitude de proximidade não significa apenas observar os acontecimentos, mas assumir uma postura ativa diante da realidade.“Essa partilha com a humanidade é o caminho que Cristo pede à Igreja”, afirmou.

O Pontífice ressaltou que a Igreja não pode permanecer passiva ou indiferente diante das transformações e dos sofrimentos presentes na sociedade, sendo necessário desenvolver uma escuta atenta e uma disposição para se deixar interpelar pelas situações concretas vividas pelas pessoas.

“É uma partilha que nos convida a sair de toda a passividade e indiferença perante os acontecimentos, a história e a vida das pessoas, sobretudo perante a mudança rápida e profunda que hoje vivemos. Não é possível permanecer como espectadores desinteressados; pelo contrário, é preciso escutar com o coração, deixar-se interpelar, envolver-se”, destacou.

Ao aprofundar a reflexão, o Santo Padre recordou que a Gaudium et Spes convida os cristãos a se aproximarem especialmente daqueles que enfrentam situações de injustiça, discriminação e violência. Nesse contexto, o Papa retomou um dos ensinamentos centrais da Constituição Pastoral: o dever da Igreja de “investigar a todo o momento os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho”.

Para o Pontífice, essa atitude exige uma Igreja capaz de olhar para as transformações do mundo com discernimento, reconhecendo tanto os avanços quanto as contradições presentes na sociedade. Entre os exemplos, citou o desenvolvimento científico e tecnológico, que amplia as possibilidades da humanidade, mas nem sempre beneficia a todos de maneira igual. Também mencionou a distribuição desigual das riquezas, os desafios ambientais e a dificuldade de abandonar formas de consumo marcadas pelo egoísmo.

Outro ponto destacado pelo Papa foi a violência e a guerra. O Pontífice chamou atenção para a necessidade de superar a ilusão de que os conflitos armados possam constituir um caminho eficaz para alcançar a paz.

Uma Igreja a serviço da humanidade

Ao concluir a Catequese, o Papa afirmou que, diante de um mundo marcado por rápidas transformações e desequilíbrios, a Igreja é chamada a colocar-se a serviço do ser humano. Para isso, deve escutar e acolher as perguntas mais profundas do coração humano, seus anseios e suas esperanças, apresentando Cristo como centro da existência e da história.

“A Igreja é chamada a servir o ser humano, escutando e acolhendo as questões mais profundas do seu coração e os anseios que nele habitam, indicando em Cristo ‘a chave, o centro e o fim de toda a história humana’”, afirmou, citando a Gaudium et Spes.

Ao final, o Santo Padre deixou um convite para que a Igreja seja reconhecida pela proximidade com as pessoas e pelo testemunho do Evangelho. “Queridos irmãos e irmãs, que a alegria e a esperança – gaudium et spes – sejam as características distintivas de uma Igreja que anuncia e testemunha o Evangelho, aproximando-se das mulheres e dos homens do nosso tempo”, concluiu.

Com foto, vídeo e informações do Vatican News.