Catequese: Papa ressalta que música não é decoração, mas expressão de oração e comunhão na liturgia

Durante a Audiência Geral desta quarta-feira (19), o Pontífice refletiu sobre a música sacra e destacou sua importância para a participação dos fiéis, a unidade da Igreja e a vivência do mistério celebrado.

A música sacra foi o tema da Catequese do Papa Leão XIV durante a Audiência Geral desta quarta-feira (19), realizada pela terceira semana consecutiva na Basílica de São Pedro. O encontro deu continuidade ao ciclo de catequeses dedicado à Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II. Desta vez, o Pontífice aprofundou o sexto capítulo do documento, dedicado à música na liturgia.

Ao iniciar sua reflexão, o Santo Padre recordou que o Concílio Vaticano II considera a tradição musical da Igreja como “um tesouro de inestimável valor” e afirma que o canto sagrado, quando unido ao texto, constitui parte necessária ou integrante da liturgia solene.

O Papa ressaltou que a música não deve ser compreendida como um elemento meramente decorativo da celebração, mas como parte da própria ação litúrgica. “A música, de fato, faz parte da ação litúrgica e não é mera decoração da celebração. Na liturgia, cantar e tocar significa rezar, sintonizando o próprio coração com o das irmãs e dos irmãos e com Deus, na participação ativa no mistério celebrado.”

O Pontífice explicou que a música expressa também a dimensão afetiva da oração e recordou a conhecida afirmação de Santo Agostinho: “Cantare amantis est”, ou seja, “cantar é próprio de quem ama”. Segundo o Pontífice, essa experiência ajuda a abrir o coração à ação de Deus e a permitir que a graça transforme a vida.

O canto também possui uma dimensão comunitária. Conforme destacou o Papa, a união das vozes favorece a união dos espíritos, supera diferenças e reúne os fiéis no louvor a Deus. “É uma epifania da Igreja, uma manifestação tangível da comunhão que pertence à sua própria natureza”, afirmou.

Ao abordar a escolha das músicas, o Papa Leão XIV destacou que elas devem estar de acordo com o momento litúrgico, para além de modas ou sensibilidades particulares. O Santo Padre ressaltou ainda que a forma musical deve ser “nobre e simples”, apresentar qualidade e, ao mesmo tempo, ser acessível à participação da assembleia. O mesmo cuidado deve ser aplicado aos textos utilizados nas celebrações.

“O Concílio recomenda que também os textos sejam adequados, profundos e, ao mesmo tempo, de fácil compreensão, inspirados principalmente na Sagrada Escritura, nos livros litúrgicos e na Tradição espiritual da Igreja.” Nesse sentido, o Pontífice recordou a relação entre a oração e a fé expressa no princípio lex orandi, lex credendi — “a lei da oração é também a lei da fé”. O Papa afirmou que a música litúrgica contribui diretamente para manter viva essa dinâmica na vida da Igreja.

Participação dos fiéis e silêncio

Papa Leão XIV também refletiu sobre a participação ativa dos fiéis na liturgia. Para o Pontífice, essa participação nasce de uma maior consciência do mistério celebrado e de sua relação com a vida cotidiana.

Ao tratar especificamente da música, recordou que a Sacrosanctum Concilium propõe diferentes formas de participação, como as aclamações, respostas, salmodias, antífonas e cânticos, mas também valoriza o “silêncio sagrado”.

O Pontífice destacou ainda a importância atribuída pelo Concílio ao canto gregoriano, sem excluir outras formas de música sacra. Também mencionou o órgão e ressaltou que outros instrumentos podem ser utilizados, desde que sejam adequados ao culto, respeitem a dignidade do espaço sagrado e contribuam para a edificação dos fiéis.

Tradição e diversidade cultural

Outro ponto abordado na Catequese foi a relação entre música sacra e cultura. O Pontífice recordou que o Concílio Vaticano II reconhece a importância das tradições musicais dos diferentes povos, considerando sua presença na vida religiosa e social das comunidades.

O Papa também destacou a missão dos compositores de música sacra, chamados a preservar o patrimônio musical da Igreja e, ao mesmo tempo, produzir novas composições que dialoguem com as sensibilidades contemporâneas e as diferentes tradições culturais.

“O compositor de música sacra é chamado a conhecer e a preservar o património musical da Igreja, deixando-se inspirar por ele para dar vida a novas composições ao serviço da liturgia, no respeito pela sensibilidade contemporânea e pelas diversas tradições culturais.”

Formação para músicos e cantores

Ao concluir a Catequese, o Papa Leão XIV reforçou a necessidade de uma formação adequada em música sacra nos seminários, noviciados, casas de formação religiosa, institutos e escolas católicas. O Pontífice também destacou a importância de oferecer aos músicos e cantores uma sólida formação litúrgica.

Para encerrar, o Pontífice recordou o ensinamento dos Padres da Igreja sobre o canto como expressão da comunhão eclesial e citou Santo Inácio de Antioquia: “Vós, um por um, tornai-vos um coro a fim de que, harmoniosos no acorde e assumindo a tonalidade de Deus na unidade, canteis em uníssono por meio de Jesus Cristo ao Pai.”

Com a reflexão, o Papa Leão XIV reforçou que a música litúrgica está profundamente ligada à oração, à participação dos fiéis e à comunhão da Igreja, contribuindo para que a assembleia entre mais profundamente no mistério celebrado.

Confira no vídeo abaixo a Audiência Geral desta quarta-feira (19):

Com foto, vídeo e informações do Vatican News.