Na manhã desta quinta-feira (02/04), a Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida reuniu o clero e os fiéis da Arquidiocese de Brasília para a solene celebração da Missa do Crisma e bênção dos Santos Óleos.
A celebração foi presidida pelo Cardeal Paulo Cezar Costa, Arcebispo da Arquidiocese de Brasília, e concelebrada pelos Bispos auxiliares Dom Antonio de Marcos, Dom Denilson Geraldo, Dom Ricardo Hoepers e Dom Vicente Tavares, além do Arcebispo do Ordinariado Militar, Dom Marcony Vinícius Ferreira, Dom José Ronaldo Ribeiro, Bispo Emérito da Diocese de Formosa, Cardeal Dom João Braz de Aviz, Dom Fernando Guimarães, Presidente do Tribunal Eclesiástico de Brasília, e todo o Clero arquidiocesano.
A celebração do Crisma, também conhecida como Missa dos Santos Óleos, é uma das mais significativas do calendário litúrgico da Igreja, tradicionalmente realizada durante a Semana Santa. Durante a Santa Missa, os sacerdotes renovaram suas promessas sacerdotais diante do Arcebispo, reafirmando o compromisso de serviço ao povo de Deus.
Durante a celebração foram abençoados o óleo dos catecúmenos e o óleo dos enfermos, além da consagração do Santo Crisma. Esses óleos são utilizados ao longo do ano nas paróquias e comunidades da Arquidiocese, nos sacramentos do Batismo, Crisma, Unção dos Enfermos e na Ordenação Sacerdotal.

O rito expressa a unidade da Igreja em torno do Arcebispo e manifesta a missão de santificar o povo de Deus. A partir da catedral, igreja-mãe da Arquidiocese de Brasília, os óleos serão distribuídos às paróquias, tornando-se sinais concretos da graça divina na vida dos fiéis.
Em sua homilia, o Cardeal Paulo Cezar Costa destacou o caminho pastoral da Arquidiocese de Brasília, enfatizando a importância de uma Igreja que conduza à experiência do mistério de Deus. “Na nossa amada Arquidiocese estamos buscando edificar uma Igreja Mistagógica, Sinodal e Missionária. Neste ano nos dedicaremos mais à Mistagogia. Vivemos num ambiente cultural que denominamos cultura ocidental, com um endereço praxista, toda dirigida ao fazer, ao produzir, ao operar; que, em contrapartida, gera uma necessidade de silêncio, de escuta, de respiro contemplativo. É o respiro do coração que necessita daquele que o criou, pois só no diálogo amoroso da oração, da contemplação se pode experimentar o coração aquecido pelo amor de Deus. A mistagogia nos mostra que com o mistério pessoal de Deus se entra em relação. Chegou o tempo em que a Igreja deve ser aquela comunidade que ajuda os homens e mulheres do nosso tempo a fazerem uma experiência do mistério de Deus, experiência que dá sentido à existência, que ilumina as grandes decisões da vida, que dá sentido ao viver, ao morrer. Deus é um mistério pessoal ao qual o homem de hoje é chamado a fazer um encontro pessoal, encontro que muda a vida, transforma a existência”, explicou o Cardeal.
Dirigindo-se de modo especial aos sacerdotes, o Arcebispo reconheceu os desafios e a entrega do ministério presbiteral, agradecendo pela dedicação de cada um em suas comunidades. “Reconheço que a nossa vida de presbíteros é pesada. Vivemos no mundo sem ser do mundo. A Presbiterorum Ordinis, afirma esta dicotomia da vida do presbítero: ‘… Não poderiam ser ministros de Cristo se não fossem testemunhas e dispensadores duma vida diferente da terrena, e nem poderiam servir os homens se permanecessem alheios à sua vida e às suas situações. O seu próprio ministério exige, por um título especial, que não se conformem a este mundo; mas exige também que vivam neste mundo entre os homens e, como bons pastores, conheçam as suas ovelhas e procurem trazer aquelas que não pertencem a este redil, para que também elas ouçam a voz de Cristo e haja um só rebanho e um só pastor’. É a realidade da vida do presbítero. O nosso povo, meus amados presbíteros, reconhece a vossa doação, o vosso desgastar a vida com alegria fazendo a diferença na vida de nossas paróquias e comunidades. O vosso ministério comporta uma vida de sacrifício. Obrigado pela vossa doação alegre, bonita e generosa. Obrigado, por estarem comigo, desgastando a vida com alegria”, agradeceu.
Ao explicar o significado dos óleos abençoados e consagrados, o Cardeal ressaltou a dimensão sacramental da Igreja. ” Este rito sublinha o mistério da Igreja como sacramento global de Cristo, que santifica todas as realidades e situações de vida. Com o óleo dos catecúmenos serão ungidos os que lutam contra o espírito do mal mediante o caminho batismal. O óleo dos enfermos para aqueles que vivem a doença, “completando em sua carne o que falta à paixão de Cristo”. Com o Santo Crisma a Igreja unge com o Espírito os batizados, os Crismados e consagra as mãos e cabeças dos ordinandos. Da Igreja mãe da Arquidiocese, a nossa catedral, se espalha para toda a nossa amada arquidiocese, através deste gesto, a riqueza e fecundidade do nosso ministério que será sentido e vivido através da celebração dos sacramentos nas nossas paróquias e comunidades. Que o Espírito que conduziu Jesus, nos conduza hoje, pastores e rebanho, a sermos uma Igreja que não só fala de Deus, mas conduz o nosso amado povo a viver uma relação pessoal e comunitária com o mistério Santo de Deus, uma Igreja Mistagógica”, finalizou.
A Missa do Crisma reafirma, assim, a comunhão da Igreja local, fortalecendo a missão evangelizadora e renovando o compromisso de todos, Bispos, sacerdotes e leigos, com a vivência da fé e o testemunho do Evangelho, não apenas na Igreja Particular de Brasília, mas em todos os lugares ao redor do mundo.
A transmissão completa da Santa Missa pode ser conferida no vídeo abaixo: