Entre os principais encaminhamentos estão a elaboração de novos subsídios formativos, a produção de materiais audiovisuais sobre temas emergentes e o estudo da possibilidade de um novo documento de bioética, a ser submetido ao Conselho Permanente da CNBB.
A Comissão tem como missão assessorar a Presidência da CNBB e os bispos do Brasil diante dos desafios éticos relacionados à defesa e à promoção da vida humana. É presidida pelo bispo auxiliar de Curitiba, dom Reginei Modolo, e conta com a colaboração de professores de universidades católicas, membros da Associação Brasileira de Médicos Católicos, do Conselho Nacional de Saúde, da Associação dos Juristas Católicos, entre outros especialistas.
A Igreja como referência ética
Na abertura do encontro, o presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, destacou o papel da Igreja como referência ética em um contexto marcado por profundas transformações culturais. Segundo ele, a ética diz respeito à “casa do humano”, ou seja, à forma como a sociedade compreende e protege a dignidade da pessoa.
“Compreender a casa do humano tornou-se hoje um grande desafio para toda a sociedade. Vivemos uma crise antropológica profunda, na qual valores que sustentaram nossa cultura estão sendo questionados”, afirmou. Dom Jaime ressaltou ainda que, apesar das críticas, a Igreja continua sendo reconhecida socialmente como uma reserva ética. “Isso nos traz uma grande responsabilidade. A sociedade ainda espera da Igreja uma palavra consistente, psicologicamente, filosoficamente e eticamente fundamentada”, disse, mencionando também os desafios apresentados por temas como a inteligência artificial.
“A vida é sempre um bem”
Presidente da Comissão Especial de Bioética, dom Reginei Modolo, bispo auxiliar de Curitiba, conhecido como dom Zico, reforçou que a missão central da Comissão é afirmar, em todas as circunstâncias, o valor inviolável da vida humana.
“Nossa missão é concretizar aquilo que o Dicastério para a Doutrina da Fé nos recorda: a vida é sempre um bem. Independentemente da idade, da condição social, da origem ou da situação de vulnerabilidade, toda vida precisa ser cuidada e defendida”, explicou.
Segundo ele, o trabalho da Comissão envolve tanto a formação e a conscientização quanto a tomada de posições públicas sempre que a dignidade humana se vê ameaçada. “Percebemos o risco de algumas vidas serem consideradas menos importantes ou descartáveis. Queremos atuar para que isso não aconteça, promovendo uma visão positiva e integral da vida”, acrescentou.
Perspectivas e encaminhamentos
Para os próximos anos, a Comissão Especial de Bioética pretende intensificar a produção de vídeos e materiais formativos sobre temas prioritários, além de acompanhar propostas legislativas que possam fragilizar a proteção da vida humana.
Também está prevista uma maior articulação com a Pastoral Familiar e outros organismos eclesiais, ampliando o alcance das orientações bioéticas nas dioceses. A Comissão continuará, ainda, oferecendo pareceres técnicos solicitados pela Presidência da CNBB e pelos bispos diante de situações específicas.
Entre os projetos em estudo está a elaboração de um novo documento de bioética, com o objetivo de atualizar e orientar a atuação da Igreja no Brasil frente aos desafios contemporâneos.
“Nosso serviço é ajudar a Igreja a anunciar, de forma concreta, a beleza do Evangelho da vida, especialmente nos contextos em que ela se encontra mais ameaçada”, concluiu dom Reginei.
Ao longo do encontro, os membros da Comissão também vivenciaram momentos de oração e participaram da celebração da Santa Missa, junto aos colaboradores da sede da CNBB.
Com foto e informações da CNBB.