Este é o Meu Filho Amado

Neste domingo, celebramos o batismo do Senhor. O texto bíblico (Mt 3, 13-17) coloca diante de nós aquele mistério que aconteceu no Rio Jordão, quando Jesus, sem ter pecado, se submeteu ao rito penitencial de João Batista. Batizado, Jesus recebe o Espírito, é ungido com o Espírito santo e desenvolverá todo o seu ministério na força do Espírito. Bento XVI nos ajuda a entrarmos no seu significado:

“É uma ocasião para recordarmos, também, o nosso batismo. Com a hodierna festa do Batismo de Jesus encerra-se o tempo litúrgico do Natal. O Menino, que os Magos, vindos do Oriente, foram adorar em Belém levando os seus dons simbólicos, encontramo-lo agora adulto, no momento em que se faz batizar no rio Jordão pelo grande profeta João (cf. Mt 3, 13). Observa o Evangelho que, quando Jesus, tendo recebido o batismo, saiu da água, abriram-se os céus e desceu sobre Ele o Espírito Santo sob forma de pomba (cf. Mt 3, 16). Ouviu-se uma voz do céu que dizia: ‘Este é o Meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência’ (Mt 3, 17). Aquela foi a sua primeira manifestação pública, depois de cerca de trinta anos de vida escondida em Nazaré. Testemunhas oculares do singular acontecimento foram, além do Batista, os seus discípulos, alguns dos quais se tornaram a partir daquele momento seguidores de Cristo (cf. Jo 1, 35-40). Tratou-se contemporaneamente de cristofania e teofania: antes de tudo Jesus manifestou-se como o Cristo, palavra grega para traduzir o hebraico Messias, que significa ‘ungido’: Ele não foi ungido com óleo à maneira dos reis e dos sumos sacerdotes de Israel, mas com o Espírito Santo. Ao mesmo tempo, juntamente com o Filho de Deus apareceram os sinais do Espírito Santo e do Pai celeste.

“Qual é o significado deste ato, que Jesus quis realizar — vencendo a resistência do Batista — para obedecer à vontade do Pai (cf. Mt 3, 14-15)? O sentido profundo só sobressairá no final da vicissitude terrena de Cristo, isto é, na sua morte e ressurreição. Fazendo-se batizar por João juntamente com os pecadores, Jesus começou a assumir sobre si o peso da culpa da humanidade inteira, como Cordeiro de Deus que ‘tira’ o pecado do mundo (cf. Jo 1, 29). Obra que Ele cumpriu na cruz, quando recebeu também o seu ‘batismo’ (cf. Lc 12, 50). De fato, ao morrer ‘imergiu-se’ no amor do Pai e efundiu o Espírito Santo, para que os crentes n’Ele pudessem renascer daquela fonte inexaurível de vida nova e eterna. Toda a missão de Cristo se resume nisto: batizar-nos no Espírito Santo, para nos libertar da escravidão da morte e nos ‘abrirmos para o céu’, isto é, o acesso à vida verdadeira e plena, que será ‘um incessante mergulhar na vastidão do ser, ao mesmo tempo que ficamos simplesmente inundados pela alegria’ (Spe Salvi, 12)”. (Bento XVI, Angelus de 13 de janeiro de 2008)

Que esta festa nos ajude a rememorar o nosso batismo, o mistério que aconteceu em nós, naquele dia. Foi o dia em que fomos libertados do pecado, nos tornamos filhos de Deus, fomos inseridos na grande família dos filhos de Deus, a Igreja. Que esta celebração nos ajude a vivermos a condição de filhos de Deus, na Igreja.