Exercícios Espirituais da Quaresma: 6ª meditação reflete sobre as quedas e a vigilância interior

Na sexta meditação dos Exercícios Espirituais da Quaresma no Vaticano, o Bispo Erik Varden dirigiu sua reflexão ao Papa Leão XIV, aos cardeais residentes em Roma e aos chefes dos Dicastérios.

Com o tema “Mil cairão”, o pregador convidou à coragem de enfrentar as quedas humanas à luz da fé e da responsabilidade espiritual. O Bispo recordou que as quedas, em determinadas circunstâncias, podem gerar humildade, revelar a ação salvífica de Deus e tornar-se marcos de um caminho pessoal de conversão, posteriormente lembrados com gratidão. Contudo, advertiu contra qualquer ingenuidade: nem toda queda conduz à alegria. Há quedas que deixam rastros de destruição e sofrimento, atingindo também pessoas inocentes.

Nesse contexto, o bispo evocou a dura realidade da corrupção dentro da Igreja, afirmando que nada prejudicou tanto seu testemunho quanto as feridas causadas por abusos e desvios internos. Trata-se, segundo ele, da crise mais grave enfrentada pela Igreja, cujas consequências exigem tempo para cicatrizar, além de justiça, verdade e lágrimas.

Ao refletir sobre a busca de explicações para tais tragédias, Varden observou que nem sempre é possível identificar sinais claros desde o início. Em alguns casos, comunidades hoje associadas a escândalos nasceram de impulsos autênticos, com traços de verdadeira inspiração e até de santidade. A coexistência entre o bem e o que se deformou ao longo do tempo desafia análises simplistas.

Recorrendo ao pensamento de São Bernardo de Claraval, o pregador destacou que onde há empenho sincero no bem, os ataques espirituais tendem a ser mais intensos. A imagem bíblica da “esquerda” e da “direita” foi interpretada como referência às dimensões carnal e espiritual do ser humano, ambas sujeitas a quedas, especialmente quando a vida espiritual não caminha integrada à maturidade humana.

Varden sublinhou que o crescimento espiritual exige harmonia entre corpo, afetividade e contemplação. Caso contrário, fragilidades podem buscar compensações desordenadas, que acabam sendo justificadas de modo equivocado. A integridade de um mestre espiritual, afirmou, manifesta-se não apenas no discurso e no ensino, mas também nos hábitos cotidianos, nas relações e no uso responsável da própria liberdade.

Concluindo, o bispo recordou que a vida espiritual não é um acréscimo à existência, mas sua própria alma. É preciso evitar todo dualismo e vigiar continuamente as dimensões carnal e espiritual, para que Cristo reine de modo sereno e pleno em toda a pessoa.

Com foto e informações no Vatican News.