Jesus nos convida a fazer uma pergunta decisiva: o que realmente vale a pena na nossa vida? O Evangelho deste domingo (Mt 13,44-52) reúne três pequenas parábolas para falar do Reino dos Céus. São imagens simples, retiradas da experiência cotidiana, mas que revelam uma verdade capaz de transformar toda a existência.
O Reino é comparado, primeiro, a um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e, tomado pela alegria, vende tudo o que possui para comprar aquele campo. Em seguida, Jesus fala do negociante de pérolas preciosas que, ao encontrar uma pérola de grande valor, vende todos os seus bens para adquiri-la. Em ambas as parábolas, o ponto central não é a renúncia, mas a descoberta. Quem se encontrou com Jesus Cristo não sente que perdeu alguma coisa; ao contrário, percebe que encontrou Aquele que dá sentido a tudo o mais. O desprendimento nasce da alegria do encontro, não da obrigação.
Vivemos numa sociedade marcada pela busca incessante de bens, sucesso, prestígio e reconhecimento. Muitas vezes, somos levados a acreditar que a felicidade depende daquilo que acumulamos. Jesus, porém, nos ensina que existe um bem infinitamente maior, diante do qual todas as outras riquezas encontram seu verdadeiro lugar. O Reino de Deus, isto é, a pessoa de Jesus Cristo, é o maior tesouro que alguém pode possuir. Jesus Cristo é Aquele que dá sentido à nossa vida.
É significativo que o Evangelho diga que o homem vende tudo “cheio de alegria”. A experiência cristã autêntica não é feita de tristeza ou de resignação, mas da alegria de quem encontrou o Senhor. Como recordava Santo Agostinho: “Inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em Ti”. Todas as buscas humanas encontram seu descanso quando Deus ocupa o centro da existência.
A terceira parábola, a da rede lançada ao mar, amplia o horizonte. A rede recolhe peixes de toda espécie; somente ao final acontece a separação entre os bons e os maus. Jesus recorda que o Reino já está presente na história, acolhendo homens e mulheres de todas as condições. A Igreja é essa grande rede lançada ao mundo, chamada a anunciar o Evangelho sem excluir ninguém. O julgamento definitivo pertence a Jesus Cristo, Senhor da história. Não nos compete ocupar o lugar do juiz, mas viver com fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo, numa busca constante de santidade, que se manifesta no amor a Deus e ao próximo.
Por fim, Jesus pergunta aos discípulos: “Compreendestes tudo isso?”. Diante da resposta afirmativa, Ele conclui dizendo que o escriba instruído no Reino dos Céus tira do seu tesouro coisas novas e coisas antigas. O Antigo do judaísmo e o Novo do Reino de Deus. O cristianismo não rejeitou o judaísmo, mas, ao contrário, acolheu as Escrituras do Antigo Testamento e abriu horizontes novos numa leitura a partir de Jesus Cristo. Jesus Cristo é o fruto maduro do Antigo Testamento. Novo e velho fazem parte desse depósito.
Que Cristo seja a pérola preciosa pela qual vale a pena viver e orientar todas as nossas escolhas. Peçamos como Salomão (1Rs 3,9) a sabedoria para discernir entre o bem e o mal e, assim, saber colocar os valores do Reino de Deus em primeiro lugar na nossa vida.