Nobel da Paz 2026 é concedido à jurista sul-africana Navi Pillay

Reconhecida pela atuação na defesa dos direitos humanos e no fortalecimento da Justiça internacional, a ex-alta comissária da ONU teve papel importante na luta contra a discriminação racial e na responsabilização por crimes internacionais.

O Prêmio Nobel da Paz de 2026 foi concedido à jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, por sua atuação na defesa dos direitos humanos e no fortalecimento do direito internacional. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (09), pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo, na Noruega.

De origem tamil, Pillay nasceu em 1941, em Durban, na África do Sul. Iniciou sua carreira como advogada durante o regime do apartheid, quando se dedicou ao combate à discriminação racial e à defesa de pessoas perseguidas pelo sistema segregacionista, entre elas Nelson Mandela e outros opositores do regime.

Ao longo de sua trajetória, tornou-se a primeira mulher não branca a integrar a Suprema Corte da África do Sul. Também atuou como juíza do Tribunal Penal Internacional e presidiu o Tribunal Penal Internacional para Ruanda. Entre 2008 e 2014, exerceu o cargo de alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Em 2015, passou a integrar a Comissão Internacional contra a Pena de Morte. Mais recentemente, presidiu a Comissão Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre os Territórios Palestinos Ocupados, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel.

Em relatório divulgado em setembro de 2025, a comissão concluiu que autoridades israelenses haviam cometido atos de genocídio contra a população palestina da Faixa de Gaza. As conclusões foram apresentadas no âmbito do trabalho de investigação conduzido pela comissão da ONU.

Compromisso permanente com os direitos humanos

Mesmo após décadas de atuação, Navi Pillay continua envolvida em iniciativas relacionadas à Justiça internacional. Em uma declaração em vídeo divulgada nas redes sociais por Agnès Callamard, secretária-geral da Anistia Internacional, a jurista comentou que frequentemente é questionada sobre quando pretende encerrar sua trajetória profissional.

Pillay afirmou que segue atuando como juíza ad hoc no processo movido pela Gâmbia contra Mianmar perante a Corte Internacional de Justiça. O caso trata de acusações de genocídio contra a minoria rohingya, perseguida no país asiático.

Sua permanência nessa frente de atuação reforça o compromisso com a responsabilização por violações graves dos direitos humanos e com a aplicação do direito internacional.

Na justificativa para a concessão do Nobel, o Comitê Norueguês destacou a coragem e a integridade de Pillay, ressaltando sua contribuição para o desenvolvimento de uma ordem jurídica internacional mais abrangente.

Segundo o comitê, a jurista desempenhou papel fundamental no fortalecimento dos mecanismos destinados a julgar crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio. A instituição também enfatizou sua firme orientação moral e sua adesão aos princípios fundamentais da Justiça ao longo de toda a carreira.

O reconhecimento destaca a importância de instituições internacionais capazes de investigar violações, responsabilizar seus autores e defender os direitos fundamentais, independentemente das circunstâncias políticas.

Após o anúncio, o presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, afirmou que a escolha de Pillay representa uma mensagem àqueles que atacam ou enfraquecem o sistema internacional e suas instituições.

Questionado sobre a decisão de premiar uma pessoa, em vez de uma corte ou outro organismo internacional, Frydnes ressaltou que a jurista esteve na linha de frente do desenvolvimento do direito internacional durante décadas e continua comprometida com essa missão.

A escolha também foi celebrada por representantes de organismos internacionais. Em Genebra, Shabia Mantoo, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, destacou a relevância do reconhecimento e a necessidade de ampliar o compromisso com a defesa dos direitos humanos.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também ressaltou a importância da trajetória da jurista, afirmando que sua coragem e clareza moral representam uma referência em um mundo que necessita cada vez mais de Justiça.

A premiação de Navi Pillay coloca em evidência o papel do direito internacional na promoção da paz e na defesa da dignidade humana, especialmente diante dos desafios enfrentados pelas instituições responsáveis por proteger os direitos fundamentais em diferentes partes do mundo.

Com foto e informações do Vatican News.