O Papa Leão XIV recebeu em audiência, na manhã desta segunda-feira (24), no Vaticano, cerca de 70 integrantes do Ordinariato Militar de Portugal, além de representantes das Forças Armadas e das forças de segurança do país. O encontro ocorreu por ocasião dos 60 anos de criação do Vicariato Castrense, posteriormente denominado Ordinariato Castrense, em 1981.
Durante o encontro, realizado na Sala do Consistório, o Pontífice saudou os militares e agentes de segurança, entre cristãos e não cristãos, pertencentes ao Exército, à Força Aérea, à Marinha, à Guarda Nacional Republicana e à Polícia de Segurança Pública.
Ao recordar a missão desempenhada por esses profissionais, o Santo Padre destacou que o serviço militar e de segurança deve estar orientado para a proteção da sociedade, a defesa do Estado de direito e a promoção da justiça.
“Todos os dias, cabe a cada um de vocês a nobre missão de defender a soberania da Pátria e o Estado de direito, zelando pela segurança dos concidadãos e protegendo-os das injustiças.”
Durante seu discurso, o Papa também recordou os dois jovens militares portugueses, de 21 e 22 anos, que morreram na sexta-feira (21), após serem atropelados enquanto prestavam auxílio a um motorista que havia parado na estrada devido a um pneu furado, na região do distrito de Coimbra.
O Papa comparou a atitude dos jovens à do bom samaritano, ressaltando a generosidade demonstrada ao interromperem seu caminho para ajudar o próximo. “Confio-os ao Senhor, junto com as suas famílias”, afirmou o Papa, ao recordar os dois soldados.
Para o Pontífice, o Ordinariato Militar exerce um papel importante não apenas no acompanhamento espiritual dos militares e policiais, mas também na promoção de valores que contribuem para o bem comum. “Possa o Ordinariato, dando sua inestimável contribuição para o bem espiritual e para o conhecimento dos valores cristãos, continuar sendo um espaço de colaboração construtiva com as autoridades estatais, governamentais e militares.”
“Sejam fortes no Senhor”
Inspirado na Carta de São Paulo aos Efésios, o Santo Padre convidou os militares a permanecerem “fortes no Senhor”. Para explicar essa força, o Papa recorreu à figura do centurião de Cafarnaum, personagem apresentado nos Evangelhos de Mateus e Lucas.
Segundo o Pontífice, o centurião reunia características valorizadas na vida militar, como disciplina, obediência, responsabilidade, lealdade, coragem e espírito de companheirismo. Ao mesmo tempo, porém, reconhecia seus próprios limites e a necessidade de Deus.
O Papa destacou especialmente a humildade demonstrada pelo centurião diante de Jesus, quando reconheceu que não era digno de recebê-lo em sua casa, mas confiou plenamente em sua palavra. “Por um lado, este militar estava consciente da sua autoridade; por outro lado, mostrou diante do Filho de Deus a força da fé e a coragem da humildade.”
A partir desse episódio, o Papa ressaltou que nenhuma autoridade ou capacidade humana é suficiente por si mesma. “O ser humano, por mais responsabilidade que tenha, por mais poder que exerça, por mais irrepreensível que seja, é sempre faminto de infinito e sedento de eternidade. Ora, o infinito e a eternidade estão ao nosso alcance em Jesus Cristo: são dons do Senhor.”
A missão dos capelães
Ao se dirigir aos capelães militares, o Papa recordou que a Igreja lhes confia uma missão específica de acompanhamento espiritual dos militares e agentes de segurança.
Segundo o Santo Padre, esse trabalho contribui para o crescimento pessoal e para a vivência da fé cristã, além de fortalecer o espírito de corpo entre os integrantes das Forças Armadas e das forças de segurança.
O Pontífice também agradeceu pela proximidade oferecida pelos capelães àqueles que desempenham uma missão considerada importante, exigente e, muitas vezes, marcada por desafios. “A Igreja confia a vocês o crescimento espiritual dos militares e dos policiais da sua Nação.”
Ao concluir, o Papa Leão XIV confiou os militares portugueses à proteção de Nossa Senhora de Fátima, pedindo que ela os acompanhe em suas diferentes missões, tanto em Portugal quanto no exterior.
O encontro reforçou, assim, o chamado para que aqueles que atuam na defesa e na segurança da sociedade exerçam sua autoridade com responsabilidade, espírito de serviço, respeito à dignidade humana e confiança em Deus.
Com foto e informações do Vatican News.