O Papa Leão XIV presidiu a Santa Missa na Basílica de Santa Maria dos Anjos, em Assis, nesta quinta-feira (06), ponto culminante de sua visita à cidade italiana durante o Encontro da Juventude Franciscana 2026, que reuniu milhares de jovens sob o tema “Go!”. Na celebração, o Pontífice convidou os participantes a acolherem o Evangelho com coragem, superando o medo e a resignação para transformar o mundo à luz de Cristo.
Refletindo sobre o Evangelho da festa da Transfiguração do Senhor, o Santo Padre destacou o significado espiritual de Assis como lugar de profunda conversão e renovação. “Estamos em Assis, uma cidade para onde há séculos sobem muitos peregrinos – hoje também nós! –, porque aqui tudo sussurra que a nossa vida pode transformar-se, irradiar luz, reparar o mundo. Foi aqui que teve início a transfiguração de Francisco, de Clara e, depois, de milhares de outros jovens: acolheram o Evangelho sine glossa – sem reservas, diríamos nós – e a vida de Jesus recomeçou neles.”
O Evangelho como resposta aos desafios do presente
O Pontífice afirmou que, em meio às incertezas que marcam o tempo atual, o Evangelho continua oferecendo sentido e direção para a humanidade, e que os cristãos não podem permanecer indiferentes diante da realidade.
“Não se pode permanecer apenas como espectadores. Somos, com efeito, chamados a ler as Escrituras com o Mestre, a interpretar o nosso tempo e a tomar decisões, seguindo o seu percurso. Estamos aqui para vencer a resignação e o medo, para dissipar as dúvidas que também nos detêm, tal como detinham os apóstolos. Jesus chama-nos a dialogar com a sua história, para escrever novas páginas de história.”
O Papa recordou que a Transfiguração revela a esperança de um novo amanhecer para aqueles que permanecem unidos a Deus. Ao mesmo tempo, ressaltou que a espiritualidade franciscana mostra que a verdadeira transformação acontece por meio de relações que geram vida e fraternidade.
Jovens chamados à santidade e à coragem
Ao recordar sua encíclica Magnifica humanitas, o Santo Padre explicou que São Francisco continua inspirando pessoas em todo o mundo porque teve a coragem de abandonar caminhos já conhecidos para seguir radicalmente Jesus Cristo.
O Pontífice afirmou que o testemunho dos santos continua vivo e que a Igreja espera dos jovens uma resposta generosa ao chamado de Deus. “Não estamos sozinhos! A Europa e o mundo inteiro procuram nos jovens de hoje novos santos, que ousam acreditar na palavra do Evangelho, abraçando a ‘irmã pobreza’.”
Em seguida, dirigiu aos participantes um convite missionário: “Go! Ide! Melhor ainda: vamos! Let’s go! Em direção às margens, onde a injustiça e a prepotência de poucos negam a dignidade e os sonhos de muitos, demasiados, filhos e filhas de Deus.”
Um mundo para abraçar
Durante a homilia, o Papa Leão XIV também recordou os ensinamentos do Papa Francisco, ressaltando que o discípulo de Cristo não pode manter distância do sofrimento humano.
Inspirando-se na experiência de São Francisco de Assis, o Papa afirmou que seguir o Evangelho exige romper com a lógica do poder e da exclusão. “Como aconteceu com São Francisco, é possível que não sejamos compreendidos, mesmo pelos da própria casa. No entanto, evitar a cultura do poder e derrubar os muros que separam os seres humanos uns dos outros não é, de forma alguma, trair a família, a cidade ou a tradição, mas sim libertá-las dos seus fantasmas, dos inimigos inventados pelo medo e pela ignorância, da violência com que se quer impor o próprio pequeno ordenamento sobre uma realidade que nos ultrapassa por todos os lados. Confiar em Deus é reencontrar, tal como Francisco e Clara, um mundo de irmãos e irmãs a valorizar e servir, não a explorar nem a dominar. Um mundo não para defender, mas para abraçar.”
Ao concluir a celebração, o Santo Padre exortou os jovens a serem promotores da “civilização do amor” e retomou a tradicional oração atribuída a São Francisco de Assis, acrescentando novas expressões que reforçam o espírito missionário do encontro.
“Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Eis “para onde” ir! Go! Mas, em especial, eis “como” ir:
Ó Mestre, fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe.
É perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se vive para a vida eterna.”
Com foto e informações do Vatican News.