Papa Leão XIV: “A Igreja nunca toma partido, é para todos”

Na abertura do Consistório extraordinário, Pontífice destaca liberdade da fé, compromisso com a paz e obediência à Palavra como caminhos para a missão da Igreja.

O Papa Leão XIV presidiu, na manhã desta sexta-feira (26), a Santa Missa de abertura do Consistório extraordinário, na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Reunidos junto ao túmulo do apóstolo Pedro, cardeais de diversas partes do mundo iniciaram dois dias de reflexão sobre os desafios da Igreja e da sociedade contemporânea, em um caminho marcado pela escuta, pelo discernimento e pela comunhão.

Logo no início da celebração, o Santo Padre convidou os participantes a oferecerem a Deus as realidades que carregam no coração: “as comunidades, os povos, os projetos e as experiências pastorais”, destacando que o encontro deve ser vivido em espírito de profunda entrega e responsabilidade eclesial.

Inspirado pelas leituras do dia e pela proximidade da Solenidade de São Pedro e São Paulo, o Papa apresentou três grandes orientações para os trabalhos do Consistório: viver a liberdade da fé, promover a paz na unidade e fortalecer a concórdia na obediência à Palavra.

A liberdade que nasce em Cristo

Na primeira reflexão, o Pontífice ressaltou que a verdadeira liberdade nasce da comunhão com Cristo. Recordando o testemunho dos apóstolos Pedro e Paulo, afirmou que é a relação viva com o Senhor que liberta do medo, do pecado e fortalece a missão da Igreja.

“A Igreja viva é a Igreja que acredita”, afirmou o Papa, reforçando que a fé é a base de toda ação evangelizadora e que o anúncio do Evangelho, a celebração dos sacramentos e o serviço ao povo de Deus só produzem frutos quando permanecem unidos a Cristo.

A paz como dever de justiça

O segundo eixo da homilia foi dedicado à paz, diante de um cenário mundial marcado por guerras, polarizações e profundas feridas sociais. papa Leão XIV reafirmou que a dignidade humana deve estar no centro de toda construção social e política.

“A guerra nunca é digna do homem e nunca é abençoada por Deus”, declarou com firmeza, alertando para os riscos de uma humanidade que, mesmo dotada de inteligência, ainda recorre à violência para resolver seus conflitos.

O Santo Padre recordou que a paz é uma exigência de justiça e destacou que a humanidade forma uma única família, chamada a construir relações fundamentadas na fraternidade. Ao retomar sua encíclica Magnifica humanitas, o Papa reforçou a necessidade de avançar na construção da “civilização do amor”, expressão marcada pelo pontificado de Paulo VI. Nesse contexto, fez uma importante reafirmação sobre a missão da Igreja no mundo: “Ao anunciar o Evangelho, entre alegrias e perseguições, a Igreja nunca toma partido: é para todos.”

Sinodalidade e escuta como caminho

Na terceira orientação, Papa Leão XIV voltou a destacar a importância da sinodalidade como expressão concreta da vida da Igreja. Para o Pontífice, caminhar juntos exige escuta sincera, obediência ao Espírito Santo e abertura à Palavra viva de Deus.

Segundo o Papa, a implementação do Sínodo convida toda a Igreja a buscar novas formas de anunciar o Evangelho sem perder sua essência, fortalecendo a unidade da fé e o compromisso com a paz.

Ao encerrar a homilia, dirigiu-se aos cardeais com humildade, pedindo colaboração no exercício do ministério petrino e reforçando que a autoridade na Igreja nasce, da escuta. “A ajuda que me podereis prestar encontra em mim alguém que pede, e não alguém que manda”, afirmou.

Com essa mensagem, o Papa reforçou que a comunhão, a colegialidade e a sinodalidade permanecem como pilares fundamentais para a missão evangelizadora da Igreja no mundo atual.

Com foto e informações do Vatican News.