Por ocasião do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, celebrado nesta terça-feira (1º), o Papa Leão XIV fez um apelo à conversão e ao compromisso com a preservação da casa comum. Em uma publicação em sua conta oficial no X, @Pontifex, o Pontífice convidou os cristãos a transformar instrumentos de destruição em meios a serviço da vida e da paz.
A data marca também o início do Tempo da Criação, período ecumênico dedicado à oração, à contemplação e a ações concretas pelo cuidado do meio ambiente. O tempo se estende até 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis, e reúne cristãos de diferentes confissões em torno da responsabilidade pela criação.
O Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação foi instituído em 2015 pelo Papa Francisco. Neste ano, o tema escolhido é “Água viva”, que inspira as comunidades cristãs a refletirem sobre a importância da água, da preservação ambiental e da construção da paz.
Na mensagem publicada nas redes sociais, o Pontífice Leão XIV destacou que o cuidado com a criação começa por uma transformação interior. “Como recordei na Mensagem para este Dia, o cuidado com nossa ‘casa comum’ exige uma conversão do coração, para que aquilo que foi usado para causar destruição possa, em vez disso, ser orientado para a vida”, afirmou.
O Papa também convidou os fiéis a unirem oração e ação para responder aos desafios ambientais e sociais do mundo atual. “Convido a todos a unirem-se em oração e ação, para que possamos tornar-nos canais de água viva da paz de Deus, revigorando o nosso mundo ferido”, acrescentou.
Uma crise ética e cultural
O chamado do Pontífice retoma uma preocupação já apresentada no Angelus do último domingo (30), quando voltou a incentivar a oração e o compromisso concreto com o cuidado da criação e a construção da paz.
Na Mensagem para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, publicada em 20 de agosto, o Papa refletiu sobre as palavras do profeta Isaías: “Forjarão suas espadas em arados e suas lanças em foices”.
Segundo o Santo Padre, as raízes das guerras e da exploração da criação estão ligadas a uma profunda crise ética e cultural. Entre suas causas, apontou a perda do senso de limite, o desejo de domínio, a busca pelo lucro imediato e a incapacidade de reconhecer a dignidade concedida por Deus a cada pessoa. Diante dessa realidade, o cuidado com a criação não pode ser separado da promoção da paz, da justiça e da dignidade humana.
Como parte das celebrações do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, o Papa Leão XIV presidiu, às 18h30, a Missa pela Custódia da Criação, no Jardim da Madonnina do Borgo Laudato si’, nos Jardins Pontifícios de Castel Gandolfo.
A celebração utiliza o formulário da “Missa pela Custódia da Criação”, elaborado em conjunto por diferentes organismos da Santa Sé, entre eles o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, o Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, o Dicastério para a Doutrina da Fé e o Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos.
O formulário havia sido utilizado pela primeira vez pelo Papa em 9 de julho de 2025, também durante uma Missa nos Jardins de Castel Gandolfo. Na ocasião, o Papa Leão XIV chamou a atenção para o “clamor da terra” e o “clamor dos pobres”, ressaltando que ambos chegaram ao coração de Deus e interpelam a humanidade.
O Pontífice também destacou a importância de um olhar contemplativo sobre a criação, capaz de transformar a relação do ser humano com o mundo criado e contribuir para superar a crise ecológica.
A celebração do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação também foi marcada pelo apelo do Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, conhecido por sua atuação em defesa do meio ambiente.
Em sua mensagem, Bartolomeu alertou para o chamado “geocídio”, expressão utilizada para denunciar a exploração da natureza motivada por interesses econômicos e pelo consumismo.
O Patriarca defendeu uma mudança profunda na compreensão do progresso e na relação da humanidade com a natureza. Para ele, a crise ambiental revela também uma crise humana e exige uma transformação na forma como as pessoas compreendem seu lugar na criação.
O Tempo da Criação, assim, apresenta-se como um período de oração, reflexão e compromisso, convidando os cristãos a reconhecerem que o cuidado com a casa comum está diretamente ligado à defesa da vida, à promoção da justiça e à construção da paz.
Com foto e informações do Vatican News.