Após a oração do Angelus, neste domingo (01/02), o Pontífice uniu-se à mensagem divulgada no sábado, 31 de janeiro, pelos Bispos de Cuba, pedindo um “diálogo sincero e eficaz” entre os dois países, capaz de evitar a violência e ações que agravem a situação humanitária na ilha.
Ao recordar a delicada conjuntura vivida pelo país, o Papa confiou o povo cubano à intercessão mariana. “Que a Virgem da Caridade do Cobre assista e proteja todos os filhos daquela amada terra!”, disse, em sintonia com o apelo do episcopado local.
Em mensagem dirigida “a todos os cubanos de boa vontade”, os Bispos da Conferência Episcopal de Cuba expressaram profunda apreensão diante da deterioração social e econômica do país. Os prelados alertam para o risco de um novo colapso social, especialmente após decisões recentes que impactaram o abastecimento energético, e advertem que o perigo de violência interna é real. “Nenhum cubano de boa vontade pode se alegrar com tal cenário”, afirmam.
No texto publicado em 31 de janeiro de 2026, os Bispos dão voz a um sentimento difundido em toda a ilha: “Aqueles que estão atentos e respeitam o sofrimento alheio ouvem constantemente que as coisas não estão bem, que não podemos continuar assim”. Trata-se, sublinham, de um apelo que interpela toda a sociedade, mas sobretudo aqueles que detêm maiores responsabilidades nas decisões para o bem da nação.
Retomando o chamado feito em junho passado por ocasião do Ano Jubilar, o episcopado afirma que a realidade “dolorosa e premente” não apenas não melhorou, como se agravou, intensificando a angústia e o desespero da população.
As recentes notícias sobre a possível interrupção do fornecimento de petróleo ao país acendem um sinal de alerta, sobretudo para os mais vulneráveis. “O risco de caos social e violência entre os filhos de um mesmo povo é real”, alertam os Bispos, reiterando que ninguém de boa vontade desejaria tal desfecho.
Nesse contexto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva declarando estado de emergência nacional diante do que considera uma ameaça cubana à segurança nacional e à política externa dos EUA. O decreto prevê a possibilidade de impor tarifas adicionais a países que forneçam direta ou indiretamente petróleo a Cuba, com o objetivo de restringir o acesso da ilha a produtos petrolíferos e pressionar o governo de Havana. A Casa Branca sustenta que o governo cubano colabora com países e grupos hostis aos Estados Unidos e representa um risco extraordinário.
Diante desse cenário, os Bispos reiteram que Cuba necessita de mudanças “cada vez mais urgentes”, mas não pode suportar “mais angústia e dor”. Em termos claros, pedem que se evitem novas mortes e sofrimentos, sobretudo entre os pobres, idosos, doentes e crianças. Recordam, ainda, as palavras de São João Paulo II em sua visita à ilha, em 1998, quando advertiu que o isolamento tem repercussões indiscriminadas sobre a população, agravando as dificuldades dos mais frágeis.
Em consonância com o ensinamento constante da Santa Sé, o episcopado cubano reafirma que os conflitos devem ser resolvidos pelo diálogo e pela diplomacia, nunca pela coerção. “Porque as pessoas, conversando, se entendem”, afirmam, convencidos de que a boa vontade sempre pode abrir caminhos para a verdade, a justiça e a paz.
Os Bispos destacam também que a dignidade e a liberdade das pessoas não podem ser condicionadas por conflitos externos. Um clima de respeito, pluralismo e participação não enfraquece uma nação; ao contrário, pode favorecer a distensão internacional. Por isso, retomando São João Paulo II, pedem “que o mundo se abra a Cuba” e, ao mesmo tempo, que “Cuba se abra ao seu povo, a todos os cubanos, sem exclusão”.
Por fim, os Bispos asseguram que a Igreja Católica continuará a acompanhar o povo cubano por meio da oração, do anúncio do Evangelho e do serviço, especialmente aos mais vulneráveis. Reafirmam também a disponibilidade para colaborar, quando solicitados, na criação de espaços de encontro e cooperação em favor do bem comum.
Em comunhão com o Papa Leão XIV, recordam suas palavras no início do pontificado: “Esta é a hora do amor!” e, confiando Cuba à intercessão da Virgem da Caridade do Cobre, concluem com um último apelo: que prevaleçam a razão e o bom senso, para que todos os filhos dessa terra possam viver “aqui em paz, com dignidade e felicidade”.
Com foto e informações do Vatican News.