O testemunho do Cristão

V Domingo do Tempo Comum

O Evangelho deste domingo (Mt 5, 13-16) coloca diante de nós o testemunho do discípulo de Jesus Cristo. Jesus indica para os discípulos e para a Igreja um caminho bem claro de ação no mundo: o do testemunho. O testemunho é fundamental pois revela a verdade de uma vida, de uma opção clara por Jesus Cristo e pelo Seu Evangelho. Por isso, São Paulo VI afirma: «… para a Igreja, o testemunho de uma vida autenticamente cristã, entregue nas mãos de Deus, numa comunhão que nada deverá interromper, e dedicada ao próximo com um zelo sem limites, é o primeiro meio de evangelização. “O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres – dizíamos ainda recentemente a um grupo de leigos –, ou então se escutam os mestres é porque eles são testemunhas”» (Evangelii Nuntiandi, 41).

Jesus usa a imagem do sal e da luz, identificando o cristão com o sal da terra e a luz do mundo. A imagem do sal aparece em Mc 9,50 e em Lc 14, 34.  O sal serve para salgar, dar sabor, proteger os alimentos da decomposição.  O sal indica a importância dos discípulos de Jesus Cristo no mundo e a missão que possuem: testemunhar Jesus Cristo e o Seu Evangelho.  A vida do discípulo de Jesus Cristo, o seu testemunho por meio das pequenas e grandes atitudes da vida do dia a dia deve transmitir Jesus Cristo. É com gestos de amor, de verdade e de bondade que o discípulo de Jesus Cristo vai testemunhando a sua fidelidade a Jesus Cristo e ao Seu Evangelho. Jesus alerta também para a possibilidade da falência no testemunho. Ele o faz usando a imagem do sal que se torna insosso e não serve para mais nada, somente para ser jogado fora e pisado pelos homens se não for usado devidamente. Isto acontece quando o discípulo, por meio dos gestos de maldade, de incoerência com o Evangelho de Jesus Cristo, vai mostrando a fraqueza da sua fé, a falta de testemunho na vida. 

A outra imagem que Jesus usa é a da luz. «Vós sois a luz do mundo» (Mt 5, 14). É uma imagem que abre o testemunho do discípulo a uma dimensão de universalidade. O mundo não é só Israel, mas o conjunto de todos os povos, línguas, nações. O Evangelho vai se abrindo a esta dimensão de universalidade. O testemunho do discípulo deve ser para todos. A imagem da cidade construída sobre o monte e da lâmpada que deve ser colocada sobre o candeeiro para que brilhe para todos mostram o movimento de atração que a comunidade cristã deve exercer. A sua luz deve irradiar, a sua beleza deve atrair. É a beleza do testemunho que atrai. 

Por isso, Jesus conclui afirmando: «Assim, brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus» (Mt 5, 16). As boas obras dos discípulos de Jesus devem conduzir as pessoas à fé, a louvar o Pai do céu. Quem não se comove com o testemunho de Santa Tereza de Calcutá, Santa Dulce dos Pobres, São Carlo Acutis? Que o encontro com este Evangelho nos questione sobre a importância do nosso testemunho.

Cardeal Paulo Cezar Costa
Arcebispo de Brasília