Lázaro Vem para Fora

O Evangelho deste domingo nos apresenta Jesus que dá a vida a Lázaro, morto já há quatro dias (Jo 11, 1-45). O Evangelho se desenvolve com uma revelação messiânica fundamental de Jesus aos discípulos, à família de Betânia e aos judeus que lá se encontravam: “Eu sou a ressurreição”. (Jo 11, 25). O texto se desenrola em três momentos: notícia da morte de Lázaro a Jesus, que está fora de Betânia; encontro de Jesus com Marta e Maria; Jesus que dá a vida a Lázaro. 

O texto se inicia apresentando a família de Betânia, família amiga de Cristo. Lázaro estava doente, mas Jesus não estava na cidade. As duas irmãs mandam dizer-lhe: “Senhor, aquele que amas está doente”. (Jo 11, 3). Jesus era amigo de Lázaro. A amizade é um dom gratuito. O que Lázaro teria feito para conquistar essa amizade? O cardeal Martini respondia que o camarada é que se deixara amar por Cristo. Jesus amava a família, o texto diz expressamente: “Jesus amava Marta e sua irmã e Lázaro” (Jo 11, 5). O próprio Cristo diz aos discípulos que seu amigo morreu (Jo 11, 14). Mas a seguir ele realizará um sinal, um milagre que fortalecerá a fé dos discípulos. Segue então para Betânia e, antes que chegue, Marta já lhe vai ao encontro e desabafa: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas ainda agora eu sei que tudo que pedires a Deus, ele te concederá” (Jo 11, 22). Marta é uma mulher de fé; ela crê em Jesus, mas hesita diante de sua afirmação: “Teu irmão ressuscitará” (Jo 11, 23). Jesus agora se revela como aquele que é ressurreição: “Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim jamais morrerá” (Jo 11, 25-26). Também Maria faz o mesmo desabafo: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido” (Jo 11, 32). Então Jesus se comove e chora quando as vê chorar. O texto é de uma alta teologia, mas apresenta a proximidade de Jesus, a sua humanidade, a sua proximidade mediante a dor, o sofrimento das amigas. Ele se comove, sente a morte do amigo.

Jesus agora pergunta: Onde o colocaste? Respondem: Senhor, vem e vê. Jesus, de novo chora. É uma narrativa cheia de fé e emoção, pois expressa a dor que o Senhor sente quando a irmã morte bate à porta dos seus amigos de Betânia. Jesus manda retirar a pedra. Marta ainda objeta: “Senhor, já cheira mal, é o quarto dia”. Jesus ergue os olhos e dá graças porque o Pai o ouve e grita: “Lázaro, vem para fora”. E Lázaro vem para fora. Jesus manda desatá-lo e deixá-lo ir. Jesus é o Filho de Deus que coloca a sua divindade, com proximidade, a serviço dos homens, de forma especial nos seus sofrimentos. É aquele que se revela aqui, como Senhor da morte. Jesus não se assusta diante da morte do amigo, mas vai até Betânia e, de forma senhoril, ressuscita Lázaro. A ressurreição de Lázaro revela ao homem e à mulher de fé que não é a morte que diz a última palavra, mas Jesus, que é ressurreição, que é vida. 

Cardeal Paulo Cezar Costa
Arcebispo de Brasília